Resenha - A Guerra dos Mundos

Resenha - A guerra dos mundos
Sinopse: "Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior? Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles — responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 —, que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells."
A raça humana nunca imaginou que existisse vida inteligente em outro planeta, por esse motivo, quando os primeiros marcianos chegaram, a preocupação inicial da população foi que enviassem um destacamento policial para protegê-los.

Não demorou muito para compreenderem que os visitantes não eram pacíficos, e logo o sentimento de acolhida e segurança foi substituído por medo e terror, à medida que os marcianos demonstravam a sua verdadeira face.

Mesmo com tal revelação, as pessoas ainda imaginaram que eles seriam facilmente eliminados e que elas poderiam seguir com suas vidas normalmente. Essa certeza caiu por terra quando o primeiro tripé mecânico se ergueu do chão dizimando tudo ao seu redor.

O caos foi instaurado, todos fugiram em pânico, e os meios de comunicação da época dificultaram o chamado de reforços, favorecendo a propagação da guerra pelo planeta. Apesar dos esforços do exército, os extraterrestres têm levado a melhor no combate, e se encaminham para vencerem o conflito e assumirem o controle da Terra.

Querem saber mais? Então corram para ler o livro!

***

Ao ser publicado em 1898, A Guerra dos Mundos causou pânico e divertimento para o público, e no século seguinte, quando a obra foi transformada em uma série de rádio nos Estados Unidos, também aterrorizou algumas pessoas, que imaginaram realmente estar ocorrendo uma invasão alienígena.

Todo esse alvoroço se deu porque na época, final do século 19, histórias de extraterrestres não eram tão populares e, somado a isso, H. G. Wells trabalhou o texto de forma brilhante, incutindo no leitor a experiência vivida pelo protagonista em uma narrativa em primeira pessoa.

Além da adaptação para rádio, o livro também virou filme, no ano de 1953, e uma nova versão foi lançada em 2005, estrelando Tom Cruise e Dakota Fanning, que, provavelmente, é mais conhecida pelos leitores. Contudo, diferente desse último longa, o cenário original e a forma como a trama são apresentados é bem diversa.

Como em 1898 não dispúnhamos da tecnologia atual, os armamentos utilizados pela raça humana eram mais simples, e os tripés dos marcianos não possuíam campos de força, porém, ainda assim, Wells demonstrou estar bem à frente de seu tempo ao introduzir o raio de calor que matava as pessoas, máquinas voadoras - nesse período já existiam balões, mas o voo mesmo passou a ser usado para fins bélicos no século seguinte, quando Santos Dumont inventou o avião -, e, claro, a viagem espacial.

Embora houvesse o atraso tecnológico, não pensem que a humanidade foi facilmente esmagada na guerra, aliás, eu até diria que nos saímos melhor do que nas telona, tendo em vista de que naquele tempo ainda se usava o telegrama, o que fazia com que as informações levassem mais tempo para serem transmitidas, dando uma vantagem extra aos marcianos.

Afora isso, como a concepção de vida inteligente fora do nosso planeta era algo absurdo, com a chegada dos extraterrestres a população se preocupou mais em protegê-los, e sequer passou por suas mentes que eles pudessem ser uma ameaça. Chega até ser cômico testemunhar a arrogância humana, acreditando que uma raça que possui a tecnologia para viajar pelas estrelas precisaria do resguardo de outra, que ainda anda de carroça.

O embate entre humanos e marcianos é muito bem explorado, e Wells não poupa palavras para nos mostrar o quão terríveis os intrusos podem ser. Nós acompanhamos o conflito através do protagonista e de seu irmão, porém, o segundo não é um narrador, os fatos vivenciados por ele são contados pelo próprio personagem principal, a partir de uma conversa que ambos tiveram no futuro, pelo que podemos entender.

Sobre ambos há algo a destacar: ao contrário do que estamos habituados, o autor não nomeia todos os seus personagens. A alguns ele se refere por seus títulos, como o artilheiro, e a outros por outra definição, como é o caso do irmão, além disso, o protagonista não é nomeado. A ausência do nome do personagem principal até que não fez falta, quando se escreve em primeira pessoa esse detalhe pode ser facilmente deixado de lado, no entanto, achei meio incômodo ler constantemente “meu irmão”, quando o narrador se referia ao mesmo. Não há muitas palavras que possam substituir essa nomenclatura, então essa repetição acabou saltando aos meus olhos e, olhando do ponto de vista de escritor, não é interessante usar uma mesma palavra/denominação muitas vezes seguidas no decorrer das páginas, já que isso empobrece o trabalho e pode tirar o foco do leitor do enredo.

O último ponto que tenho a comentar é que A Guerra dos Mundos é um ótimo livro e vale a pena ser lido, contudo, se for fazê-lo, não o leiam com os olhos de quem está habituado às leituras publicadas hoje em dia. Lembrem-se de que se trata de um exemplar do século 19, em que as técnicas de escrita eram outras - eu até a achei mais ágil do que imaginei -, não havia o costume de em todo o fim de capítulo deixar um gancho para o próximo, entre outras coisas. Tenham isso em mente para que possam desfrutar ao máximo dessa leitura.

A Guerra dos Mundos - H. G. Wells
Editora Suma das Letras
296 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 4

10 comentários

  1. Oi Laplace, tenho o hábito de ler livros escritos nessa época e particularmente adoro. Gostei da história e pretendo ler.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  2. Fico com um certo receio de ler obras mais antigas.
    Apesar de não curtir muito o gênero do livro, fiquei curiosa a respeito da história.
    Até que gosto dessas guerras criadas entre marcianos e humanos rsrs.
    Sua opinião me deixou interessada.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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    1. Oi Caroline!
      Depois sou meio receoso em ler obras mais antigas, mas tive interesse em ler essa por ser fã do gênero e do próprio filme de 2005, eu queria ver a obra original e comparar ambos. Vale a pena conferir.

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  3. Laplace!
    Apesar de amar ficção, não tive oportunidade de ler esse livro, mas assisti o filme e já vi que a adaptação tem grandes modificações, e daí a vontade de ler e também porque o autor é expert no assunto, né?
    “Desejo a você e à sua família um Natal de Luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas Festas!” (Priscilla Rodighiero)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de DEZEMBRO ESPECIAL livros + BRINDES e 4 ganhadores, participem!

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    1. Oi Rudynalva!
      Sim, tem grandes modificações, mas a obra original é muito boa, vale a pena conferir.

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  4. Oi Laplace!

    Eu solicitei este livro para a editora e quando terminei de ler, fiquei meio "dopada" sabe? rsrsrsrs Adorei a leitura e o livro está tão perfeito que é impossível não gostar!

    Bjo bjo^^

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    1. Oi Ana!
      Pois é, o livro mexe com a gente, é uma leitura marcante.

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  5. Eu tenho um pouco de receio em ler livros antigos nao sei porque, apesar de o livro parecer bom, não é um dos meus gêneros favoritos, nem um dos q eu leio muito, por isso sai muito da minha area de conforto, mas confesso que fiquei curiosa pra saber como tudo ocorre, a guerra e como os humanos tentam reagir.

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    1. Oi Raquel!
      O livro é muito bom, vale a pena conferir. ;)

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