Resenha - Profundo

Resenha - Profundo
Sinopse: "Caroline Piasecki vê sua vida se transformar em um pesadelo quando o ex-namorado espalha fotos dela nua na internet. De uma hora para outra, sua reputação é arruinada e o futuro promissor que a aguardaria após a faculdade já não parece tão garantido. Desesperada, ela tenta fazer com que as imagens sumam da rede e, ao mesmo tempo, procura se defender da multidão de pessoas que a julgam. Um dia, quando um cara que ela mal conhece sai em sua defesa e dá uma surra em seu ex-namorado, tudo muda. À primeira vista, West Leavitt é a última pessoa de quem Caroline deveria se aproximar – ele tem um ar sombrio e ganha a vida de forma ilícita. Ela, por sua vez, é o tipo de garota que West sempre tentou evitar. Rica e privilegiada, jamais entenderia as dificuldades pelas quais ele já passou. Mesmo com todas as diferenças, os dois se tornam amigos. Com Caroline, West sente que fará de tudo para ser um homem melhor, e ela encontra nele a força para reagir. Quando parece impossível resistir à paixão avassaladora, West e Caroline descobrem que às vezes a única opção que resta é ir mais fundo."
ATENÇÃO! Este livro possui cenas de sexo e linguajar obsceno. Não recomendado para os menores de idade. Leiam a resenha por sua conta e risco!

Caroline é uma jovem de 19 anos que tinha um futuro brilhante pela frente. Determinada e metódica como só ela era, estava na universidade se preparando para o curso de Direito. Seus planos resumiam-se a ser juíza para depois ingressar na Procuradoria do Estado. Tudo ia bem, até ela terminar seu namoro com Nate.

Emputecido com a decisão de Caro, Nate se vingou e publicou fotos da ex nua e em situações comprometedoras na internet. Quando soube, a vida de Caroline se transformou em um inferno. Não bastasse ser abandonada pelos amigos, Caro passou a ter que conviver com xingamentos frequentes, olhares de julgamento e de repulsa, e o seu próprio preconceito.

De tanto ouvir dos outros, Caroline passou a acreditar que era mesmo uma vagabunda e que merecia o que tinha acontecido com ela. Como poderia reverter o estrago que havia sido feito, ou então voltar a confiar em um homem depois disso?

West era o típico badboy que parecia carregar um letreiro luminoso consigo dizendo: "Perigo, mantenha-se afastada, eu sou encrenca", alerta este claramente ignorado por qualquer pessoa do sexo feminino. E claro que com Caroline não podia ser diferente. Ela sabia que não podia se deixar envolver por um cara que a maltratava, que não queria ser seu amigo e que vendia drogas, mas ela não consegui evitar o frisson que sentia sempre que o via, ou até mesmo quando pensava nele.

Caroline devia estar concentrada em conseguir retirar todas as suas fotos da internet, em limpar o seu nome e a sua imagem para que pudesse andar de cabeça erguida um dia novamente, e não em arranjar ainda mais problemas. West sabia que não podia se deixar envolver, não havia espaço para a menina em seus planos, mas eles não conseguiam ficar longe um do outro e, assim, uma não amizade começou a florescer, mudando para sempre o destino de Caroline e West.

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam

***

Eu não gosto de New Adults. Eu não gosto de romances eróticos. Então por que eu li este livro? Também não sei, a questão é que, de alguma maneira, Profundo atraiu a minha atenção. Fiquei completamente chocada com o quão traumatizada Caroline ficou com o ocorrido. Compartilhar seus medos, suas inseguranças, as vozes masculinas que ela ouvia em sua mente, xingando-a de puta, vadia, dentre outras coisas, foi forte demais, e certamente serviu para dar um tapa na cara da sociedade que insiste em tratar a vingança pornô como culpa da vítima.

Fiquei impressionada ao presenciar a deterioração da força da personagem. Uma menina que até então era cheia de vida e de sonhos se isolou, se anulou e fez de um tudo para se tornar invisível, pensando que assim conseguiria se livrar dos ataques que continuava sofrendo. Justamente por isso não entendi e não aceitei bem o seu interesse por West. De início não compreendi como que uma garota que estava passando por problemas daquela magnitude podia ter cabeça para se apaixonar por um homem e só pensar em sexo. Achei forçado, clichê e irreal. Porém, na medida em que o enredo era desenvolvido, percebi que a autora quis mostrar que não é porque Caroline estava saturada de ser tratada como um objeto ou rotulada como uma piranha que não tinha o direito de querer transar sim, afinal, não era ela a errada da história.

Não podemos culpá-la por ser uma jovem saudável, com os hormônios a flor da pele que transava com o namorado e que permitiu ser fotografada para agradá-lo. Não! A culpa foi de Nate, apenas de Nate, por ter publicado tais imagens. Se Caroline cometeu um erro, foi o erro de confiar em Nate, apenas isso, e este erro não a define muito menos a diminui como ser humano. Portanto, é perfeitamente normal que em meio a esse turbilhão de emoções Caro, de repente, se interessasse por outra pessoa e tivesse o desejo de seguir em frente.

Entretanto, isto começou de maneira equivocada, já que Caro buscou em West uma tábua de salvação. Por ela se achar indigna e suja, no momento em que alguém lhe deu atenção e carinho, se jogou de coração aberto buscando por acolhida. Típico comportamento de alguém fragilizado. Nesse sentido, a autora novamente acertou, mostrando que não precisamos de um homem para resolver os nossos pepinos, muito menos para nos manter segura ou nos fazer sentir amada. E Caroline percebeu isso a tempo, e foi lindo de ver ela se reerguer das cinzas como uma Fênix.

Mas não é só a Caro a ferrada da obra. West é tão problemático quanto ela, e me cativou de imediato. Ok, adoro homens complicados :P A questão é que a história de vida de West é doída. Ao contrário de Caroline, que nasceu em berço de ouro e acabou se vendo no olho do furacão, West sempre teve que lutar para cuidar da mãe e da irmã, para manter o pai afastado, para levar dinheiro para casa e, justamente por isso, não se permitia se entregar a ninguém, pois tinha medo de que o amor fosse destruí-lo e desviar seu foco do seu objetivo maior, que era ser um médico bem sucedido e dar tudo o que a sua família sempre precisou. Deste modo, compreendemos o porquê de sua marra e da postura adotada perante Caroline. Acho que o seu desejo de sempre querer fazer o certo me fez gostar ainda mais dele.

Bom, vocês já viram que ambos os protagonistas têm muito a resolver e, é claro que em meio a essa narrativa intercalada em primeira pessoa temos muitooooo sexo. É gente, se vocês não gostam, não percam o seu tempo. Como para mim não faz diferença, confesso que nessas partes meio que fiz leitura dinâmica, porque o que eu queria saber mesmo era o que ia acontecer com esse "não" casal.

Para quem não sabe, infelizmente a vingança pornô é algo comum nos Estados Unidos, para a qual não há punição. Não foi à toa que Robin criou esta trama, numa tentativa de conscientizar a população a tomar atitudes e a nos mostrar o que acontece com quem é vítima. Ainda bem que aqui no Brasil existem algumas leis que nos protegem e que obriga os sites a retirarem o conteúdo postado de maneira não consensual do ar imediatamente. Ainda assim, as marcas ficam, no corpo e na alma não só de quem sofreu o abuso, mas também de sua família, amigos e afins.

Numa época em que estamos sabendo de tantas notícias de estupros contra as mulheres, nada melhor do que discutirmos o assunto e revermos nossos conceitos, afinal, enquanto formos tratadas apenas como bundas bonitas e objetos sexuais, e pior, nos sentirmos temerosas por que tipo de roupa vestir, como nos portar, que impressão estamos passando e acharmos que qualquer coisa que acontecer é culpa nossa, ou que nós merecemos tal agressão, isso nunca vai acabar.

Profundo - Robin York
Livro 01
Duologia Caroline e West
Editora Arqueiro
320 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 4 

3 comentários

  1. Adorei a premissa deste livro, eu não conhecia nenhum livro que abordasse este tema, por que hoje em dia é muito frequente vermos fotos intimas de garotas divulgadas por causa de seus próprio namorados, então com certeza um dia lerei este livro.

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  2. Oi Mirelle!

    Eu confesso que tbm escolho a dedo os New Adults que leio. Não tenho preconceito, mas sempre que leio algo do gênero, encontro quase o mesmo enredo e isso me deixa muito brava! rsrsrsrsrs

    Profundo e Intenso chamaram minha atenção não por causa do gênero, mas pelo enredo verídico.

    Gostei de saber sua opinião e espero gostar da obra tanto quanto vc.

    Bjo bjo^^

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  3. Quero muito ler essa duologia, também não curto eróticos, porém, quero saber mais sobre como ajudar uma pessoa que passar por algo parecido ou como reagir, denunciar.
    Lembro bem duma moça que se matou porque teve suas fotos íntimas também viralizadas na net. Que dó me deu! Vi no colégio uma reportagem, e muitas pessoas, inclusive meninas a xingaram.
    Afffs, eu não faria essas fotos, mas o corpo e a vida é dela, como você disse, o erro dessas vítimas é apenas de ter confiado no companheiro/a.
    bjss

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