Resenha - A Sereia

Resenha - A Sereia
Sinopse: "Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar — pois a voz da sereia é fatal —, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração."
Kahlen tinha dezenove anos e viajava em um navio com seus pais e irmãos quando sua vida mudou radicalmente. A família da menina queria esbanjar a fortuna que não foi afetada pela Grande Depressão e, por isso, navegavam no maior conforto e luxo no qual a embarcação onde estavam podia oferecer.

Durante certa noite, vozes vindas do além-mar encantam a todos os passageiros da nau, que começam a jogar-se na água para irem atrás de tão belo som e se afogam no processo. Kahlen também fica hipnotizada, mas quando seu corpo choca-se com a água salgada, só consegue pensar que não quer morrer.

Antes que Kahlen se afogue, uma voz profunda pergunta em sua mente se ela deseja viver e a menina não hesita em responder que sim. Então, três belas jovens a salvam e a convidam para se juntar a elas. Em decorrência disso, Kahlen deveria servir à Água durante 100 anos, como uma Sereia, como compensação por ter tido a sua vida poupada. Como consequência, ela não envelheceria e não sofreria das doenças humanas comuns. Assim sendo, a jovem aceita o seu destino e torna-se dedicada a obedecer todas as vontades da Água.

Oitenta anos depois, Kahlen ainda serve à Água com afinco, sendo assim a Sereia favorita da mesma. Embora sofra com cada naufrágio que ocasiona toda vez que canta, Kahlen não questiona as regras e incentiva sempre suas irmãs Sereias, Miaka e Elizabeth, a cumpri-las.

Em detrimento disso, Kahlen tornou-se uma garota isolada, já que a principal regra para conviver junto com os humanos é que uma Sereia nunca fale na presença deles. Enquanto Miaka e Elizabeth conseguem passar suas noites indo a boates, fazendo compras e namorando com qualquer rapaz que desejarem sem emitir um único som, Kahlen não se vê fazendo essas coisas e prefere o silêncio de seu quarto e a companhia de um bom livro. Além disso, mantém diários com informações sobre todos os passageiros das embarcações que ajudou a afundar, como uma forma de conhecer mais das pessoas que matou para alimentar a Água.

O sonho de Kahlen é viver um grande romance, casar-se e constituir uma família, algo que suas irmãs não entendem. Por mais apegada que a menina seja à Água, tratando-a como uma mãe, não vê a hora de completar seu serviço e poder ser feliz com alguém que a ame por ser quem é.

Em uma tarde, enquanto está na biblioteca pesquisando sobre bolos de casamento, o caminho de Kahlen se cruza com o de Akinli, um jovem universitário que tenta aproximar-se dela de toda forma, mesmo quando percebe que ela é "muda". Por mais que Kahlen tente evitar, ela se sente encantada por Akinli, mas sabe que relacionar-se com ele não é possível, pois ainda deve vinte anos de servidão à Água e não poderia explicar a ele o porquê de não envelhecer ou de não se machucar ou adoecer.

Como a emoção muitas vezes vai além da razão, quando Kahlen descobre que pode ter sim um envolvimento com Akinli sem que a Água desconfie, determina-se a viver esse amor até então impossível. Só que esconder esse sentimento das irmãs e da Água pode ser mais difícil do que parece, principalmente quando ela precisar cantar outra vez...

Querem saber o que vai acontecer? Então não deixem de ler!

***

Antes de mais nada, preciso dizer a vocês que sou apaixonado por Kiera Cass e pela série de A Seleção, então, assim que A Sereia foi lançado, as minhas expectativas estavam bem altas. Alguns blogueiros receberam provas antecipadas do livro e logo as resenhas começaram a pipocar na blogosfera. Algumas bem positivas, mas a maioria dizia que Kiera pecou muito na obra e que ela não atendia às expectativas do leitor. Obviamente tal parecer, de muitas pessoas com opiniões normalmente próximas às minhas, me deixou bem receoso, mas resolvi tirar as minhas próprias conclusões e me surpreendi, positivamente!

Para quem não sabe, A Sereia foi escrito antes de A Seleção, mas recentemente Kiera teve a oportunidade de relançar a história e de fazer alguns ajustes no enredo. Basicamente, ela reescreveu o livro, utilizando-se de sua escrita mais amadurecida em virtude da experiência que adquiriu ao escrever os volumes de A Seleção.

A marca registrada de Kiera é o fato de conseguir prender o leitor logo no começo de suas tramas e ainda assim apresentá-las a ele de uma forma convincente e nada monótona. Em A Sereia não foi diferente. Terminei o primeiro capítulo já querendo saber como tudo se desenrolaria e empolgado com o que estava por vir.

Apesar de serem obras distintas, é inevitável tentar encontrar semelhanças entre A Sereia e A Seleção, mas isso não aconteceu. Eu esperava que o argumento fosse repleto de reviravoltas, mas Kiera preferiu ir para um lado mais calmo e emocional, o que acho que decepcionou o público pelo fato de não ter todo aquele pano de fundo caótico encontrado em A Seleção, tornando A Sereia, digamos que, parado demais. Confesso que isso não me incomodou, porém, acho que a autora poderia ter colocado mais ação em seu texto.

Para mim, o único ponto negativo da narrativa se deu pela construção da protagonista (mais uma vez). Acho que não é novidade para ninguém que desprezo totalmente a America e por isso tinha esperança de que Kahlen fosse diferente. E é, bem diferente, mas um diferente ruim. A protagonista é compassiva demais, submissa demais e medrosa demais. Em suma, é tudo aquilo que eu não suporto. Por ser a narradora do livro, vemos tudo pela visão de Kahlen e ela é aquele tipo de pessoa que torna tudo cinza.

Por outro lado, temos as inseparáveis irmãs da protagonista, Miaka e Elizabeth, que são divertidas, espontâneas e tudo aquilo que uma Sereia devia ser. Entendo os motivos de Kahlen para ser como é, eu também não gostaria de ter que matar centenas de pessoas todos os anos para alimentar a Água, mas Miaka e Elizabeth também não gostam dessa vida e mesmo assim conseguem levá-la de uma forma mais interessante.

Akinli é incrível e não consigo entender o que ele viu em Kahlen. O jovem é bem-humorado, solidário, leal e é impossível não gostar dele. Senti até que ele podia ser um primo distante de Maxon, tamanho seu cavalheirismo e sua compostura. E ele é fiel à Kahlen, estando lá em momentos que ela precisa, enquanto ela só destrói sua vida.

Outra personagem extremamente interessante a se citar é a própria Água. A Água trata suas Sereias como filhas e sente-se solitária em seu mundo. Ela é uma entidade universal. Qualquer fonte de água natural - seja uma poça de água da chuva ou a neve derretida - tem a presença dEla, o que é um tanto assustador, já que Ela consegue entrar na mente das meninas através do contato com o líquido. A Água não gosta de matar, mas sabe que é necessário, pois precisa alimentar-se e manter o equilíbrio. Se a Água do mundo morrer, quantos humanos não morrerão em sequência?!

O desfecho do volume foi um tanto quanto previsível, mas gostei da forma como Kiera encerrou a trajetória de Kahlen. E o melhor de tudo, este é um livro único. Realmente espero que futuramente Kiera não resolva escrever uma continuação, porque estragaria tudo o que ela tentou construir nessa obra.

A edição física do exemplar está maravilhosa. A capa é lindíssima e segue um padrão parecido com o de A Seleção, com a modelo num belo vestido em uma foto tirada aqui no Brasil, mais precisamente na Praia do Espelho, na Bahia. A diagramação é simples, as folhas são amareladas e a fonte é de um bom tamanho, facilitando a leitura. Quanto à revisão, está impecável e não me lembro de ter encontrado erros enquanto lia.

A Sereia é um bom livro que, além de reapresentar a mitologia das Sereias de uma forma única, mostra que o amor é capaz de tudo. Com certeza recomendo essa história a todos!

E para quem quiser saber mais a respeito, não deixem de ler o #Esquenta feito pela Laís AQUI.

A Sereia - Kiera Cass
Editora Seguinte
328 páginas
Comprar: Saraiva / Amazon

5 comentários

  1. a sereia é um livro que me atrai muito, além da proposta interessante, a capa em si é linda
    eu não costumo ler livros com criaturas maritimas, mas com a proposta de Kiera irei me render, com certeza
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Leo!
    Eu confesso que nunca senti aquela vontade incontrolável de ler A Seleção, talvez por conta de todos os spoilers que peguei por aí, que acabaram me desanimando. E achei a história interessante, mas se a protagonista for insuportável, não adianta, eu não consigo terminar o livro. Inclusive já larguei outras leituras pelo mesmo motivo! Mas acho que esse é um ótimo presente aos fãs da autora e uma oportunidade de ela se mostrar mais do que já mostrou.

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  3. Ótima resenha.
    Estou super ansiosa para comprar esse livro, ouvir muitos elogios, gosto muito da série a seleção espero gostar desse livro também, bjs

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  4. Ótima resenha ! Já ouvi falar bastante desta autora, confesso que estou muito ansiosa para ler os livros, e "A sereia " literalmente me deixou encantada ;)
    Adoro o blog e os posts ;)

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  5. Já ouvi falar bastante desta autora, confesso que estou muito ansiosa para ler os livros que ela já publicou. Em "A sereia" Kiera aborda temas que eu gosto bastante, uma mistura de romance e coisas fora da realidade humana! Amei a resenha, serviu como um empurrãozinho para iniciar a leitura !

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