Resenha - O Regresso

Resenha - O Regresso
Sinopse: "Em 1823, os caçadores da Companhia de Peles Montanhas Rochosas desbravavam as terras inexploradas dos Estados Unidos, enfrentando diariamente o clima implacável, as feras selvagens e a ameaça constante de confronto com os índios, que defendiam suas terras da invasão dos homens brancos. Em uma das missões da companhia, Hugh Glass, um dos melhores e mais experientes caçadores do grupo, fica frente a frente com um urso-cinzento, é atacado e termina gravemente ferido, claramente sem chances de sobreviver. Os homens que deveriam esperar sua morte e lhe oferecer um funeral apropriado o abandonam, levando consigo as armas e os suprimentos. Entre delírios, Glass os observa fugindo e é tomado por um único desejo: vingança. Uma determinação cega que o torna capaz de atravessar quase cinco mil quilômetros de terras intocadas e selvagens, fugindo de predadores, sobrevivendo à fome e à agonia dos ferimentos mais terríveis, a fim de concluir seu objetivo. Inspirado em fatos reais e escrito em uma prosa arrebatadora, O Regresso é uma notável história de obsessão, um romance sobre um homem cuja vida foi ao mesmo tempo salva e condenada pela sede de vingança."
Hugh Glass sempre foi apaixonado por mapas e por tudo o que eles representavam: mistérios e aventuras. Aos 13 anos, decidiu ser capitão de navio e em 1802, ao completar 16 anos, foi embora a bordo da fragata da Rawsthorne & Sons como grumete. Em 1819, Glass foi capturado pelos soldados de Jean Lafitte em alto mar e, para não ser assassinado, se tornou um pirata. No ano seguinte, o governo americano enviou tropas até Campeche, onde ficava a colônia de Lafitte, explodindo o local. Hugh decidiu não fugir com os piratas e tomou seu próprio rumo.

Depois de muito andar e sobreviver à travessia pelo território de várias tribos indígenas inimigas, o viajante foi pego pelos loup pawnee e quase virou carne de ensopado, porém, após uma demonstração muito inteligente de truques de homem branco que mais se pareceram com magia, os índios interromperam o ritual e acabaram por acolhê-lo. Lá, Hugh permaneceu por quase um ano, tendo aprendido muito sobre como conviver com a natureza e dela tirar os seus melhores proveitos.

Em 1821, Glass seguiu até St. Louis, fazendo novamente contato com o mundo civilizado. Após conseguir se corresponder com o irmão, descobriu para a sua infelicidade que a mãe e a sua amada haviam morrido. Ali as coisas perderam o sentido para ele, e Glass decidiu aceitar um emprego na Companhia de Peles Montanhas Rochosas e partiu para o oeste com o capitão Henry e seus homens numa jornada que transformaria a sua vida para sempre. 

Em 1823, em uma missão de reconhecimento de terreno, Hugh foi atacado por uma ursa-cinzenta que protegia seus filhotes. Glass foi rasgado dos pés à cabeça. Seu coro cabeludo pendia em um ângulo esquisito, seu ombros e costas tinham cortes profundos, o braço direito estava caído de maneira não natural, bem como uma de suas coxas estava perfurada, mas o pior dos ferimentos certamente era o do pescoço. As garras da ursa cortaram e expuseram os músculos da garganta, esfrangalhando inclusive a traqueia do homem.

Era questão de tempo até ele morresse, mas o corpo de Hugh resistiu bravamente, mesmo que inconsciente, fazendo com que o capitão tomasse uma decisão: deixá-lo para trás, aos cuidados de Fitzgerald e Bridger, para que a Companhia não se atrasasse ainda mais. O grande problema foi que seus companheiros o traíram, o roubaram e o abandonaram no local, sem equipamentos ou ferramentas para se defender de animais ou índios, ou para caçar e erguer abrigos. Glass agora só contava com a sorte e seu vasto conhecimento em técnicas de sobrevivência. Será que ele conseguirá se recuperar e ir atrás daqueles que jurou vingança?

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Para quem não sabe, O Regresso, de Michael Punke, foi adaptado para os cinemas com o mesmo nome, estrelado pelo divo Leonardo DiCaprio que, inclusive, ganhou o Oscar de melhor ator por interpretar Hugh Glass. Foi por este motivo que o meu interesse pela obra surgiu. Como sempre acho que os livros são melhores que os filmes, decidi conferir primeiro a história em seus mínimos detalhes para depois apreciar o longa e, claro, compará-lo.

A narrativa, em terceira pessoa, se inicia com o momento em que Glass é abandonado pelos caçadores e jura vingança, nos fazendo compreender de imediato o que ele sentiu ao ser deixado para trás, se sentindo traído e completamente vulnerável. Logo após, o autor tenta nos inserir no contexto do enredo, tecendo milhares de explicações históricas acerca da disputa entre os homens brancos e os indígenas pelo território selvagem e o avanço do comércio de peles na época.

Afora isso, durante o tempo em que os caçadores se encontram na floresta, Punke escreve cenas extremamente descritivas, de páginas, elucidando sobre como se caça, estripa os animais, curte o couro, seca a carne e se defende de ameaças, dentre outras coisas.

Em primeiro lugar, acho que até agora não consegui compreender direito todos os fatos históricos informados no texto, porque são muitos, e eu não conheço praticamente nada do que houve naquele período nos Estados Unidos. Em segundo lugar, me senti literalmente imersa em um daqueles programas de sobrevivência, de tanto que aprendi. Quase senti o cheiro da mata, o frio das nevascas e nauseei nas viagens nos rios. Por esses motivos, confesso que o início da leitura foi bastante lento e cansativo e tive muita dificuldade em me prender à trama.

Entretanto, bastou que Hugh sobrevivesse ao ataque da ursa e começasse a sua peregrinação em busca de Fitzgerald e Bridger para que eu ficasse louca de curiosidade para descobrir se ele ia conseguir matá-los ou não.

Se tem uma palavra para representar este livro é: impressionante. Fiquei embasbacada, do início ao fim, com tantas intempéries pelas quais o protagonista passou e se manteve vivo. Gente, se super-heróis existissem, diria que Glass era um deles, disfarçado de capitão de navio/pirata/caçador. E sabem o que é mais incrível nisso tudo? É que essa é uma história real! 

Durante toda a leitura fiquei me questionando sobre isso, já que o autor sempre foi tão minucioso no relato dos eventos, para me deparar com as últimas páginas onde Michael diz que sim, que a maioria das coisas que ele escreveu aconteceram, deixando para a sua imaginação apenas as pontas soltas que ele encontrou em suas pesquisas. E isso fez com que O Regresso se tornasse ainda mais admirável e surpreendente. Hugh é um personagem muito forte que não teme a morte, ja que é movido pelo desejo cego de vingança, talvez o sentimento responsável por mantê-lo vivo até nas situações mais improváveis. 

Apesar de ser um exemplar que não irá agradar a todos, por seu conteúdo diferenciado e peculiar, e por sua escrita tão detalhada e morosa, O Regresso é válido pela discussão ali apresentada, acerca da ganância do homem branco que não mediu esforços em dizimar a população indígena da região em prol do comércio de peles; e da comunhão que alguns possuem com a natureza, uma relação construída de maneira desigual e perigosa, que mostra o quanto somos insignificantes frente à grandiosidade e a perfeição do mundo natural.

O Regresso - Michael Punke
Editora Intrínseca
272 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon

4 comentários

  1. Oi, Mirell! Tudo bem?

    Assim que foi divulgado que o Leonardo seria indicado ao Oscar (e que ganhou na premiação), fiquei com vontade de ler, antes de assistir.
    Embora não li ainda, sua resenha muito bem relatada, me fez ficar muito interessado nesta obra literária que foi adaptada para os cinemas.

    Beijos!
    Danny

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  2. Oi Mirelle!

    Confesso que não senti vontade de ler o livro qdo o mesmo foi lançado, mas o filme eu quero muito assistir. Creio que com esse começo arrastado e lento, o longa seja melhor, mas não deixarei de lado a ideia de lê-lo um dia!

    Parabéns pela resenha. Gostei muito de conhecer o livro por seus olhos. Aguardo a resenha do filme! ;)

    Bjo bjo^^

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  3. mais impressionante ainda é lembrar que essa história é baseada em fatos reais, eu fiquei super curiosa de conferir o livro, pois eu me apaixonei pelo filme, a única ressalva que eu faço é q parece que livro/filme mudaram muito a história real (segundo um historiador) mas é baseado então dá p aguentar

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  4. Confesso que a minha curiosidade sobre esse livro também surgiu após o longa, com o divo Leo DiCaprio. Já li resenha com opiniões diversas sobre o livro, e confesso que não sei se continuo tão animada com ele. Por conta das descrições longas, não posso garantir que eu conseguiria me conectar a história, e isso seria extremamente conflitante no decorrer do enredo.

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