Resenha - Sejamos todos feministas

Resenha - Sejamos todos feministas
Sinopse: "Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente do dia em que a chamaram de feminista pela primeira vez. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé."
Chimamanda é nigeriana, negra e descobriu que era feminista quando pequena ao ser chamada desse modo, de maneira meio pejorativa, por um querido amigo.

Quanto mais crescia, mais se dava conta das diferenças existentes entre os homens e as mulheres, não só no seu país, mas em todo mundo.

Por que os garçons de Lagos só cumprimentavam os cavalheiros? Por que os flanelinhas das ruas agradeciam ao homem o dinheiro dado por uma mulher? Por que as mulheres que ocupavam cargos de chefia ganhavam menos que os trabalhadores do sexo masculino? Por que uma mulher que era estuprada era vista como merecedora de tal violência? E o pior, por que as pessoas pareciam não enxergar essa situação de desigualdade?

É sabido que homens e mulheres são diferentes, principalmente no que diz respeito à fisionomia e fisiologia humana e, assim como aprendi no Direito, os iguais devem ser tratados como iguais e os desiguais como desiguais, conforme o que apregoa o princípio constitucional da igualdade. Entretanto, tal direito é deturpado e é aí que vemos as situações de abuso, quando as pessoas são julgadas na sociedade por seu sexo e não por suas qualidades ou capacidades. 

As coisas podem ter melhorado muito nos dias de hoje, comparado há décadas, mas em alguns países, o estigma permanece, principalmente quando o machismo e o patriarcado é arraigado na cultura, como ocorre na África.

Para piorar, infelizmente o movimento feminista tem sido visto cada vez mais com maus olhos, enfraquecendo a luta feminina. Eu mesma sou uma que critico demais as ramificações extremistas. A luta feminista é de todos e tem como objetivo diminuir a injustiça entre os gêneros. Para ser feminista, não é necessário deixar de se depilar, deixar de usar desodorante, usar roupas masculinizadas ou se negar a se casar e a ter filhos, como muito tem se visto por aí. Além desses estereótipos criados, temos nos deparado com bastantes mulheres cultuando ódio aos homens e criando disputas entre si.

Onde está a sororidade entre as mulheres? Onde está o nosso direito de escolha, de ser o que bem queremos? Onde está a solidariedade para com as mulheres mães, que são vistas como inferiores e submissas frente às feministas independentes e ambiciosas? 

Sejamos todos feministas foi publicado em formato de livro de bolso, possui poucas páginas, é de fácil leitura e serve de recado a todos. Chimamanda apresenta todos os problemas enfrentados pelo sexo feminino, incentiva as mulheres a agirem e a lutarem pelos seus direitos, mas acho que faltou apontar uma possível solução para o problema no sentido de, "é fácil falar, mas na prática nada nunca muda".

Independente, todos esses questionamentos são importantes de serem suscitados e debatidos pela sociedade e, foi com esse intuito, que a autora decidiu palestrar em 2012 no TEDxEuston, conferência anual com foco na África, para falar sobre o feminismo. Apresentação esta resumida e adaptada, dando origem ao Sejamos todos feministas.

Leiam e entendam o ponto de vista da autora.

Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie
Editora Companhia das Letras
64 páginas
Comprar: Amazon / Saraiva
Nota 4

5 comentários

  1. Mimgosto muito da escrita da Chimamanda e gosto muito de livros,que tratam de feminismo.Na sociedade temos que ser julgados pelas nossas capacidades e qualidades e não pelo nosso sexo,infelizmente em algumas partes do mundo ainda vemos o racismo com na África.Amei que a publicação é em formato de bolso.Irei conferir.Beijos!!!

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  2. Oi Mirelle!

    Recebi esse livro em parceria com a editora e foi uma das minhas melhores leituras deste ano. Mesmo sendo pequeno, um breve relato do discurso da autora, me encantei por sua forma franca de escrever e por sua força de vontade.

    Parabéns pela resenha. Me deu vontade de lê-lo uma vez mais!

    Bjo bjo^^

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  3. Oi Mi.
    Eu amei a resenha, achei bem interessante a premissa, acho um absurdo a ideia de que o Homem é superior a mulher, sendo que nos mulheres ganhamos nosso espaço, mas ainda somos muito discriminadas pelo nosso sexo, irei ler essa livro com toda certeza.
    Boa Tarde.

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  4. Eu amei a ideia do livro!
    Esse tema vem sendo muito discutido ultimamente aqui no Brasil e divide muitas opiniões. Eu concordo com você, não apoio essas atitudes extremistas, não acho que seja necessário deixar de fazer certas coisas (como se depilar, por exemplo) pra tentar expor uma ideia. Nós só queremos ser tratadas com igualdade, pois é assim que tem que ser.

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  5. Mi, faz bastante tempo que estou querendo ler esse livrinho.
    Achei a ideia fantástica, infelizmente com o machismo e demais preconceitos contra as mulheres tão extremos que há, precisamos mesmo ler mais, nos informar sobre como lutarmos, nos protegermos e acabarmos com essa desigualdade.
    bjss

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