Resenha - O Cemitério

Sinopse: "Uma das histórias mais terríveis de Stephen King, O cemitério mostra como a dor e a loucura, muitas vezes, dividem a mesma estrada. Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar em uma pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade e a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios pela região, conhecem um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Mas, para além dos pequenos túmulos, há um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis Creed se diverte com as histórias fantasmagóricas do vizinho Crandall. No entanto, quando o gato de sua filha Eillen morre atropelado e, subitamente, retorna à vida, ele percebe que há coisas que nem mesmo a sua ciência pode explicar. Que mistérios esconde o cemitério dos bichos? Terá o homem o direito de interferir no mundo dos mortos? Em busca das respostas, Louis Creed é levado por uma trama sobrenatural em que o limite entre a vida e a morte é inexistente. E, quando descobre a verdade, percebe que ela é muito pior que seus mais terríveis pesadelos. Pior que a própria morte – e infinitamente mais poderosa."
O Cemitério é um livro bastante conhecido de Stephen King devido à história de sua publicação e à adaptação para o cinema ocorrida nos anos de 1980. A narrativa, escrita muitos anos antes do lançamento, havia sido rejeitada pelo próprio King por considerá-la mediana. No entanto, o escritor possuía obrigações contratuais com a Editora Doubleday que o fizeram tirar o manuscrito da gaveta e comercializá-lo. Ainda bem.

Já falei de Stephen King por aqui e não me canso de falar sobre ele. Ele é um dos escritores de que mais gosto na vida justamente por ter a capacidade de discorrer acerca dos sentimentos humanos como a dor, o medo, a vida e a morte e, principalmente, sobre como nós lidamos com isso. O autor é conhecido como um dos grandes mestres do terror na atualidade, no entanto, eu não diria que seus textos têm o objetivo de apenas nos causarem medo e desconforto. Avaliar a obra de King dessa maneira limitada é o mesmo que ignorar toda a habilidade que ele tem para desenvolver seus personagens e para descrever ambientes. E são esses - elementos - os grandes responsáveis pelo conteúdo “profundamente dark” - como King diz - d’O Cemitério: o espaço no qual seus causos são permeados.

O Cemitério inicia quando Louis Creed e sua família - a esposa Rachel, a filha Ellie e o bebê Gage, mudam-se de Chicago para a pequena cidade de Ludlow, no estado do Maine. Louis é médico e assume a função de chefe da ala hospitalar da Universidade do Maine. A família compra, então, uma casa em frente à rota 15. A rodovia atravessa a região e a residência está à beira da estrada. Por esse motivo, Louis e sua esposa ficam muito apreensivos, temendo que os muitos caminhões que circulam em alta velocidade por lá atropelem alguma pessoa mais descuidada ou pior, algum membro da família. Do outro lado da pista vive um casal de idosos bastante simpático, Jud e Norma Crandall. Louis e Jud ficam rapidamente muito amigos. Jud é um daqueles velhinhos que sempre tem coisas para contar e uma boa cerveja gelada a oferecer, favorecendo a presença quase que diária de Louis na casa dele.

Praticando a política de boa vizinhança, Jud mostra o terreno e as redondezas para os novos amigos, falando um pouco sobre as lendas do local. No terreno dos Creed existe uma trilha no meio do mato, e quando Jud é questionado a respeito do destino dela, o velho promete que, quando eles estiverem mais ambientados, os levará para um passeio até o lugar.

Assim, Jud cumpre a promessa,  e os Creed seguem o caminho guiado pelo acolhedor vizinho e chegam a um cemitério de animais ou “Simitério”, como dizia a placa. Esta zona existe há anos e é destinada aos cachorros, gatos, peixes, pássaros e qualquer animal de estimação das famílias da cidadela. Jud conta sobre as pessoas que vinham enterrar seus bichos ali e sobre as histórias de seus inconsoláveis donos após a morte de seus queridos companheiros. Surge, a partir de então, uma discussão entre o casal a respeito da morte e de como lidar com ela, já que Ellie pergunta acerca do destino do seu gato Church após visitar oSimitério”.

Esse acontecimento não impede de a família Creed encaixar-se facilmente à rotina de Ludlow. Louis procura ambientar-se à sua nova função, Rachel faz amizade com os vizinhos, Ellie começa a frequentar a escola, Gage é um bebê feliz e Church, o gato, passeia pelas redondezas, explorando o terreno. Até que ocorre um acidente fatal com um dos estudantes da universidade e Louis enfrenta uma situação bastante curiosa: ele ouve o jovem, momentos antes de sua morte, preveni-lo de nunca ultrapassar os limites do cemitério, sob pena do terror, morte e todo o mal que poderia recair à sua vida e à vida de seus familiares. Apesar dessa circunstância desagradável, Louis acredita ter escutado mal, como se a sua alucinação fosse fruto do estresse vivenciado nos primeiros dias de adaptação ao seu novo trabalho. Fora o fato de que ele sabe que faz parte do cotidiano de qualquer médico ter que lidar com a morte. Nesse sentido, prefere, então, encarar tal acontecimento como apenas mais uma das responsabilidades da profissão.

Um dia, no entanto, após um sonho com o mesmo jovem acidentado, o médico acorda em sua cama com os pés cheios de lama. No sonho, ele havia seguido o jovem até o “Simitério”. Fica o questionamento em sua mente: teria sido mesmo um sonho ou ele esteve acompanhado de um fantasma? Sonho ou não, Louis ficou apreensivo por vários dias.

Até que Church é atropelado. Podemos dizer que a vida da família começa a mudar exatamente neste dia. O gato morre na rodovia e seu destino final é o pátio da casa de Jud. Quando este percebe a aflição de seu amigo, pensando em como contar à filha sobre a morte de seu bichano, Jud resolve ajudar Louis, mas essa ajuda acaba tendo consequências bastante desastrosas. Louis segue seu amigo, com o corpo de Church em um saco, acreditando que irá enterrá-lo no “Simitério”. No entanto, ele descobre que o paradeiro do felino seria outro. Louis se depara com uma nova trilha que fica atrás do cemitério de bichos, escondida por um paredão de árvores caídas. Lá está o sombrio cemitério indígena Micmac. Este local possui uma pesada energia e escondia um grande segredo: quem por lá era enterrado, voltava à vida.

Church, por conta disso, ressuscita, carregando consigo um ar sinistro e um cheiro fétido. A partir daí Louis fica angustiado com o grande segredo que carrega dentro de si. O médico não é mais o mesmo e a sua visão sobre a morte se transforma. Pouco tempo após esse acontecimento, ocorre uma tragédia que esfacela a vida dos Creed de forma brutal. E, em meio ao desespero, Louis toma decisões que irão mudar o futuro de sua família completamente.

O que eu posso dizer é que King não nos decepciona, trabalhando com diversos temas que não posso comentar a partir daqui para não revelar muitos spoilers. Quanto ao texto, ele é rico em detalhes e questionamentos, e a reação dos personagens em face da morte é tão real, que é impossível não identificarmos em nós mesmos alguns temores e preocupações sobre o assunto. Além disso, King nos mostra algumas crenças e tradições dos nativos que são bem interessantes de se ler.

O Cemitério é uma obra sensacional! Sua escrita perturbadora conduz o leitor ao medo, mas ao mesmo tempo levanta questões humanas que só a narrativa genial de Stephen King pode nos trazer. Recomendo a leitura para quem gosta de textos mais densos, com detalhadas descrições de ambiente e, lógico, para quem gosta de narrativa de horror.

O Cemitério - Stephen King
Editora Suma de Letras
424 páginas
Comprar: Amazon / Saraiva
Nota 4

10 comentários

  1. Até hoje não li nada do Stephen King. Só vi alguns filmes baseados em seus livros, e gostei bastante. O Cemitério é um dos livros dele que mais quero ler. A história é bem interessante e tenho certeza de que é muito aterrorizante. Já está na lista de desejados.

    Abraços :)

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  2. Sempre quis ler Stephen King, mas tenho medo dele rs
    Beijos,
    Juliana.
    Fabulônica
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  3. Nossa, mas esse tem muita coisa acontecendo então heim? Confesso que não sei se leria porque não acho muito minha cara. Mas sei que o texto do autor acaba sendo viciante de ler, tem tantos detalhes e coisas acontecendo que a gente acaba querendo saber como ele vai finalizar a história. E além disso esse ainda consegue deixar alguns questionamentos, fazer pensar. Achei isso interessante. Mas pra ler mesmo teria de sair um pouco da minha zona de conforto, aí não sei se pegaria tão fácil.
    Vale a pena pra quem já gosta de histórias de horror mesmo.

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  4. Olá, concordo com seu ponto, King usa do terror como pano de fundo para descrever e introduzir todo o tipo de emoção humana, seja elas quais forem. Espero ler esta obra dele em breve. Beijos.

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  5. Olá!
    Parabéns pela resenha, perfeita!
    Adoro a escrita do autor, apesar de ainda ter lido muito poucos livros do mesmo. Mas não é por falta de vontade! Esse, com certeza está na lista!
    Super curiosa. Obrigada pela dica.
    Beijos.

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  6. Ana!
    Adorei sua resenha bem detalhada do que poderemos encontrar dentro de mais essa obra maravilhosa do King e mais ainda toda explicação do que considera ser terror, incluindo todo drama psicológico envolvido nos livros do autor e nesse exemplar, como não poderia deixar de ser.
    “O que sabemos, saber que o sabemos. Aquilo que não sabemos, saber que não o sabemos: eis o verdadeiro saber.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  7. Nunca li nenhuma obra do Stephen King e confesso que não tenho vontade.
    Não fazem muito o meu tipo.
    Gosto daquele velho e bom romance rsrs
    Não curti muito a história do livro em questão :(
    Mas pra quem gosta, acredito que seja uma boa pedida.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  8. eu tenho que ler esse livro
    eu assisti o filme (a algum muito tempo...) e adorei a história
    agora tenho que conferir o livro que deu origem (e reassistir) sem falar que eu adoro uma boa história de terror e King é king
    beijos

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  9. Para compensar uma narrativa densa, tem que ter uma lista de livros mais leves!
    E mais, tem que estar de bem consigo mesma também, se não, deve abalar bastante o psicológico.

    Beijos, Isis

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  10. Eu amo King e ninguém consegue nos deixar com medo e ao mesmo tempo sem conseguir largar o livro como ele! Ainda não li O cemitério, mas pretendo! A resenha ficou ótima! Adorei!

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