Analisando os Oscars que o Filme O Regresso ganhou

Oi gente, aqui é o Yuri, do Blog Classe de Cinema. Hoje estou de volta, a pedido da Mi, para falar sobre o filme O Regresso e a atuação do Leonardo DiCaprio em razão da sua postagem de ontem. Para quem não viu, leiam a resenha que ela fez do livro AQUI. Nossa intenção com esses posts é dar um destaque a essas obras que ficaram ainda mais famosas no período do Oscar, convidando-os para conferirem.

Para quem ainda não assistiu, saibam que O Regresso é um filme notável em seus aspectos técnicos, sem dúvidas. Dos doze Oscars aos quais foi indicado, levou três consigo. Desses, entretanto, poderíamos dizer que apenas dois foram realmente merecidos. Explico: Alejandro Iñárritu é um diretor um tanto quanto autoindulgente, o que se percebe vez por outra em seus trabalhos. Não chegou ainda a produzir uma obra ruim, mas já se aproximou de arruinar algumas que poderiam ser grandiosas sem a sua interferência. No ano passado, apesar disso, ele foi devidamente premiado na categoria de Melhor Direção pelo seu trabalho fantástico em Birdman. Pois, se em 2015 o Oscar era seu e ponto, esse ano havia uma nota de tristeza por quem teve de vê-lo arrematar das merecidas mãos de George Miller a mesma estatueta. Ele fez feio? Não, nem um pouco, mas ficou longe do brilhantismo de Mad Max: Estrada da Fúria. Sim, O Regresso é um ótimo longa, mas a sua direção não foi um mérito solo. Não, ao menos outros dois componentes foram essenciais para o seu funcionamento e, devidamente, são correspondentes às outras duas estatuetas que ele arrecadou.

A começar por Emmanuel Lubezki, que é um diretor de fotografia que acompanho há anos, e venho propagandeando-o desde então. Assistam Filhos da Esperança, eu dizia. Assistam O Novo Mundo, Desventuras em Série, A Princesinha e E Sua Mãe Também, e reparem na fotografia dessas produções. Mas acima de tudo, assistam A Árvore da Vida, obra prima de sua criação cinemática. Qual a minha felicidade, então, quando, com todos os louros, o cara varreu e levou todos os prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Fotografia por Gravidade. Aplaudi de pé em casa. No ano seguinte, a cena se repetiu, Birdman, outro trabalho em que a fotografia era essencial, dava mais um Oscar para Lubezki, o segundo em sequência. Chegou 2016 e, constatei, com felicidade contida, que meu profissional favorito do ramo seria oscarizado uma terceira vez. Não pude conter um aperto no coração ao perceber que isso significava que Roger Deakins, outro fotógrafo excepcional, deixaria de vencer por Sicario: Terra de Ninguém, mas não podia deixar de notar o trabalho mais uma vez formidável do mexicano.
 

Mas há, é claro, um terceiro elemento que é parte inexpugnável do sucesso do longa-metragem em questão: Leonardo DiCaprio. Injustamente apontado por muitos como apenas um rostinho bonito e popular de Hollywood, o ator demonstrou extremo bom senso e talento ao construir sua carreira através dos anos, e desafio qualquer um a achar um filme que seja definitivamente ruim na sua filmografia dos anos 2000 pra cá. E se fosse apenas esse o caso, mas DiCaprio soube escolher a dedo papéis que tanto serviam a ótimos projetos, como também àquelas produções que lhe dariam a visibilidade necessária, conseguindo manter, de forma assustadoramente estável, qualidade e relevância em suas atuações andando lado a lado. De Prenda-Me Se For Capaz sob a batuta de Spielberg, ele passou por O Aviador, Os Infiltrados, A Ilha do Medo e O Lobo de Wall Street, dirigidos por Martin Scorsese. Foi o rico e temperamental Gatsby, foi o astuto e melancólico ladrão de sonhos Cobb e também o cruel e extravagante Calvin Candie, até que, ultimamente, tem sido lembrado como Hugh Glass.
 
Versátil sem ser superficial, eclético sem ser caricato, multifacetado sem ser vazio. Cada personagem seu é único, e marco aqui que DiCaprio deve ficar, com o tempo, tão famoso e reconhecido como um Marlon Brando ou um Jack Nicholson. Provavelmente, estamos apenas testemunhando o começo de sua carreira! Mas tantos elogios rasgados não se perdem no ar. Pelo contrário, se sustentam em tela. Digo, com tantos destaques técnicos, O Regresso muito bem poderia sobreviver apenas em torno deles. Mas não, o filme de Iñárritu se constrói em torno do seu protagonista, e qualquer ator menos intenso ou entregue teria arruinado o projeto. Ainda assim, um ator com o comprometimento certo, mas com a “vibe” errada, teria sido igualmente desastroso, pois apesar de o papel quase não possuir falas e ter de ser entregue basicamente pela expressão corporal, facial e vocal (em grunhidos, gemidos e urros), a caricatura seria uma armadilha fácil na qual cair. Leo (posso chamar assim?), pelo contrário, entende que reagir, também é atuar, e apenas com essas ferramentas, esculpe o seu Hugh Glass, pontuando a obra cinematográfica com um personagem que, apesar de falar pouquíssimo e estar envolvido em sua missão de vingança, nos soa como um ser que é tridimensional, que sente, deseja, ama, odeia, se cansa e ri de uma maneira muito própria e crível.
 

A escolha certa de um ator pode tornar um filme inesquecível, e DiCaprio tem se mostrado ser sempre a melhor escolha que poderiam ter feito para esse ou aquele papel. O Regresso funciona pela mistura de talentos que colecionou em si, que ainda trazem os nomes de Tom Hardy e Domhnall Gleeson para a galeria de talentos do projeto. História real, história fantasiada, não importa separar o que aconteceu do que não, e sim constatar que o filme ocorreu e, apesar de não ser perfeito, é impressionante!

3 comentários

  1. Fazia tempo q o Leo merecia =) a atuação dele ficou ótima (tudo bem q o urso se garantiu demais tb)
    eu me apaixonei pela fotografia do filme, sai do cinema dizendo isso, que cada cena era como uma pintura de tão linda, valeu por falar dos outros trabalhos do diretor de fotografia, vou dar uma conferida

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  2. Oi Yuri!

    Eu ainda não assisti ao filme, mas torci para o Leo ganhar! Bem, quem não torceu neh?
    Não vou falar sobre o filme, pois como disse, ainda não assisti, mas quero, e sua analise me deixou mais curiosa ainda!

    Bjo bjo^^

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  3. Quero ler esse livro agora...
    Vi o filme e foi mais que merecido o Oscar de Leonardo DiCaprio..mas acho que devia ter ganho mais..tem oscar de melhor atuação animal???O Sr. Urso ganharia.rssrrsr.

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