Resenha - Onde Está Elizabeth?

Sinopse: "Como resolver um mistério sem se lembrar das pistas? Maud está ficando esquecida. Aos 80 anos, ela compra pêssegos em calda quando ainda há muitos na despensa e escreve bilhetes para se recordar das coisas. Algumas vezes sua casa parece irreconhecível, e sua filha, Helen, uma completa estranha. Mas de uma coisa ela tem certeza: sua amiga Elizabeth está desaparecida. É o que diz uma anotação em seu bolso. Embora não se lembre da última vez que viu Elizabeth ou mesmo do que aconteceu segundos atrás, Maud se recorda de todos os detalhes do sumiço de Sukey, sua irmã mais velha, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Após um jantar com a família, nunca mais se teve notícias dela. Apesar de a polícia e de todos ao redor tentarem convencê-la de que Elizabeth está bem, Maud se mantém firme na missão de encontrá-la. O que ela não imagina é que a busca pela amiga acabará se tornando fundamental para desvendar o desaparecimento de sua irmã."
Onde está Elizabeth? é o romance de estreia de Emma Healey, a escritora britânica vencedora do Costa Book Awards e do Premio Salerno Libro d’Europa, que nos traz em suas páginas um romance psicológico muito intrigante.

Ao abrir o livro, o leitor depara-se com um narrador em primeira pessoa bastante diferente do que normalmente encontramos na literatura atual: Maud, uma senhora de mais de 80 anos é a protagonista e a contadora dessa história. O fio condutor da narrativa é a memória de Maud, mas ela está cada vez mais esquecida a cada dia que passa. Para tentar se lembrar do seu cotidiano e das pessoas à sua volta, Maud escreve bilhetes para si mesma e, certa vez, lê um que a deixa muito preocupada. Esta mensagem lhe informa que a sua amiga Elizabeth está desaparecida.

Maud quer descobrir o paradeiro dela e insiste nesse assunto quando conversa com sua filha, com a cuidadora, com os vizinhos e até com a polícia. O problema é que pelo fato de Maud ser idosa e sofrer de perda de memória recente, as pessoas não a levam a sério. E Maud percebe isso. Aqui, considero a trama realmente genial! Emma Healey une a ideia de um possível crime – o sumiço de Elizabeth – com o testemunho duvidoso de uma mulher de idade avançada que está sempre se esquecendo das coisas. Achei o desenvolvimento desse conflito um tanto quanto inovador.

Todos asseguram a Maud que Elizabeth está bem, mas não esclarecem a ela o que realmente está acontecendo. Com isso, Maud fica ainda mais ansiosa por receber informações já que o possível desaparecimento da amiga lhe faz lembrar do sumiço de sua irmã mais velha, Sukey, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Assim, os dias vão passando e Maud observa que todos mantém-se sempre muito tranquilos em relação à localização de Elizabeth. Ainda assim, a senhora segue apelando para saber mais notícias sobre ela. Como não as recebe, resolve iniciar uma investigação por conta própria para descobrir onde está a sua amiga.

A partir deste momento, o leitor acompanha os acontecimentos do presente intercalados com os do passado de Maud. A protagonista relembra a sua vida no período da Segunda Guerra, o desaparecimento de Sukey e a sua busca desesperada por essa irmã que sumiu sem deixar pista alguma, mesmo após quase 70 anos, abalando a sua vida para sempre. Será esse também o mesmo destino de Elizabeth? É o que nós teremos que descobrir!

A leitura desta obra é realmente fascinante. Como todo narrador personagem, Maud não é confiável, no entanto o que mais achei interessante é que não devemos acreditar piamente nela não somente porque ela está contando a história, mas também porque a sua memória não é precisa. Em diversos momentos o livro me causou extrema angústia, pois eu nunca sabia se determinada cena realmente estava acontecendo ou se a protagonista havia se confundido.

Além disso, ser guiada pela própria Maud me deixou pensando se havia, de fato, se sucedido algo com Elizabeth ou se Maud estava tão traumatizada com o ocorrido no passado que projetou tais circunstâncias no cenário que criou em sua mente.

Outro ponto positivo que aproveito para elencar é que Emma Healey conseguiu criar uma personagem cativante, sensível e muito, mas muito teimosa. Maud me sensibilizou desde o início da leitura, pois fiquei refletindo bastante sobre como deve ser difícil perceber que a sua memória já não é mais a mesma e que, de repente, você precisa de ajuda para realizar as pequenas atividades do dia a dia. Ao mesmo tempo, Maud é uma pessoa inteligente e pelo fato de ser idosa, os outros a tratam como se ela não soubesse fazer mais coisa alguma e isso deve ser muito desagradável. Achei bastante interessante essa reflexão sobre a velhice trazida pela escritora que diz ter se inspirado em uma de suas avós, que passou por essa situação (provavelmente por conta do Alzheimer, pelo que entendi), para escrever a personagem Maud.

Outro aspecto que me chamou a atenção foi o relacionamento de Maud com a sua filha. Helen me deixou muito chateada durante o desenrolar do enredo, pois a considerava muito impaciente para com a mãe, entretanto, ela foi capaz de me surpreender e, ao final da história, até achei que ela se redimiu!

Onde está Elizabeth? é um thriller psicológico muito bem elaborado, diferente de todos os que já li. Recomendo a leitura para quem gosta do gênero e ainda quer ler uma obra diferente, sensível, que traz belas reflexões sobre a chegada da idade, a família e os relacionamentos humanos.

Onde Está Elizabeth? - Emma Healey
Editora Record
308 páginas
Comprar: Amazon / Saraiva 
Nota 4

4 comentários

  1. A primeira vez que vi o livro eu não me atentei a conhecer muito sobre a obra, porém a primeira resenha li dele me encantou, parece ser um livro incrível e tem tudo para ser um ótimo livro para mim, espero não me decepcionar.

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  2. Oi tudo bem..
    já havia lido algumas resenhas sobre o livro e a premissa me deixou bastante curiosa,por ser raro (pelo menos pra mim)lermos sobre Alzheimer ainda mais estando "dentro da cabeça" de quem tem essa doença,e vermos como a maioria dos idosos sao tratados como inválidos e o pior de tudo é que em sua maioria é principalmente pelos familiares..gostei bastante da resenha e me deixou mais curiosa ainda..
    Um abraço e muito sucesso :)

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  3. Olá.
    Infelizmente essa doença é uma realidade e tenho uma pessoa da família que sofre da mesma. O livro tem uma premissa muito interessante e acredito que seja uma boa leitura. Gosto de thriller psicológico! Sua resenha está perfeita, me motivou muito a leitura. Obrigada. Beijos.

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  4. Oi Ana!

    Eu adoro livros que trazem uma boa história com uma pitada de suspense. Não conhecia o livro nem a autora, mas fiquei curiosa depois de ler sua resenha.

    Vou adicioná-lo a minha lista de desejados!

    Bjo bjo^^

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