Resenha - O quarto dia

Sinopse: "Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis... Janeiro de 2017. Após cinco dias desaparecido, o navio O Belo Sonhador é encontrado à deriva no golfo do México. Poderia ser só mais um caso de falha de comunicação e pane mecânica... se não fosse por um detalhe: não há uma pessoa viva sequer no cruzeiro. As autoridades acham indícios de uma epidemia de norovírus, mas apenas descobrem os corpos de duas passageiras. Para piorar, todos os registros e gravações de bordo sofreram danos irreparáveis. Como milhares de pessoas podem ter sumido sem deixar rastro? Teorias da conspiração se alastram, mas só há uma certeza: 2.962 passageiros e tripulantes simplesmente desapareceram no mar do Caribe."
Celine Del Ray, mais conhecida como a médium das estrelas, sempre foi uma charlatã que ganhou a vida às custas do sofrimento dos outros. Depois de se meter em uma confusão, por conta da quinta-feira negra, decidiu se afastar brevemente dos holofotes e se encontrar com seus fãs, autointitulados como Amigos, no cruzeiro Belo Sonhador, da Foveros, uma empresa que carregava uma péssima fama pelos serviços prestados.

A cada término de sessão, Celine ia se refugiar em sua cabine VIP, longe do assédio daqueles que repudiava. Ela não dava a mínima para os Amigos, só queria saber de manter a boa reputação e, para isso, contava com Maddie para arrancar toda e qualquer informação que pudesse usar em seus shows.

Mas, depois de uma das apresentações, a médium pareceu passar mal de verdade e, após se recuperar, nunca mais foi a mesma.

Helen e Elise eram muito amigas, apesar de serem completamente diferentes uma da outra. O que as unia era o luto pelos maridos mortos e o desejo de suicídio, que pretendiam cometer na noite de ano novo, dentro do navio, mas um incêndio ocorrido na sala de máquinas alterou completamente o rumo dos planos delas.

Gary era um predador nato e meticuloso. Sempre sondava precisamente as suas vítimas e planejava seus ataques que se consumavam com êxito. Havia escolhido sua nova vítima, uma jovem gordinha e de baixa autoestima que estava no grupo de solteiros do cruzeiro. Batizou a bebida dela e a seguiu até a sua cabine. Quando entrou e começou a despir a moça, a mesma vomitou e morreu, engasgada com os próprios fluídos. Apavorado com o ocorrido, fugiu e fez de tudo para não ser capturado pelos seguranças. Porém, mal sabia ele que a culpa seria seu pior inimigo e maior fantasma.

Desde que a morte de Kelly havia sido anunciada, os passageiros começaram a relatar enxergar espíritos no navio, enquanto alguns tripulantes juravam ter visto o diabo em pessoa.

Com o Belo Sonhador à deriva em alto mar, sem luz e ar condicionado, sem comunicação alguma para pedir resgate, com um vírus se espalhando entre as pessoas, um assassino a solta, uma médium formando uma seita e muitas brigas e confusões, cada personagem terá que enfrentar o seu pior pesadelo para decidir o futuro de sua vida, ou de sua morte.

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam.

***

Desde que li Os Três, me apaixonei por completo pela escrita de Sarah Lotz. Até então, nunca tinha me deparado com uma trama tão original, envolvente, meio apavorante e bastante diferente. Na entrevista que fiz com a autora AQUI, pude saber maiores detalhes sobre a composição da obra e me tornei ainda mais fã. Quando soube que ela havia escrito O quarto dia, considerado uma continuação do anterior, fiquei aguardando ansiosa pelo momento em que seria publicado no Brasil.

Quando comecei a ler, fiquei muito perdida. Não me lembrava praticamente de nada do primeiro volume e não conseguia perceber como os dois livros se conectavam. Ademais, havia tanto protagonista que custei a me familiarizar com cada um deles.

O quarto dia é narrado em terceira pessoa e todos os capítulos são intercalados entre os pontos de vista de vários personagens que, a princípio, não têm nada em comum, mas as suas histórias vão se conectando por conta da situação que experienciam juntos.

Nenhum ali é santo. Todos possuem acentuados desvios de caráter e passados condenáveis. A sensação que tive é de que, de algum modo, eles estavam naquela condição para acertar as suas contas e expiar seus pecados, já que tiveram que enfrentar muitos desafios.

Tudo o que ocorre no navio parece ser tão real que simplesmente me recuso a fazer um cruzeiro após a leitura. Me assustei com as probabilidades de me contaminar com doenças, de sofrer abuso sexual ou outras violências e de até morrer a bordo e, do jeito que conheço Sarah, todas as informações descritas no texto devem ser fruto de muita pesquisa, aliada com a ficção.

Outrossim, todas as cenas de desastre em alto-mar são tão fortes e aterrorizantes que é impossível não se impressionar. É nítido que a grande figura do enredo é o navio, que proporciona experiências diferentes e surreais a cada um dos passageiros ou tripulantes. Os acontecimentos foram tão bem elaborados que não conseguia parar de ler, pois queria saber o que ia acontecer, e ficava extremamente tensa a cada vez que algo sinistro se sucedia.

Meu grande desapontamento com este livro foi não entender a moral da história. Ok, a autora abordou os famosos navios fantasmas, a histeria coletiva, as dimensões paralelas, dentre outras coisas que foram muito interessantes de se ler, mas o que de fato ocorreu naquelas páginas? Eu não sei!

O final é simplesmente tão confuso que eu juro, não entendi e me senti uma completa burra. Sarah teve um esforço tão grande para segurar o mistério e nos confundir que acabou não o explicando bem e concluindo a narrativa daquele jeito típico seu, sem esclarecimento algum. Acredito que este seja um ponto que irá decepcionar muita gente.

De qualquer modo, está é uma leitura que vale a pena, seja pela maestria da escrita e construção do argumento feito pela autora, seja pela vontade de tomar uns sustos e tentar entender o que há por trás desse suspense.

Então, embarquem no Belo Sonhador, só cuidado para não terem um pesadelo.

O quarto dia - Sarah Lotz
Editora Arqueiro
352 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon
Nota 4

5 comentários

  1. Oi Mirelle!

    Quando o primeiro livro saiu, fiquei muito curiosa para lê-lo, mas aí, li algumas resenhas negativas e acabei desistindo. No entanto, essa é a segunda resenha que leio de O Quarto Dia que me surpreende. Adoro livros assim, mas tenho certeza que o final vai me deixar brava! rsrsrsrsrsrs

    Parabéns pela resenha. Vou adicioná-lo na minha lista de desejados e espero gostar tanto quanto vc!

    Bjo bjo^^

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  2. Oi Mi.
    Confesso que já havia desistido dessa leitura a algum tempo atrás, justamente por não ter encontrado um motivo plausível para ler ja que ele não faz meu gênero literário, má depois da resenha fiquie muito curiosa para conferir o livro, grotesco a morte por seu próprio vômito, essa parte me conquistou de primeira.
    Boa Tarde.

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  3. Como ainda não li o primeiro,não li sua rsenha completa..só a sinopse e sua conclusão,os 3 últimos parágrafos...Espero gostar tanto quanto você.
    Bj.

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  4. Olá!
    Gostei da premissa do livro, gosto muito desse mistério todo! Mas o final você disse que não entendeu né? Acontece, é uma pena. Talvez eu leia, vamos ver se eu entendo algo. haha

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  5. Mi, já faz um tempão que quero ler Os Três, mas tenho medo ,confesso! rsrsrs
    Livros mais voltados pro terror, eu fico com um pé atrás, se bem que muitas vezes quando leio, nem me assusto tanto assim.
    O Quarto dia pareceu mais leve que o anterior da autora, porém, achei meio confuso também, e tendo um final meio sem explicação, não é bem o tipo que gosto, mas acho que lerei sim.
    Quero ler mais thriller.
    bjss

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