Resenha - Antes de partir

Resenha - Antes de partir
Sinopse: "Um romance emocionante sobre vida, morte e amor feito tanto para os leitores que gostam de rir quanto para os que preferem chorar. Na véspera do que esperava ser uma triunfante comemoração de três anos livre do câncer, Daisy, 27 anos, sofre um golpe devastador: seu médico lhe diz que a doença está de volta, desta vez ainda mais agressiva. Tendo apenas de quatro a seis meses de vida, ela está apavorada com o que será de seu marido, Jack, quando não estiver mais lá para cuidar dele. Esse medo tira seu sono, até que uma solução lhe vem à mente: ela precisa encontrar outra mulher para ele. Com uma determinação singular, Daisy visita parques, cafeterias e sites de relacionamento à procura do par perfeito para Jack. Mas, à medida que ela avança em sua busca, ela se vê forçada a decidir o que é mais importante no curto tempo que lhe resta: a felicidade de seu marido ou a sua própria?"
Oi gente, aqui é a Barb, e hoje trago para vocês mais uma resenha em dupla, dessa vez com a Dreeh Leal, do Blog Mais que Livros. O legal deste tipo de resenha é que na parte da crítica vocês podem acompanhar a opinião de nós duas. Vamos lá:

Daisy teve câncer de mama aos 24 anos. Depois de passar pela cirurgia e por traumáticos processos de rádio e quimioterapia, ela começou a festejar cada ano livre da doença. Acontece que, logo após a celebração dos três anos de remissão, no qual também comemorava o fim dos exames semestrais, o câncer voltou generalizado, mais forte e mais agressivo, atingindo o pulmão, o fígado e os ossos e, principalmente, o cérebro, que continha um tumor do tamanho de um laranja. O médico foi taxativo, Daisy não tinha mais do que poucos meses de vida, e como ela faria para lidar com todas as implicações de sua morte iminente?

Quem tem câncer duas vezes antes de completar 30? Não é como ser atingido duas vezes por um raio? Ou comprar dois bilhetes de loteria premiadas em uma vida? É como ganhar na loteria do câncer.

Segundo um folheto escrito para pacientes terminais, Daisy estava vivenciando todas as fases da sua moléstia, como se era esperado: a negação, a barganha, bem como a depressão. Quando se está saudável, sempre se pressupõe que a melhor saída para encarar uma situação como essa é fazer as malas e partir rumo a Itália ou qualquer outro lugar do mundo que se queira conhecer, já que essa seria a última chance para se realizar os nossos sonhos mais profundos. Porém, agora, com a morte batendo à porta dela, tudo que Daisy quer é se afundar cada vez mais em sua cama. E ela se permite isso, até cair a ficha de que seu marido precisa dela mais do que nunca. Logo ele, que nem se dá ao trabalho de recolher as meias usadas do pé da cama... como ficaria após a sua partida?

É nesse momento em que Daisy decide procurar uma nova esposa para o seu amado. Por motivos óbvios, a tarefa é difícil e exige um desprendimento enorme, mas tudo se complica com a sua falta de prática no quesito paquerar (mesmo que seja online). Ela conheceu Jack ainda nova e logo soube que ele era a pessoa certa, então pulou totalmente a fase dos flertes.

É o Jack. Meu marido [...] E a nossa conexão enche meu coração de espanto e satisfação. Acho que todos os casais sentem isso em algum momento - que a ligação entre eles é a mais especial, a mais forte, o Maior Amor de Todos. Não sempre, só naqueles poucos-e-espaçados momentos em que você olha para a pessoa que está ao seu lado e pensa: Sim. É você.

Daisy precisa ser forte duplamente para enfrentar esse período que abala a sua confiança na mesma proporção em que a impulsiona para frente.

***

DREEH: Antes de partir foi um livro que, primeiramente, me surpreendeu. Não sou fã de sick-lits, pois acho mórbido demais ler uma história em que você sabe que o final é triste e inevitável. Todavia, quando li a sinopse me foquei muito na "procura por uma nova esposa para seu marido", e esperei por um texto mais descontraído. Claro que não foi bem isso que aconteceu, mas a autora fez um ótimo balanço entre os sentimentos ali apresentados. Nos momentos em que Daisy se afundava na depressão, a leitura perdia um pouco o ritmo, para logo depois voltar ao normal nas outras situações retratadas.

BARB: O foco da trama está situada em como lidar com a morte, contudo, a autora igualmente abordou outras questões interessantes com a mãe e a melhor amiga da protagonista. Kayleigh, por sinal, é a grande responsável por dar aquelas sacudidas em Daisy, mas também sabe o momento certo de ouvir. Sem dúvida, ela é encarregada por trazer leveza e equilibrar o enredo.

DREEH: E o que falar sobre o Jack? Eu o vi através dos olhos de sua esposa e, inevitavelmente, me apaixonei por ele. Esse sentimento só serviu para nos deixar ainda mais incomodados com a forma que ele reagiu à nova realidade. Nos esforçamos para entender a dor, o conflito que acontecia dentro dele e para aceitar que, apesar de suas limitações, Jack estava se esforçando para aceitar a nova situação. Porém, acho que a autora pecou em não desenvolver mais a relação dele com a esposa. Senti falta de uma simples conversa ou um abraço entre os dois.

Esse é o problema de ser especializada em psicologia. Não posso apenas ter sentimentos como pessoas normais. Tenho de tentar compreendê-los. É cansativo.

BARB: Quanto à edição, ela está linda. Essa capa não tem uma ligação direta com a narrativa, mas podemos interpretá-la de forma mais conceitual como, por exemplo, esses galhos secos, lembrando o outono, podem ser comparados ao momento no qual Daisy está vivendo, em que está murchando e que em breve retornará à terra (que profundo isso, gente!). E a mulher doando o seu coração pode ser relacionada à toda situação, enfim... A diagramação do exemplar é simples e os capítulos são subdivididos em meses. A fonte e o espaçamento são confortáveis para a leitura, mas infelizmente há alguns errinhos de digitação, entretanto, não desmerecem a obra.

DREEH: De todos os momentos compartilhados conosco, aquele que mais me doeu, foi quando vi Daisy se anulando em prol do futuro do marido. E me machucou porque eu ia querer agir da mesma forma que ela, mas não sei se conseguiria ser tão dedicada assim, tendo em vista os problemas que eu mesma estaria enfrentando. A minha empatia para com a personagem foi muito instantânea, no entanto, mesmo que vocês não consigam se pôr no lugar de Daisy, tenho certeza de que ainda assim terão seus corações partidos por esse livro.

Antes de partir -
Editora Bertrand Brasil
320 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 4

2 comentários

  1. eu acho bem legal essa ideia de resenhas duplas! é tão legal acompanhar duas opiniões ao mesmo tempo
    agora do livro eu tb não sou muito fã de sick-lit, já li alguns livros sobre questão de aceitar a morte, mas a maioria não era ficção (meu pai fez um trabalho sobre isso e como eu leio até bula de remédio acabei lendo alguns que me deixaram na bad)
    não sei, parece ser um livro lindo! mas eu não quero ler coisas que me deixem na bad
    beijos

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  2. Oi.
    Gostei muito de ler uma resenha dupla, ficou super interessante! Quanto ao livro, deixo passar a dica, pois estou evitando livros com mensagens tristes. Parece ser um livro bem bonito. Mas não pretendo ler. Obrigada. Beijos.

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