Resenha - A Geografia de nós dois

Sinopse: "Lucy mora no vigésimo quarto andar. Owen, no subsolo... E é a meio caminho que ambos se encontram - presos em um elevador, entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está às escuras graças a um blecaute. E entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões, eles descobrem muitas coisas em comum. Mas logo a geografia os separa. E somos convidados a refletir... Onde mora o amor? E pode esse sentimento resistir à distância? Em A Geografia de Nós Dois, Jennifer E. Smith cria tramas cheias de experiências, filosofia e verdade."
Lucy tem dezesseis anos e está sozinha em casa. Seus irmãos foram para a faculdade e os pais estão viajando, como fazem desde sempre. Eles nunca a convidaram para ir junto, só mandam cartões postais dos lugares que visitam com aquela frase clichê "queria que você estivesse aqui".

Certo dia, o caminho da menina cruza com o de Owen no elevador. Ela já tinha o visto pelo prédio, quando ele se mudou algumas semanas antes com o pai, que assumiria um cargo de administrador no local, mas eles nunca haviam conversado. Contudo, quando um blecaute atinge toda Nova Iorque, os dois ficam presos no cubículo de metal e não veem alternativa senão puxar papo. Logo percebem que, apesar das diferenças, têm muito em comum.

Quando o apagão aconteceu, o pai de Owen tinha saído para ir ao local onde conheceu a falecida esposa anos antes, enquanto Owen estava subindo para o terraço, lugar onde se sente livre. Lucy havia descido para checar se havia correspondência de seus pais, mas frustrou-se quando não encontrou nada e seguiu para o seu apartamento no 24º andar. Logo que os dois são resgatados, a conexão criada se quebra e cada um vai para um lado. Até que Owen percebe que não quer ficar sozinho, assim como Lucy, e os dois vão juntos ao apartamento dela.

Nova Iorque está um caos. O calor é tremendo e sem as luzes características da cidade, parecem estar em outro universo. Owen tem a ideia de subir para o terraço com Lucy para fazerem um piquenique e passarem o tempo, compartilhando mais sobre as suas vidas e seus sonhos. Owen está preocupado com o pai, que está do outro lado da cidade e sem ter como voltar, já que sem luz o metrô não funciona, mas Lucy o faz se sentir melhor e os dois acabam adormecendo lado a lado.

Na manhã seguinte, Lucy acorda e não encontra Owen. Ela volta para o apartamento e tenta não pensar no que aconteceu para o garoto ter ido embora, durante o tempo em que espera a luz retornar. Quando isso acontece, os pais dela ligam avisando que compraram uma passagem para ela ir encontrá-los em Londres, pois estão muito preocupados com os últimos acontecimentos. Lucy procura sinais de Owen pelo prédio antes de partir, mas não consegue encontrá-lo.

Em Londres, Lucy compra um cartão postal para Owen, com aquela mesma frase clichê, mas realmente desejando que ele estivesse lá. Em um de seus passeios por Nova Iorque com o pai, Owen faz o mesmo e também o envia para a vizinha, provando que o que aconteceu naquela noite havia sido verdadeiro. Na real, ele só foi embora porque queria ver se o pai havia retornado e o encontrou adoecido no chão de casa, por isso sumiu, já que precisava cuidar dele.

Porém, esse foi apenas o primeiro desencontro dos dois. Logo Lucy descobre que se mudará com a família para a Escócia e quando o pai de Owen é demitido, o menino também será obrigado a ir para outro lugar. Os dois mantém contato através dos cartões postais que Owen manda de cada lugar pelo qual passa na viagem com o pai e dos e-mails que Lucy envia. Mas será essa relação capaz de resistir à distância?

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

***

Tenho curiosidade acerca dos livros dessa autora desde que seu primeiro romance, A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, foi lançado aqui no Brasil, mas nunca tive oportunidade de lê-los. No Mochilão da Record, A Geografia de nós dois foi uma das obras apresentadas, e gostei do que foi falado sobre a história e resolvi solicitar para a Editora. Bem, acho que me arrependi.

A escrita de Jennifer E. Smith é boa, mas não conseguiu me prender. O enredo é dividido em cinco partes e a primeira li rápido, ansioso pelo que estava por vir. Só que quando cheguei na segunda, foi tudo um verdadeiro arrasto. Me peguei relendo várias vezes a mesma página, tamanha a minha dificuldade de concentração e a falta de conexão com a trama. Não gostei do modo como a autora desenvolveu a narrativa e foi difícil concluir a leitura.

Narrado em terceira pessoa, A Geografia de nós dois alterna as perspectivas de Lucy e Owen a cada capítulo. Gostei da forma como os personagens foram desenvolvidos, mas não consegui criar uma empatia para com eles. Lucy e Owen têm muito em comum e poderiam ser fofos juntos, mas sei lá, faltou algo para me convencer. Foi grande a decepção, porque estava com altíssimas expectativas a respeito desse texto, que parecia bem bonitinho.

O ponto positivo se deu pelo relato das viagens pelas quais cada um dos protagonistas passou. Lucy mudou de continente, precisou acostumar-se com uma nova cultura, sotaques diferentes e com o fato de que no inverno escocês a noite é praticamente eterna. Já Owen fez uma road trip com o pai, passando por diversas cidades dos Estados Unidos, sem um rumo certo; conhecendo pessoas, lugares e comidas de cada região pela qual passava. Jennifer explorou bem esse elemento, que foi o que me animou nessa escrita um tanto quanto parada demais.

Também gostei da forma como Jennifer elaborou as relações familiares dos personagens. Lucy está acostumada a ser deixada para trás quando os pais viajam, mas agora está sentindo o real peso, já que seus companheiros, os irmãos mais velhos, também foram embora. Já Owen perdeu a mãe e o pai ficou distante após a perda da esposa. A solidão faz parte da vida dos dois e essa é uma das grandes questões do livro: sentir-se sozinho em meio a tantas pessoas.

Quanto ao final, foi bonitinho, mas extremamente clichê e previsível. Ao menos para mim. Porém, como todo o resto da história foi assim, eu não poderia esperar nada de diferente, então até que gostei do modo como a autora encerrou tudo. 

A edição física está bem bonita. A capa é uma adaptação da edição hardcover americana e combina com o tema da obra. A diagramação é simples, as páginas são amareladas e a fonte é média. A revisão pecou mais uma vez, encontrei alguns errinhos que me incomodaram, já que são coisinhas bobas, mas não atrapalham em nada o entendimento.

A Geografia de nós dois é um livro sem pretensões, mas que não me agradou muito. Porém, conhecendo meu coração de gelo e já tendo ouvido falar bem da autora, deixo aqui a minha recomendação. Talvez vocês se identifiquem mais do que eu e consigam curtir a leitura.

A Geografia de nós dois - Jennifer E. Smith
Editora Galera Record
272 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 3

5 comentários

  1. Que pena que você não gostou tanto assim. Eu sempre quis algum livro da autora e confesso que me interessei por este livro.

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  2. Eu já li esse livro e amei. Claro, que algumas partes sao clichês e esperadas, mas amei a intenção do livro e toda a edição física. Beijo

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  3. Oi Leonardo!

    Eu li o primeiro livro da autora publicado aqui no Brasil e fiquei muito triste pelo final repentino... Infelizmente, a história tinha tudo para funcionar comigo, mas não consegui gostar por inteiro da obra...

    Gostei da sua resenha desse lançamento, mas não pretendo ler. De vdd!

    Bjo bjo^^

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  4. Eu li A Probabilidade e achei legal. Porém em algumas partes meio corrido. Esse ainda não li. Mas já esta na minha lista

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  5. Nossa eu li e AMEI ♥ mas cada um tem sua opinião ne :/
    Achei a estória muito fofa ♥

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