Especial Pax - Dois, mas não dois - Dia 3

E aí pessoal, sejam todos bem-vindos a mais um post da Semana Especial Pax. Peço desculpas pela demora com a qual os tenho escrito, mas a minha pequena não tem me dado folga.. kkk

Para quem tem nos acompanhado, sabem que já postei a resenha de Pax e falei brevemente do livro, já comentei acerca da relação de amizade entre a raposa e seu humano, e hoje vamos conversar um pouco mais sobre os ensinamentos contidos na obra.

Uma das coisas que mais me chamou atenção foi o fato de Sara ter inserido em seu texto a ideia budista do "dois, mas não dois", remetendo a não dualidade existente no mundo e, se formos analisar, esse conceito acaba por permear toda a estrutura do seu enredo.

Para quem não tem familiaridade com a filosofia budista, para Buda, tudo na vida é relativo e interdependente. Ele não acredita na existência do Eu. De acordo com Buda, a individualidade reforça o egocentrismo e os sentimentos de apego, dando ensejo às disputas de posse e às atitudes mais mesquinhas.

Quando pensamos só na gente e no "queremos ter ou ser", ou no que nos faz falta, não vivemos de maneira plena, pois damos abertura para sentir raiva e frustração. Do mesmo modo, não ligamos para as consequências que as nossas atitudes vão gerar, e é aqui que entra a premissa do "dois, mas não dois".

Peter e Pax são dois personagens diferentes, de espécies distintas, com dilemas diversos. Peter perdeu sua mãe muito cedo, assim como Pax, mas guarda muita raiva no coração, ao contrário do amigo. Peter tem problemas de relacionamento com o pai e morre de medo de ficar igual a ele e o culpa tremendamente por tê-lo obrigado a devolver Pax à natureza. Em resumo, o garoto levava seus dias desconectado de tudo que o cercava, e tinha o hábito de deixar que os outros decidissem por si.

Pax não. Por mais domesticado e dependente que fosse, a raposa sempre se sentiu como uma extensão de Peter e, quando voltou para a floresta, rapidamente percebeu o seu lugar e como tudo funcionava de maneira interligada, porque, afinal, todos somos um só, todos fazemos parte de uma mesma alma, uma mesma consciência, e todas as nossas ações são capazes de gerarem reações até onde mesmo nem imaginamos. Como já dizia Sara, não é porque não está acontecendo aqui que não está acontecendo.

Quando Peter e Pax se separaram, o menino sofreu por ficar longe do melhor amigo, mas foi só quando se colocou na pele da raposa é que se deu conta do erro que cometeu e do quanto sua negligência poderia cobrar um preço alto.

A partir daí, presenciamos uma linda virada na trama. Peter cresce como protagonista pelo simples fato de querer fazer o que é certo, não o certo para ele, mas o certo, simplesmente, e isso o deixou livre, e não há nada mais poderoso do que o sentimento de liberdade. A liberdade nos traz paz de espírito, e a paz de espírito nos concede a sabedoria da qual precisamos para sabermos o que devemos de fato fazer.

E para quem não sabe, Pax significa paz, um nome muito apropriado para esta trama, dado de maneira proposital, levando em conta todos os elementos trabalhados pela a autora em cada página.

Bom, estamos na metade da Semana Especial e vocês já se deram conta de quão mágico Pax é, né? Mas amanhã tem mais, porque quero aproveitar o gancho desse assunto para falarmos sobre os infortúnios trazidos pelas guerras.

Não percam.

5 comentários

  1. Oi Mirelle!

    Eu não sabia sobre sobre a filosofia Buda e gostei do modo que, aparentemente, o conceito foi inserido no livro. Estou bem curiosa para conferir essa obra.
    Parabéns pelo post!

    Bjo bjo^^

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  2. Eu não conhecia muito sobre a cultura budista, obrigado por trazer para a gente um pouco desta cultura no post.
    Estou adorando esta semana de post deste livro e cada dia fico com mais vontade de ler.

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  3. Que lindo esse post! Adorei saber mais do livro e essa informação da filosofia Budista. Cada dia estou mais curiosa para fazer essa leitura. Sei que vou me apaixonar pelos personagens. Beijos!

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  4. Adorei o post e de ler sobre essa cultura. Adoro livros que nos apresentam mundos tão diferentes do nosso

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  5. Oi tudo bem..
    Tô adorando o especial de pax ,mas esse ate agora foi o melhor,nao conhecia nada relacionado a buda e honestamente o pensamento dele se todos os seres humanos se dispusessem a ter pelo menos um pouco podia ser que o mundo nao fosse tao individualista,e adorei saber que Pax significa PAZ,adorei a resenha.
    Um abraço e muito sucesso :)

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