Resenha - Shingaling: Uma história Extraordinária

Resenha - Shingaling: Uma história Extraordinária
Sinopse: "Extraordinário se tornou um best-seller ao narrar os desafios enfrentados por Auggie, um menino de aparência incomum. Na sequência do romance, J.R. Palacio lançou os e-books O capítulo do Julian, narrado pelo menino que mais fazia bullying contra Auggie na escola, e Plutão, narrado pelo amigo de infância do protagonista. Agora quem conta a história é Charlotte, uma das crianças que recebem Auggie no dia em que ele vai conhecer a escola. Em Shingaling, temos a oportunidade de conhecer melhor a personagem cuja presença é decisiva em momentos importantes da vida de Auggie. Ela conta sobre sua amizade com Summer (as duas solucionam um mistério juntas) e sobre como foi, para as meninas da escola, começar a conviver com o menino mais extraordinário que já haviam encontrado. Charlotte aproveita para mostrar sua mania de fazer diagramas e explicar como elaborou o preceito citado no final de Extraordinário: "Não basta ser amigável. Você tem que ser amigo."
ALERTA! Esta resenha pode conter spoilers de Extraordinário. Leiam por sua conta e risco!

Charlotte sempre foi uma menina altruísta. Ela preocupava-se genuinamente com aqueles que, de certo modo, faziam parte de sua vida, desde o senhor cego que tocava acordeão no caminho de sua escola, aos sem-teto que passavam frio no severo inverno.

Por conta disso, o Sr. Buzanfa não teve dúvidas ao chamá-la para recepcionar Auggie, o garoto com severas deformidades faciais que havia acabado de ingressar na Breecher Prep. O que Charlotte não sabia é que aquele menino Extraordinário mudaria a sua vida e a de todos ao redor, mesmo que indiretamente.

Chalotte desde o início foi legal com Auggie. Dava "oi" para ele quando o encontrava no corredor e não participou do jogo "A praga", da qual Pullman foi vítima. Entretanto, nunca se esforçou para se aproximar ou ser sua amiga. Não porque ela tivesse nojo ou medo dele, mas é porque tentou de todo modo se manter neutra na guerra que se criou dentro do colégio: todos contra August Pullman.

Charly recusava-se a ser má com o novato só porque todos o faziam, mas também não podia publicamente apoiá-lo para não ser excluída. Ela tinha um sonho de fazer parte do grupo das meninas populares de Breecher Prep e, quando passou no teste para fazer parte do trio de alunas que dançaria no Carnegie Hall, viu ali uma oportunidade de alcançar seu objetivo.

Até que ponto ser popular e se preocupar com que os outros falam e pensam é mais importante do que ser verdadeira consigo mesma?

Leiam e descubram.

***

Quando comecei a ler Shingaling, duas dúvidas me assolaram: 1. O que significava o título? 2. Que tipo de lição a autora pretendia nos transmitir, na medida em que, ao meu ver, Charlotte era uma menina perfeita e sem nada a nos ensinar. Santa ingenuidade a minha.

Charlotte, ao contrário do que pensei, detestava ser chamada de certinha e morria de medo de pagar de boba na frente dos outros, já que se importava, e muito, com a opinião alheia. Depois de ter perdido sua melhor amiga, Ellie, para o grupo das populares Savanna, Ximena e Gretchen, tudo o que ela mais queria era fazer parte dele, mesmo que isso significasse sucumbir ao "ladro negro da força", já que as meninas também eram conhecidas por serem meio malvadas no colégio.

Ao longo da narrativa, feita em primeira pessoa, de maneira tão intimista que parece que Charlotte está nos revelando suas memórias e sentimentos mais íntimos como se fôssemos melhores amigos dela, descobrimos que ela se sente inferior aos colegas, mesmo sendo uma menina tão brilhante. Isso vem à tona depois da chegada de Auggie, que colocou à prova a sua capacidade de ser gentil e amigável.

Charly teve oportunidade de rever seus conceitos quando passou na audição para ser dançarina de uma apresentação da professora Atanabi, que escolheu o shingaling como peça central do espetáculo por ser a única dança que liga todas as outras, já que foi capaz de, no decorrer dos anos, refletir estilos musicais diferentes. 

Por longos meses ela teria que ensaiar, quase que diariamente, com Summer e Ximena. Summer era uma garota amada por todos, sem nunca ter feito o menor esforço para isso. Já Ximena, era detestada e tinha a fama de ser cheia e grosseira. Três meninas, sem nada em comum, tiveram que aprender a conviver entre si e descobriram que nem sempre a imagem que criamos uma das outras procede.

Muitas vezes, achamos que a grama do vizinho é mais verde e não nos damos conta de que ele passa pelos mesmos problemas, ou até piores, do que nós. Em outras ocasiões, torcemos o nariz para pessoas que juramos ser intratáveis quando, na verdade, são ótimos sujeitos.

Nesse sentido, a autora fez questão de nos lembrar que nós não somos nem totalmente bons, nem completamente maus. A menina certinha é capaz de atitudes falsas e hipócritas, enquanto a megera também pode ser amável e benevolente. Tudo vai depender de qual lado vamos deixar aflorar.

Shingaling é um conto lindo e muito rápido de ler, que reforça a ideia de que novas amizades se formam, unindo pessoas que até então eram muito diferentes, nos fazendo admirar a obra do acaso, ou seria do destino?

Na minha opinião, esta é uma trama que, com toda certeza, deveria ser adotada no colégio e lida por todos os alunos. Quem sabe assim teríamos esperança de ver um fim no bullying, uma prática tão horrorosa e comum nos dias de hoje!

Entreguem-se à essa história e compreendam de uma vez por todas que não devemos ser cruéis com as pessoas. Que nossos atos têm consequências e que podemos ser melhores para nós e para os outros, basta decidirmos ser gentis. 

Termino a resenha dizendo: "É o shingaling, querida!". Os entendedores entenderão :)

Shingaling: Uma história Extraordinária - R. J. Palacio
Editora Intrínseca
136 páginas
Comprar: Amazon

3 comentários

  1. Fiquei curiosa para saber o que significa o título agora, buáaaaaaaa UAEIHEUEHE. Já li extraordinário em 2015 e ele entrou para minha lista de queridinhos. Tenho ouvido falar bastante sobre esses contos dos personagens, e assim que surgir uma oportunidade, quero ler todos eles!
    Desde o primeiro momento eu gostei da Charlotte, e será muito legal conhecer mais sobre essa personagem. Tenho certeza que o livro passa uma mensagem linda, assim como Extraordinário.
    Beijos

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  2. Oi Mirelle!

    Li Extraordinário e adorei! É um livro lindo! Auggie é um garoto maravilhoso e cheio de boas intenções!
    Não conhecia este conto, vi alguns outros, com outros personagens do livro, mas não com a Charlotte. Gostei, vou comprar para lê-lo, pois já sinto saudade da narrativa intensa e sentimental da autora.

    Parabéns pela resenha. Adorei conhecer um pouco mais sobre Charlotte. Espero gostar do livro tanto quanto vc!

    Bjo bjo^^

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  3. Ai Mi!
    Que tão lindas as histórias dos personagens Extraordinários.
    Sinto porque ainda não li nenhum dos livrinhos e preciso remediar logo isso...
    “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” (Cora Coralina)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participe do TOP COMENTARISTA de Janeiro, são 4 livros e 3 ganhadores!

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