Resenha - As Gêmeas do Gelo

Resenha - As Gêmeas do Gelo
Sinopse: "Um ano depois de Lydia, uma de suas filhas gêmeas idênticas, morrer em um acidente, Angus e Sarah Moorcroft se mudam para a pequena ilha escocesa que Angus herdou da avó, na esperança de conseguirem juntar os pedaços de suas vidas destroçadas. Mas quando sua filha sobrevivente, Kirstie, afirma que eles estão confundindo a sua identidade — que ela é, na verdade, Lydia — o mundo deles desaba mais uma vez. Quando uma violenta tempestade deixa Sarah e Kirstie (ou será Lydia?) confinadas naquela ilha, a mãe é torturada pelo passado — o que realmente aconteceu naquele dia fatídico, em que uma de suas filhas morreu?"
As Gêmeas do Gelo é um thriller psicológico escrito por S. K. Tremayne, publicado no ano passado no Reino Unido e lançado no Brasil em 2016 pela editora Bertrand Brasil. S. K. Tremayne é um pseudônimo utilizado por Sean Thomas, um jornalista e escritor londrino, premiado autor best-seller, sendo As Gêmeas do Gelo avaliado como um dos melhores thrillers do ano de 2015.

Sarah e Angus Moorcroft poderiam se considerar um casal de sorte. Conheceram-se e já se apaixonaram, namoraram, casaram e tiveram duas filhas gêmeas em 3 anos de relacionamento. Angus era um arquiteto bem-sucedido e Sarah, formada em Jornalismo, optara por cuidar das meninas, Lydia e Kirstie, enquanto trabalhava como freelancer para complementar a renda familiar. As gêmeas eram crianças felizes. Brincavam, frequentavam a escola, dividiam segredos e eram admiradas por quem as visse. Eram lindas e idênticas. Muitas vezes, os próprios pais tinham dificuldade em identificá-las, mas com o passar do tempo, a personalidade delas se tornou a principal característica para diferenciá-las. Lydia era mais introspectiva, calma e sentimental. Kirstie, por sua vez, era bastante agitada, alegre e extrovertida. Os pais tinham orgulho da beleza e da inteligência de suas meninas e lidavam com os pequenos problemas do dia-a-dia através do companheirismo que construíram entre si e do seu constante diálogo.

Essas são, pelo menos, as impressões contadas ao leitor por Sarah, a principal narradora da história. Vamos acompanhando, através de diversos flashbacks, os acontecimentos mais importantes de sua vida pelo o que a personagem nos revela. A verdade é que As Gêmeas do Gelo inicia 14 meses após toda essa felicidade da família Moorcroft desmoronar. Aos 6 anos de idade, Lydia morre em um acidente. Sarah, Angus e Kirstie tentam reconstruir suas vidas, no entanto, parece ser impossível fazer isso, visto que a casa está repleta de lembranças da menina. Angus herda de sua avó uma pequena ilha na Escócia, Eilean Torrane. Para ele, sua esposa e a filha sobrevivente, essa parece ser a solução, portanto, resolvem mudar-se para lá a fim de recomeçar. Todavia, quando Kirstie afirma que os pais se enganaram e que ela é a Lydia e quem morreu é a Kirstie, a família enfrentará mais uma crise.

"— Mamãe, por que você continua me chamando de Kirstie?
Não respondi. O silêncio impera. Então falo:
— O quê? Não entendi, querida.
— Por que você continua me chamando de Kirstie, mamãe? Kirstie está morta. Quem morreu foi a Kirstie. Eu sou Lydia. (pág. 24)"

Após tal revelação, Sarah fica rememorando todas as situações em que possivelmente estaria confundindo a identidade das filhas. A personagem compreende que as dificuldades em seu novo lar não serão somente as de adaptação à ilha, à nova escola e à nova vizinhança. Sarah se vê cada vez mais confusa ao perceber que sua filha ora afirma ser Kirstie, ora garante ser Lydia. Dessa incerteza surgem conflitos que revelam um relacionamento cheio de segredos e suspeitas: será que eles realmente erraram? Será que enterraram uma filha pensando ser a outra? O que realmente aconteceu naquele dia em que Lydia (ou Kirstie?) morreu?

Poderia descrever com apenas uma palavra a escrita de Tremayne: instigante. No entanto, acredito estar fazendo uma injustiça com outras qualidades que a narrativa apresenta. A obra é perturbadora e, ao mesmo tempo, empolgante.Todo o mistério da trama faz o leitor simplesmente não querer parar de ler! O enredo é narrado por Sarah, em primeira pessoa, e por Angus, em terceira pessoa. Ambos deixam dúvidas no ar e, às vezes, as esclarecem para o leitor. Na verdade, nós podemos escolher em quem acreditar ou tentar juntar as partes da história como se fossem peças de um quebra-cabeça.

O clima de suspense é intensificado pelas fotos das ilhas hébridas da costa oeste da Escócia: a escolha deste local e o preto e branco das imagens que finalizam alguns capítulos fazem o leitor mergulhar no contexto (e ficar com um medinho também!), imaginar os personagens caminhando por aquela paisagem bela e sombria e querer desvendar os segredos da família Moorcroft.

"Angus se virou e olhou para o lodaçal. Sim! Tão remota quanto possível! Aquilo era bom. Ele estava feliz por ter persuadido sua esposa a tomar a decisão de mudar para cá, por tê-la levado a crer que tinha sido sua escolha. Ele queria que todos ficassem longe de tudo durante um bom tempo e, agora, havia conseguido. Ao menos em Torran estariam em segurança. Ninguém iria fazer perguntas. Sem interferência de vizinhos. Sem amigos e parentes. Sem polícia. (pág. 76)"

Esta imagem é de Eilean Torran, descrita na história. Tem várias imagens desse local em preto e branco no livro.

A vida dos personagens na ilha é bastante sinistra. Angus bebia demais antes mesmo da mudança – aliás, esse foi um dos motivos para a família ir à Torran, já que ele perdera o emprego em LondresSarah ficava cada vez mais confusa e a filha Lydia/Kirstie sofria. Em alguns momentos tudo isso começa até a se tornar um pouco irritante, pois eles moram em uma casa que precisa de muitas reformas, a menina possui extrema dificuldade para se adaptar à nova realidade, o pai é alcoólatra e responsabiliza a mãe por eles estarem nessa situação e a mãe carrega a culpa porque enxerga a infelicidade estampada nos olhos da gêmea sobrevivente. Onde está aquele personagem que vai aconselhar terapia para essa família, hein? É angustiante.

O desfecho da obra é interessante, tem um ritmo eletrizante (eu quase não respirava mais durante a leitura!), mas pode incomodar algumas pessoas. A mim incomodou um pouco. Algumas situações não ficaram muito esclarecidas. Após a morte de uma das gêmeas, parece-me que o escritor inseriu no texto elementos de romance policial para que pudéssemos encontrar uma explicação real e plausível para a morte da menina e para a confusão de identidades, mas inseriu também aspectos sobrenaturais, geralmente presentes em livros de terror. Confesso que não compreendi exatamente qual foi a pretensão do escritor ao trabalhar com essas duas possibilidades. Para alguns, pode parecer que a mistura de gêneros ficou confusa, no entanto, combina perfeitamente com o desenvolvimento da narrativa e não invalida a história. 

As Gêmeas do Gelo é um livro perturbador e enigmático. Indico a leitura para quem se sente intrigado, assim como eu, com a presença de irmãos gêmeos nas histórias e para quem gosta de um bom suspense.

As Gêmeas do Gelo - S. K. Tremayne
Editora Bertrand Brasil
362 páginas
Comprar: Amazon / Saraiva 
Nota 4

5 comentários

  1. Oi Ana!

    Essa é a segunda resenha que leio deste livro e claro, fiquei ainda mais curiosa. Apesar da capa linda e da sinopse instigante, creio que eu possa até gostar da obra.
    Infelizmente, não conseguirei ler tão já, mas vou deixar anotado aqui, na minha lista de desejados!

    Adorei sua resenha, os quotes escolhidos e a imagem que vc usou para ilustrar!

    Bjo bjo^^

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  2. Oi!!!

    Eu amei a resenha, a premissa me pareceu ser muito emocionante, eu amei o enredo descrito, uma família quebrada, uma perda muito grande de uma filha, com certeza sei que vou amar desfrutar dessa leitura.
    Deve ter sido muito difícil para a família lidar com toda essa situação, e mais difícil ainda para a gêmea que sobreviveu, ver-se perdendo a sua própria identidade, todo esse suspense me parece ser um ponto alto no livro.
    Irei ler com toda certeza.
    Boa Tarde.

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  3. Oi, Ana. Assim que vi o lançamento deste livro já me interessei por ele, achei muito inteligente essa sacada do autor de brincar com gêmeas idênticas. Gosto de histórias que tem um bom suspense e que brinquem com a mente dos personagens e leitores, e fiquei curiosíssima com essa. A premissa é ótima e tenho certeza que irei adorar ler. Quero saber o que realmente aconteceu, qual das gêmeas morreu e como os problemas se resolveram.
    Beijos.

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  4. da primeira vez q eu vi esse livro ele não me chamou muita atenção
    mas depois de ler essa resenha ele entrou na minha lista de leituras (q está enorme, mas vamos deixar isso de lado)
    faz tempo que eu quero ler um bom suspense e esse promete, essa história de familia perfeita nunca é verdade né?
    p.s. adorei as fotos

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  5. Oi Ana,
    gostei muito da sua resenha, e me deixou com muita vontade de ler o livro.
    No entanto, confesso que não é bem o tipo que estou acostumada, parece ser bem triste e confuso em certas partes, não sei se iria gostar.
    Mas fiquei curiosa para saber o final, e o que acontecerá com a gêmea sobrevivente.
    A capa é bem bonita e deixa um ar de tensão kkkk
    bjoss

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