Resenha - Silêncio

Sinopse: "Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis. O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas. Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração."
Há muitos anos, um vilarejo se formou no alto da montanha, guarnecido por uma mina rica em metais e um vale fértil, que os permitia viver em perfeita harmonia. Porém, com o passar do tempo, ocorreu um deslizamento de terra que os deixou isolados e sem acesso às regiões de plantio. Aos poucos, todos os habitantes foram perdendo a sua audição e o local caiu no mais profundo silêncio.

Sem ter como produzir o próprio alimento, o lugarejo desenvolveu um esquema de permutas com os habitantes de um povoado localizado ao pé da montanha, através de um sistema de cabos. Eles mandavam os minérios garimpados e, em troca, recebiam uma quantia razoável de comida. Não era o suficiente para todos se banquetearem todos os dias, mas ninguém passava fome.

Todavia, para piorar a situação, alguns casos de cegueira começaram a aparecer entre os trabalhadores das minas e o desespero passou a rondar todos que por lá moravam. Fei é uma artista e faz parte da elite da comunidade por sua função. Ao lado dos outros aprendizes dos anciões, a jovem pinta os últimos fatos que aconteceram ali. Como todos são surdos, esse é o modo de comunicação mais simples que encontraram para relatar os eventos sucedidos aos outros habitantes da vila, de forma que todos fiquem cientes de sua história. Quando a irmã de Fei, Zhiang Jing, começa a apresentar sinais de perda da visão, a jovem fará de tudo para protegê-la, até mesmo quebrar algumas regras se for preciso.

Certa noite, durante um sonho, Fei tem a impressão de que a estão chamando e, quando acorda, algo inacreditável acontece. À principio ela não entende, mas aos poucos vai percebendo que a sua audição retornou. Como isso é possível? Depois de tantas gerações, por que justo ela voltou a ouvir? Fei precisa lidar com isso, mas quando os anciões descobrem sobre os problemas de visão de Zhiang Jing e ela perde seu posto de aprendiz, a menina percebe que precisa colocar a segurança da irmã acima de tudo e essa sua nova descoberta pode ajudá-la.

Li Wei e Fei têm um passado em comum, mas desde que a garota aceitou o posto de aprendiz no Paço do Pavão, os dois precisaram se afastar. Por serem de classes diferentes - ele um trabalhador das minas e ela uma artista - não podem se relacionar. Porém, após o pai de Li Wei morrer em um acidente nas minas, o rapaz está determinado a descer a montanha para conversar com o povo que lhes fornece as provisões. A quantidade de minério produzida deveria lhes garantir muito alimento, mas os carregamentos estão vindo cada vez mais escassos.

Determinada a salvar a irmã, Fei se oferece para descer a montanha com Li Wei. A descida é íngreme e propensa a deslizamentos. Só que agora que Fei pode ouvir, também pode alertar o companheiro caso um desmoronamento aconteça. Então, juntos, os dois iniciam a descida, que pode mudar suas vidas para sempre.

Chegando ao pé da montanha, Fei e Li Wei encontram o Guardião dos cabos e percebem que tem algo de muito errado acontecendo ali. E é a partir daí que eles resolvem adentrar a cidade e descobrir a verdade por trás desse mistério, que poderá ser muito difícil de se encontrar e igualmente perigosa.

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

***

Me apaixonei pela escrita de Richelle Mead quando li Vampire Academy e, desde então, tenho vontade de ler tudo o que ela publica. Então, quando a Galera anunciou que lançaria Silêncio aqui no Brasil, imediatamente coloquei o livro na lista de desejados. No Mochilão fiquei sabendo mais um pouco sobre o que falava a história e, apesar de ter ficado curioso, também me mantive com um pé atrás acerca do que encontraria aqui.

A escrita de Richelle é leve, fluida e envolvente. A autora desenvolveu toda uma mitologia ao redor da trama e ainda abordou traços da cultura asiática, que despertaram a minha curiosidade, já que não costumo ler muitos exemplares que retratam essa temática. Somando todos os esses elementos positivos, concluí a leitura bem rápido e gostei do que encontrei, mas com algumas pequenas ressalvas.

O meu problema principal se deu pela falta de ação. Esperava muito mais de Mead, tendo em vista os perigos enfrentados pelos personagens em sua jornada, mas não foi o que aconteceu e, a falta de emoção e adrenalina no texto pode vir a incomodar alguns leitores, como aconteceu comigo.


Narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva de Fei, conhecemos mais uma garota que entrou para a minha lista de protagonistas por quem desenvolvi uma relação de amor e ódio. A jovem artista é bastante centrada e leal à família, mas também boba e irritante demais. Muitas vezes quis adentrar as páginas para lhe dar uns bons tapas, para ver se acordava para vida e deixava de ser tão sonsa. Ela é aquele tipo de pessoa que respeita todas as regras e acredita em tudo o que lhe dizem, como se não fosse capaz de formar a sua própria opinião.

Li Wei é diferente. Ele não é o tipo de mocinho que me chama atenção, mas consegui gostar dele logo de cara. O passado que ele tem em comum com Fei lhe deixou muitas cicatrizes, mas mesmo assim ele está disposto a ajudá-la a alcançar o seu objetivo. Além disso, Li Wei é sempre gentil e atencioso, um verdadeiro príncipe, e também dá umas lições de realidade em Fei, o que me fez gostar ainda mais dele.

Quanto ao final, também me decepcionei um pouco. Quando Richelle começou a construir o clímax, percebi onde ela queria chegar e achei que finalmente encontraria a ação que esperava, mas mais uma vez não fui agraciado com ela. Para não dizer outra coisa, digamos que o desfecho foi simples e previsível, além de um tanto monótono. Esperava bem mais, novamente. Apesar de todas as pontas terem sido amarradas, penso que existe margem para uma continuação se a autora quiser investir, mas, à princípio, Silêncio é um volume único, o que deve agradar àqueles que não são fãs de séries longas. 

A edição física está bem trabalhada. A capa é uma adaptação da original e representa bem o assunto da obra, mas não é algo que chame a minha atenção, pois não consigo ac-la bonita. As páginas são amareladas, a fonte é grande e o espaçamento é bom. A revisão deixou um pouco a desejar, já que encontrei alguns errinhos, como letras a mais ou faltando e vírgulas fora do lugar, mas nada que prejudique a leitura.

Silêncio é um livro bom e eu recomendo sim a leitura, mas não esperem nada além de uma narrativa de entretenimento. Por todo apreço que nutro por Richelle, peço que deem uma chance e talvez vocês se surpreendam e gostem mais do que eu. 

Silêncio - Richelle Mead
Editora Galera Record
280 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 3.5

3 comentários

  1. Quero muito ler este livro, nunca li nada da autora e sempre vejo o pessoal falando bem.

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  2. Oi Leonardo!

    Sou fã da Richelle por Causa da série Academia de Vampiros, mas depois dessa, nunca mais li nada da autora... sei lá, tenho medo de perder o encanto sabe? rsrsrsrsrs

    Enfim, uma pena o livro não ser tão bom qto eu esperava, mesmo assim, quero dar uma chance a ele e a outras obras da autora!

    Bjo bjo^^

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  3. Oi Leonardo, tudo bem?
    Comecei a leitura sem criar muitas expectativas, e em alguns momentos até me empolguei com a leitura, mais precisamente na segunda metade do livro, quando o texto tomou um ritmo mais acelerado e começamos, aos poucos, a ter algumas respostas sobre os mistérios acerca do povoado e sua história. Mas, não passou disso: o livro tinha uma proposta muito boa e nova, porém a autora não conseguiu, infelizmente, desenvolver muito bem essas peculiaridades.
    Outro aspecto que eu não curti muito no livro foi que a autora demorou muito para deslanchar a história: a ambientação foi lenta, focando sempre nas mesmas coisas.
    Assim como a questão dos elementos fantásticos foi pouco explorada, senti falta de um desenvolvimento melhor de outra coisa da qual a autora se propôs a falar: a cultura chinesa. Novamente, ela só mostrou superficialmente, mas não aprofundou muito. Porém o que mais me decepcionou foi: Richelle criou uma protagonista surda, que tinha tudo para evoluir e se tornar uma heroína badass, ela criou um livro que poderia se destacar e exaltar a diversidade e deficiência, mostrando como nada disso impediria a personagem de embarcar em uma aventura memorável e ter uma vida muito boa. Mas ao invés disso, ela meio que “cura” a protagonista indicando que uma personagem com deficiência não conseguisse sustentar uma aventura YA.
    Eu mudaria os aspectos negativos que citei acima, mas não nego que o livro tem um bom conteúdo a oferecer.
    Beijos!

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