Especial Pax - Resenha - Dia 1

Sinopse: "Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas. Alternando perspectivas para mostrar os caminhos paralelos dos dois personagens centrais, Pax expõe o desenvolvimento do menino em sua tentativa de enfrentar a ferocidade herdada pelo pai, enquanto a raposa, domesticada, segue o caminho contrário, de explorar sua natureza selvagem. Um romance atemporal e para todas as idades, que aborda relações familiares, a relação do homem com o ambiente e os perigos que carregamos dentro de nós mesmos. Pax emociona o leitor desde a primeira página. Um mundo repleto de sentimentos em que natureza e humanidade se encontram numa história que celebra a lealdade e o amor. Best-seller do The New York Times, Pax estreou em segundo lugar na lista já na primeira semana após seu lançamento. Pax teve os direitos de tradução vendidos para mais de dez países e os direitos de adaptação para o cinema foram adquiridos pela Sidney Kimmel Entertainment.Jon Klassen, responsável pelas belas ilustrações do livro, é autor best-seller do The New York Times e ilustrador de diversos livros, entre eles Quero meu chapéu de volta e Este chapéu não é meu, que lhe rendeu a Caldecott Medal."
Peter era um menino muito solitário. Desde a morte precoce da mãe, se viu à mercê de um pai violento e tirânico que contribuía para aflorar a raiva que sentia dentro do peito. Mas tudo melhorou quando Peter encontrou Pax - uma raposa-vermelha ainda filhote. Ela era a única sobrevivente de sua ninhada e o garoto sabia que não podia deixá-la sozinha. Desde então, Peter e Pax se tornaram um só. Pax adorava o seu humano e ficava ansioso para que Peter voltasse do colégio para brincarem juntos.

Porém, naquele dia as coisas estavam diferentes. Peter chorava silenciosamente, deixando Pax apreensivo. Será que Peter estava machucado? Como ele podia ajudar? A guerra estava se aproximando e o pai de Peter ia se alistar, portando, o jovem havia sido obrigado a ir morar com o avô, e Pax não poderia ir junto.

No meio do caminho, o pai de Peter parou o carro e a criança jogou no mato o soldadinho de plástico, o brinquedo favorito de Pax, para que ele corresse ao encontro para achar, como faziam, habitualmente. Peter jogava, Pax encontrava e trazia de volta até tudo recomeçar. Contudo, ao retornar para onde o veículo tinha estacionado, a raposa presenciou a cena mais triste de toda a sua vida, Peter e seu pai seguiam viagem e, com isso, se deu conta de que havia sido deixada para trás.

Em um primeiro momento, Pax tinha certeza de que Peter o buscaria, mas quando os dias foram passando e o animal teve que enfrentar o frio, a chuva e a fome intensa, percebeu que teria que dar um jeito de sobreviver e voltar ele mesmo para casa.

Peter, por sua vez, entendeu o tamanho do erro que cometeu e decidiu voltar para recuperar Pax. Na noite em que fugiu da casa do avô, com o mínimo necessário para iniciar uma jornada de quinhentos quilômetros até o local onde havia abandonado Pax, Peter quebrou o pé e foi parar na residência de Vola, uma ex-soldada de uma perna só, traumatizada pelos horrores que já tinha enfrentado nos campos de batalha.

Vola ajudou o menino a se recuperar e ficar forte para continuar com sua missão. Enquanto isso, Pax encarava desafios mortais em um ambiente inóspito totalmente estranho a ele. Será que Peter conseguirá domar seu lado selvagem e finalmente fazer o que é certo, sem se importar com o que os outros pensam? E será que depois de anos domesticada, a raposinha descobrirá o prazer que é ser livre?

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Decidi ler Pax por pura curiosidade, já que não parava de ouvir a Editora Intrínseca falando nele. Por mais que eu ame livros infanto juvenis, incomumente Pax não me chamou atenção, nem pela capa, muito menos pela sinopse, mas ah, como fiquei feliz de ter dado uma chance a ele, já que com certeza entrou para a minha lista de favoritos do ano!

Narrado em terceira pessoa, em capítulos intercalados, Peter e Pax ilustram perfeitamente a dualidade dos nossos sentimentos, já que constantemente somos levados a domesticar o nosso lado selvagem para podermos conviver em sociedade. Peter foi oprimido a vida toda pelo pai e era alvo de suas explosões de raiva. Por ter muito medo de se tornar igual a ele, reprimiu suas vontades até se anular por completo. Pax nunca soube o que era ser livre e nunca sentiu falta do seu lado animal, afinal, tinha tudo o que precisava: seu humano, um canto para dormir, petiscos e manteiga de amendoim, que tanto gostava. Na jornada que ambos travam, experienciam situações completamente adversas.

Peter precisa se conectar com o seu eu interior e descobrir a força que tem dentro de si. Pax, por sua vez, resgata seus instintos perdidos e percebe que está onde sempre deveria ter estado. O crescimento dos nossos protagonistas não seria possível sem a ajuda de personagens fundamentais, como Vola, a ex-combatente; Arrepiada e Miúdo, duas outras raposinhas.

Está sendo muito difícil colocar em palavras tudo o que a obra me evocou, mas seu grande diferencial, na minha opinião, se deu pela escrita da autora no momento em que ela deu voz a Pax. Fiquei chocada com o quão bem Sara conseguiu se colocar na pele dos animais, traduzindo seus medos, anseios, desejos e esperanças. O mais legal de tudo é que a autora escreveu diálogos entre os bichos, permitindo que compreendêssemos a vida que eles levavam, e descreveu perfeitamente seu habitat, a ponto de nos sentirmos teletransportados para as florestas que passam a ser destruídas pelo homem.

Quando cheguei ao final, me deu um aperto no coração, pois não queria me despedir de Peter, Pax e dos outros personagens. Não aconteceu o que eu imaginei, mas mesmo assim fiquei satisfeita com o desfecho que está cheio de significados. 

Este foi o meu ponto de vista sobre Pax. Tenho certeza de que cada um que o ler irá encontrar coisas diferentes e talvez não o enxergue do mesmo modo que eu, afinal, é isto o que acontece quando nos deparamos com tramas ricas que revelam mensagens diversas a cada leitor de acordo com as bagagens que carregamos.

Pax é uma história forte e tocante, porém contada de modo delicado e quase poético. Suas ilustrações são belíssimas e traz em seu contexto temas que precisam ser discutidos e refletidos, justamente por isso não posso me limitar a falar sobre ele em um só post. Sendo assim, convido vocês a participarem da Semana Especial que está começando hoje. Aguardo vocês para conversarmos melhor a respeito de todos os elementos trabalhados em Pax.

Até amanhã!

Pax - Sara Pennypacker
Editora Intrínseca
288 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 5

7 comentários

  1. Esse livro não tinha chamado minha atenção, mas agora lendo sua resenha fiquei super curiosa para saber como está história termina.

    Blog Profano Feminino

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  2. Oi Mirelle!

    Ai!!! Que livro lindo! Fiquei encantada, sério!
    Mesmo não sendo muito fã de livro juvenis, fiquei encantada com a história de Pax! Parabéns pela resenha, me deixou muito curiosa!

    Bjo bjo^^

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  3. Tenho visto várias resenhas sobre o livro, mas até agora não rolou química. Acho que não estou num bom momento para ler livros assim :(

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  4. Desde a primeira vez que li algo a respeito deste livro ele me chamou atenção, parece ser uma história triste e emocionante, com certeza estou ansiosa para ler.

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  5. Oi.
    Quando começou a divulgação desse livro, já me apaixonei. Quero muito ler, apesar de saber que lágrimas me acompanharão na leitura, pois sou muito emotiva, ainda mais com histórias onde há animais como personagens. Mas lendo sua bonita resenha, confirmei que é uma bela história e com uma mensagem muito significativa. Com certeza uma ótima dica! Beijos.

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  6. Oi tudo bem..
    nossa tenho lido muitos comentarios maravilhosos sobre o livro,e realmente a premissa do livro e maravilhosa assim como a capa,falar de coisa tao dificil hj em dia que a cumplicidade,a amizade verdadeira,principalmente entre um ser humano e um animal que hj em dia temos visto muito fatos de maltratos contra os animais ,adoro livro com ilustraçoes e bom saber um pouco o que se passa na cabeça dos animais.
    Um abraço e muito sucesso :)

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  7. Eu achei essa capa lin-da. Não só a capa né, andei pesquisando os desenhos e gostei muito da arte do Jon Klassen. Pena que com a história não foi o mesmo. Não me chamou muita a atenção, tipo, é uma premissa legal um garoto que vai em busca do que ele ama, mas não sei, não me parece que seja fácil se adaptar a essa leitura (ou talvez eu só não esteja no momento de ler livros assim).
    Bjs gente ^^

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