Resenha - Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo

Sinopse: "Bem-vindo a Nova Vegas, uma cidade antes repleta de brilho, agora coberta de gelo. Com grande parte do planeta agora destruído, o lugar só conhece uma temperatura: a congelante. Lá encontramos Natasha Kestal, uma jovem crupiê à procura de uma saída. Como muitos, ela ouviu falar de um lugar mítico simplesmente chamado de Azul, um paraíso onde o sol ainda brilha e as águas são azul turquesa — e um lugar onde Nat e seus semelhantes não serão perseguidos, mesmo que seu segredo mais obscuro venha à tona. Mas o caminho para o Azul é traiçoeiro, senão impossível de atravessar, e sua única chance é apostar em um grupo de mercenários liderados pelo arrogante Ryan Wesson para conduzi-la a seu destino. Ciladas e perigos os aguardam em cada esquina, à medida que Nat e Wes se veem inexoravelmente atraídos um pelo outro. Mas seria possível o amor verdadeiro sobreviver a mentiras? Corações em chamas colidem nesta trama sobre a maldade do homem e o incrível poder que existe dentro de cada um de nós."
Nessa distopia, o mundo como conhecemos foi dominado pelo gelo. A expectativa de vida diminui drasticamente por conta do frio extremo, mas algumas coisas nunca mudam. O cerne de tudo está na cidade de Nova Vegas, que mesmo com o caos lá fora, continua atraindo pessoas aos seus cassinos para grandes apostas que podem definir o que será comido no jantar.

Aqui também existem sujeitos com poderes especiais, conhecidos como Marcados. Esse grupo costuma ser caçado e retirado da sociedade por ser considerado perigoso. A característica que os entrega são os olhos claros, já que os "normais" possuem apenas olhos cinzentos ou mais escuros. Além disso, eles têm em alguma parte dos seus corpos a Marca do Mago, que pode ser identificada por qualquer símbolo

Nossa protagonista é uma Marcada que acaba de fugir de uma instituição para onde indivíduos como ela são levados. Ela assumiu a identidade de Natasha Kestal e começou a trabalhar como crupiê de vinte e um, num dos maiores cassinos de Nova Vegas. A tecnologia permitiu que ela encontrasse lentes para disfarçar a cor de seus olhos e fosse inserida no registro da cidade, como uma cidadã legítima. Natasha segue sua vida, mas o desejo de partir dali é tremendo.

Assim como todos, Nat ouviu falar do Azul, um lugar onde o gelo não chegou, em que as águas do oceano são límpidas e a comida é abundante. Muitos desesperados já tentaram chegar à região, mas ninguém teve sorte. Só que Nat não é uma desesperada qualquer, por acaso ela tem um mapa que pode levá-la para o Azul, mas precisa de um Atravessador de confiança para ajudá-la nessa empreitada, já que sair de Nova Vegas é mais complicado do que parece.

E é aí que o caminho de Nat se cruza com o de Ryan Wesson. Aos dezesseis anos, Wes é um ex-militar que tenta encontrar empregos para conseguir um bom dinheiro para alimentar a si e aos seus amigos. A grana que Nat está oferecendo é enorme e o garoto está determinado a tentar roubá-la, sem cumprir a sua parte do acordo. Só que tudo muda quando ele conhece a garota pessoalmente.

Agora, Wes e seus amigos precisarão enfrentar os perigos de fora das cercas de Nova Vegas para ajudar Nat em sua missão, enquanto a jovem precisará esconder deles que é uma Marcada, para não colocar tudo a perder. O problema é que um sentimento está despertando entre ela e Wes e essa relação dos dois pode tornar a partida dela cada vez mais difícil.

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

***

Quando a Bertrand Brasil anunciou o lançamento desse livro aqui no Brasil, fiquei imediatamente animado. Após ler a sinopse e ver quem eram os autores, percebi que a história tinha de tudo para ser do meu agrado. Morria de curiosidade acerca da escrita de Melissa De La Cruz, que é bastante conhecida pelas suas séries "Blue Bloods" e "As Feiticeiras de East End", publicadas pela falecida Editora iD. Então nem preciso dizer que as minhas expectativas estavam bem altas e que quebrei a cara, preciso?

A começar pelo fato de que a escrita dos dois autores (que são marido e mulher) não combina muito. Levei quase dois dias inteiros para ler as cem primeiras páginas e várias vezes pensei em abandonar a obra. Não consegui me prender à trama ou me conectar aos personagens, então foi bastante maçante tentar entender todos os elementos que eles apresentaram.

Falando nisso, acho que esse foi outro motivo para eu não ter gostado do texto. Michael e Melissa inseriram muitos componentes fantásticos no enredo, sobrecarregando o leitor enquanto tentavam explicar tudo, muitas vezes se perdendo e não conseguindo. Não bastasse a distopia do mundo de gelo em si, eles apostaram em mitologias, doenças, poderes sobrenaturais e criaturas sombrias. Acho que só a distopia em si, com toda questão acerca do Azul, já renderia uma boa narrativa.

Frozen é narrado em terceira pessoa, alternando as visões de Nat e Wes a cada capítulo. Como disse acima, não consegui criar conexão com os personagens e tampouco me sentir à vontade com seu romance que iniciou de uma forma totalmente rudimentar e não me convenceu. 

Natasha faz todo o perfil "sou uma vítima da sociedade porque nasci diferente", enquanto podia usar seus dons como forma de ser mais valente. Já Wes é aquele tipo "sou o herói das mocinhas, abram alas que eu quero passar", mas não sendo arrogante e sim abusando da falsa modéstia. Admito que várias vezes senti vontade de jogar os dois nas águas pretas e lodosas do Pacífico e deixar o livro acabar.

O único personagem secundário que chamou minha atenção foi Shakes. Ele faz parte da equipe de Wes e é um amor de pessoa. Verdadeiramente leal aos amigos, gentil e com uma história de vida tocante, Shakes roubou a cena. Acho que se ele fosse o protagonista, o contexto teria muito mais profundidade. 

Quanto ao desfecho foi interessante, mas mal desenvolvido. Achei que os autores se perderam novamente a desenvolver o clímax. Aliás, todas as partes do exemplar onde uma confusão começava, Johnston e Cruz pareciam preferir deixar os protagonistas escaparem de uma forma ridícula apenas por preguiça de pensar em algo mais elaborado. Só que no final não dava para engolir "mais isso". Caramba, Frozen é o primeiro volume de uma série. Se terminou assim, o que será dos próximos?

A edição física está bem trabalhada. A capa é linda e um grande atrativo. O que me incomodou foram as páginas brancas e a revisão, que deixou bastante a desejar. Encontrei muitos erros bobos enquanto lia, o que me deixou ainda mais decepcionado. A fonte é grande, o espaçamento é bom e a diagramação é simples, contando apenas com o desenho de um dragão circulando o número de cada capítulo.

Frozen foi pra mim uma grande decepção, mas como gosto é gosto, talvez vocês que já conhecem o trabalho de Melissa ou gostem desse tipo de história, aproveitem essa nova obra mais do que eu. Por isso, deixo aqui a recomendação, mas preparem-se para o que está por vir... 

Frozen: Mundo de Gelo, Coração de Fogo - Melissa De La Cruz & Michael Johnston
Livro 01
Série Heart of Dread
Editora Bertrand Brasil
308 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 2

5 comentários

  1. Oi Leonardo.
    Já conhecia o livro, porém a premissa não me chama a atenção. E agora lendo sua resenha, que por sinal está perfeita, fiquei certa de que não será uma leitura tão agradável assim. Com esses pontos negativos que você citou, principalmente no desfecho, é muito decepcionante e não motiva a leitura. Agradeço sua resenha sincera! Abraços.

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  2. Oi Leonardo!

    Eu não conhecia o livro e quando comecei a ler sua resenha, fiquei curiosa... mas, quando chegou na parte dos pormenores, comecei a desistir de lê-lo! rsrsrsrsrs Não sou acostumada a ler livro escrito por dois autores, li alguns sim, mas foram poucos que realmente gostei.
    Concordo com vc, onde vc diz que só por ser um distopia o livro poderia ter sido melhor, sem ter muitos elementos que sobrecarreguem a leitura.

    Enfim, ótima resenha, uma pena que o livro deixe a desejar!

    Bjo bjo^^

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  3. A primeira vez que vi este livro eu achei que era sobre Frozen o desenho, mais me enganei.
    Eu gosto de distopias então com certeza eu daria uma chance para este livro.

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  4. Distopias não é a muito a minha praia.
    O livro até que é legal, mas ler um gênero que não gosto muito não está nos meus planos, ainda mais por estar sem tempo.
    Prefiro deixar pra quem curte realmente o gênero, o que não é o meu caso.

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  5. Oi tudo bem..
    J havia lido a sinopse do livro e não tinha me agradado ,mas não tinha lido nenhuma resenha ate agora,e honestamente com todos os pontos desfavoráveis do livro com certeza não é um livro que eu leria,então eu passo a dica.
    um abraço e muito sucesso :)

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