Resenha - A Caçadora de Bruxos

Sinopse: "Na Ânglia do século XVI, a prática da magia é ilegal e infratores são queimados nas fogueiras. Elizabeth Grey é uma das melhores caçadoras de bruxos do rei: ela localiza e captura Reformistas, rebeldes suspeitos de praticar feitiçaria para que sejam julgados e executados, conforme manda a lei. Até que, inexplicavelmente, ela é incriminada e acaba presa sob a acusação de praticar a arte que se dedicou a erradicar. A salvação, no entanto, acaba vindo na forma de seu maior inimigo: Nicholas Perevil, o mago mais poderoso e procurado de Ânglia. À medida que Elizabeth se associa aos Reformistas, suas crenças sobre a legitimidade da proibição da magia são profundamente abaladas. Ela se vê em meio a uma contenda política de proporções épicas e percebe que seus antigos aliados agora são seus inimigos mortais. Será que Elizabeth está pronta para decidir de qual lado está sua lealdade, afinal de contas?"
Antigamente, a magia era considerada útil e muitos se beneficiavam de seu poder. Porém, após um mago ter causado a Peste, que matou muitas pessoas, ela foi proibida no reino de Ânglia. A partir de então, por conta de leis extremamente severas, qualquer um que fosse pego praticando bruxaria seria queimado em praça pública. Como medida de proteção contra os perigos causados por tais encantamentos, Blackwell, o inquisidor do reino, foi designado a treinar jovens para se tornarem Caçadores de Bruxos.

Elizabeth perdeu os pais para a Peste e foi viver no castelo, trabalhando como auxiliar nas cozinhas. Lá ela conheceu Caleb, um aspirante a Caçador, que se tornou o seu melhor amigo e a convenceu a tentar ser uma Caçadora também. Juntos, os dois passaram por todos os testes necessários e se destacaram como os melhores da equipe.

Certo dia, Elizabeth descumpre uma das maiores regras concernentes aos Caçadores: ao invés de capturar um mago com vida, como deveria, ela acaba o matando. De início, Elizabeth consegue esconder os vestígios dessa fatalidade, mas a mentira sempre tem perna curta. Em certa ocasião, depois de beber demais, a jovem tenta voltar sorrateiramente para o castelo, mas acaba deixando cair algumas ervas proibidas no chão, que não poderiam estar em sua posse e, por isso, é acusada de ser feiticeira.

Logo Elizabeth se vê presa, prestes a enfrentar o destino que deu a inúmeras pessoas quando era Caçadora: a fogueira. Ela pega uma forte febre e conforme o tempo vai passando, vai perdendo as esperanças de que será inocentada ou de que Caleb a resgate. Elizabeth está aceitando a ideia da morte quando a última pessoa que ela esperava ver aparece para salvá-la.

Nicholas Perevil é o mago mais temido de toda Ânglia. Seus feitos são conhecidos por todos e o prêmio por sua captura seria a glória eterna. Ele é o líder dos Reformistas, um grupo de rebeldes que não aceita a proibição da magia e que quer trazê-la de volta, para o bem da população. Em troca de sua soltura, Nicholas quer que Elizabeth cumpra uma missão, em prol dos Reformistas.

Sem alternativas, Elizabeth acaba aceitando ajudar Nicholas em tudo aquilo pelo qual sempre lutou contra. Só que, na medida em que vai ficando mais tempo ao lado dos rebeldes, mais suas crenças acerca do que é certo vão se abalando. Aos poucos, Elizabeth vai fazendo descobertas que podem mudar o mundo e começa a se perguntar se estava realmente do lado certo dessa guerra antes.

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

***

A primeira vez que ouvi falar de A Caçadora de Bruxos foi quando ele foi lançado lá fora, sob um enorme hype. Com diversas comparações e notas altíssimas no Goodreads, a obra logo teve seus direitos de publicação comprados pela Galera Record aqui no Brasil e fiquei extremamente empolgado, tanto que solicitei meu exemplar sem nem saber ao certo do que a história se tratava. Quando ele chegou aqui em casa e resolvi ler a sinopse, o medo bateu. A Caçadora de Bruxos saía totalmente da minha zona de conforto e eu não sabia bem o que esperar.

Posso começar dizendo que a escrita de Virginia Boecker é bastante fluida, mas demorei para conseguir me conectar à trama. Por conta disso, a leitura tardou a avançar e passei quase uma semana com o volume na minha cabeceira. Após um mês, onde li 18 livros, empacar no sexto foi algo que me frustrou bastante e isso pode ter me influenciado a não gostar tanto assim da narrativa.

Com tantos títulos sendo publicados diariamente, encontrar um que seja 100% original está cada vez mais complicado. A ideia de Boecker é boa, só que a autora não conseguiu escapar do clichê e da previsibilidade. O cenário e a temática do enredo até  podem ser diferentes, mas todos os elementos encontrados em praticamente todos os YA estão aqui presentes, desde o triângulo amoroso até uma protagonista destinada a mudar o mundo. Gente, chega disso.

Narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva de Elizabeth, somos apresentados a uma menina que dá indícios de ser inocente, mas conforme vamos conhecendo-a, percebemos que sua virtuosidade não existe há muito tempo. Ela é forte e corajosa, mas em muitos momentos me irritou com sua vontade de querer fazer tudo sem ajuda e acabar se ferrando por causa disso. Por outro lado, a equipe de magos de Nicholas só me agradou. Eles mostraram o lado bom da magia para Elizabeth e criaram um laço com a garota, uma amizade que deve superar as crenças.

O final foi bastante interessante. A autora deixou um gancho para a continuação, mas já dá para saber bem o que esperar da sequência, pela forma como os acontecimentos evoluíram. Devo confessar que não estou muito empolgado pelo que está por vir, mas não posso afirmar com toda certeza que não leria o restante da série.

Sobre a edição física, não há muito o que comentar. A capa é uma adaptação da original e mesmo sendo simples, é bem bonita. A diagramação não conta com muitos detalhes, as páginas são amareladas e a fonte é grande. A revisão está ótima. Encontrei alguns poucos erros enquanto lia, mas nada demais. 

A Caçadora de Bruxos é um livro bom, mas faltou algo para ser excepcional e me conquistar. Entretanto, deixo aqui a minha recomendação. Pode ser que vocês gostem mais do que eu, pois o contexto tem potencial para agradar àqueles leitores menos exigentes que buscam uma leitura despretensiosa.

A Caçadora de Bruxos - Virgina Boecker
Livro 01
Série Witch Hunter
Editora Galera Record
308 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 3

4 comentários

  1. Oi Leonardo!

    Eu fiquei bem curiosa com o enredo qdo vi a capa e sinopse. Uma pena não ter te agradado tanto, mas como sou apaixonada por fantasia, quero muito lê-lo mesmo assim!

    Ótima resenha! Bjo bjo^^

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  2. Eu gosto deste tipo de leitura então já adicionei o livro na lista de desejados, quem sabe um dia eu leia.

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  3. Oi Leonardo!
    Ótima resenha, muito bem elaborada e sincera. Apesar de gostar da premissa desse livro, não sei se um dia irei ler. Talvez, por curiosidade. Por todos os pontos negativos que você citou, não fiquei muito animada com a leitura. Mas quem sabe. Obrigada . Beijos.

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  4. Oi tudo bem..
    Ja tinha lido umas resenhas sobre o livro e em algumas tem alguns pontos negativos ,assim como pra vc tb teve,nao gosto muito de livros com triângulo amoroso e esses clichês que a maioria dos autores sempre colocam nos livros ficam chatos quando a historia não te surpreende,não sei se leria a serie..Alias ótima resenha.
    Um abraço e muito sucesso :)

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