Resenha - O Feiticeiro de Terramar

Sinopse: "Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman."
A magia é algo intrínseco a Ged, desde pequeno, antes mesmo de receber seu nome de adulto, ele faz feitiços com extrema facilidade, despertando a atenção do feiticeiro Ogion, que o leva para ajudá-lo a aprimorar a sua técnica.

Contudo, Ged não se contenta com apenas um tutor. Com seu rápido aprendizado e exímio desempenho, ele quer sempre mais, e parte para a escola de magos de Roke, onde rapidamente se destaca entre os alunos, ficando à frente de todos em sua turma.

Tendo em vista de que ele sempre quer se mostrar superior aos demais, principalmente a Jaspe, um colega de classe mais avançada; o orgulho e a impaciência crescem no jovem aprendiz de feiticeiro, levando-o a se tornar arrogante e tomar uma atitude que colocará a vida de todos em risco, e trará um perigo mortal que o perseguirá até o fim de seus dias.

Querem saber mais? Então corram para ler o livro!

*** 

O livro da Ursula possui todos os elementos básicos de uma fantasia: magos, dragões e um vasto continente a desbravar. Entretanto, há algo nessa obra que a torna única e cativante, e que pode ser resumida em três palavras: ausência de guerra.

Alguns podem estranhar e pensar que, em razão disso, essa história não seria atraente, mas muito se enganam, já que a trama consegue ser bastante envolvente, mesmo não havendo cenas de combate, e a ousadia de Ursula a fazer algo de diferente me fez gostar ainda mais da narrativa, já que, até então, para mim guerra e fantasia estavam atrelados, na mesma medida em que desolação é intrínseco à distopia, porém, a autora quebrou este paradigma, nos mostrando que é possível criar um argumento sem o uso de componentes que me pareciam fundamentais. E, pelo que pude perceber, mesmo sendo o primeiro volume da saga, a autora deu a entender que realmente não irá existir um conflito futuro entre dois ou mais povos.

Outro pré-conceito que ela derrubou foi em relação à concepção dos personagens. Para quem não sabe, O Feiticeiro de Terramar foi originalmente publicado em 1968, em uma época em que era comum ter como protagonistas pessoas caucasianas e como donzelas, jovens de cabelos loiros, olhos claros e indefesas, algo que não ocorre em seus texto e, do modo como ela os desenvolveu, fez com que demorasse para que os racistas se dessem conta e, ao perceber a artimanha da autora, já estavam cativados por tais personagens.

Todos esses pontos e outros mais, estão presentes no posfácio, e vale muito a pena ler.

Quanto ao Ged, o protagonista, ele possui outra particularidade que o diferencia do padrão: seus defeitos. Apesar de ser comum encontrarmos personagens com falhas nos livros de hoje em dia, na década de 60 isso não acontecia. Como a própria Ursula fala, os mocinhos eram os bonzinhos que, até quando matavam tornavam as suas atitudes justificáveis, uma vez que o faziam quando algum vilão estava ameaçando a paz dos demais.

Nesse sentido, Ged não segue a jornada do herói, crescendo aos poucos, superando um conflito e então sendo agraciado no final, ele já nasce pronto,no entanto, a sua arrogância e seu orgulho vão deformando-o com o passar das páginas, a ponto de ele precisar ser reconstruído.

E a autora faz isso muito bem, enquanto nos leva a conhecer o mundo de Terramar e os personagens que cruzam o caminho de Ged. Embora alguns só fiquem por um momento, eles são tão bem caracterizados, tão palpáveis, que não os esquecemos.

Ainda que os capítulos sejam, em sua maioria, um pouco grandes, a leitura flui, e mesmo esse sendo o início de uma série, a Ursula nos traz um final que, independente do enredo ter continuação ou não, nenhuma ponta fica solta, ou seja, mesmo que este fosse um volume único, teria cumprido a sua missão de contar uma ótima história com começo, meio e fim.

O Feiticeiro de Terramar - Ursula K. Le Guin
Editora Arqueiro
176 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota: 5

11 comentários

  1. Tenho que confessar que me bateu aquela vontade de sair correndo pra livraria e comprar esse livro haha
    Apesar de não ler muitos livros do gênero, esse me deixou super interessada.
    E sua resenha fez com que eu ficasse ainda mais curiosa.
    Parece ser uma aventura e tanto :)
    Uma pena eu não ter dinheiro nesse exato momento rs
    Espero conferir a obra em breve.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  2. Oi Laplace,tudo bem?
    Gosto de livros assim, que claramente são bons e constroem os personagens de tal forma, que atéaqueles que ficam em segundo plano, continuam em nossas mentes. E gostei de você ter mencionado que mesmo que não haja continuação asperguntas foram respondidas. Gosto muito de histórias que envolvem magia, acho que vou adorar.
    Beijos
    [SORTEIO] Aniversário de 1 Ano: Livro - Perdida
    Quanto Mais Livros Melhor

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  3. Uau!!!
    Quero ler! Rs
    Despertou muito a minha curiosidade pelos pontos sobre protagonistas diferentes, não haver guerras e a construção do personagem.

    Vai entrar pra minha lista de desejos sim!

    Abraços, Isis

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  4. Achei interessante o fato de não ter guerra nele. Livros assim, ao menos a maioria dos que vejo e leio, já apresentam algum tipo de conflito no primeiro volume e giram em torno disso. Achei diferente. E o fato de ter um começo, meio e fim. Acho que fica até mais interessante pra quem quiser ler e não ficar preso na história. Você pode escolher continuar ou não. Estou com ele pra ler e vou ver se faço isso em breve. Parece muito bom.

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  5. Pois q legal. Tb atrelava a guerra a fantasia. Vou ler. Achei interessante e ainda bem q mesmo sendo uma série, não é daqueles livros q vc fica ansiosamente esperando pela continuação pra saber do q se trata...

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  6. Laplace!
    Durante minha adolescência fiquei viciada na autora, depois que li A mão esquerda da escuridão, queria devorar tudo que ela escrevia, porém esse foi um dos poucos livros dela que não li e pelo visto, vai no bom estilo dos outros.
    Gosto demais desse tipo de ficção/fantasia.
    “Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  7. Adorei a dica, parece ser bem bacana!
    Blog Entrelinhas

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  8. Olá, a ausência de guerra só torna o livro mais interessante pra mim pois essas cenas raramente me chamam atenção. Beijos.

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  9. Oi!
    Nunca li nada da autora, mas desde as primeiras divulgações desse livro, já fiquei com muita vontade de fazer a leitura. Não é um estilo em que leia muito, mas eu gosto!
    Sua resenha está perfeita. Espero poder ler em breve!
    Beijos.

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  10. eu não sabia que esse livro não tinha guerra
    realmente é bem diferente isso
    esse livro tem muita gente que considera um clássico da fantasia, lá fora ela é super aclamada
    obrigada por avisar que o livro pode ser lido só ele
    era uma das coisas que estava evitando eu ler

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  11. Sua resenha me deixou super curiosa com esse livro. Tem um tempo que ele está na minha lista de desejados, mas tinha me interessado só por causa da sinopse e da capa. Agora que sei melhor como a história é e como tudo acontece, fico com ainda mais vontade de ler, e vou tentar fazer isso o mais rápido possível.

    Abraços :)

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