Resenha - Belleville

Resenha - Belleville Felipe Colbert
Sinopse: "Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai! De quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício... Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro..."
Lucius, um rapaz de 20 anos, se muda para Campos do Jordão para cursar Matemática. Sem muitas condições financeiras e sustentado pelo pai, que é um simples comerciante, acaba indo morar em um casarão em estado precário que mais parece ter saído de um filme de terror.

Intrigado com algo que vê além da janela, o jovem universitário desbrava sua nova moradia e se depara com uma montanha-russa inacabada. Sob a terra que sustenta a primeira estaca da construção, Lucius encontra uma caixa que guarda uma carta com o sonho de uma garota que viveu naquele lugar 50 anos atrás.

Anabelle tinha apenas 17 anos quando perdeu o pai para a tuberculose, e passou a morar sozinha no antigo casarão, com seu gato Tião. Sem ninguém para ampará-la, a garota lutou diariamente para sobreviver com os poucos recursos que lhe restavam, enquanto buscava uma forma de tocar a sua vida. Porém, sua maior preocupação era ver Belleville, a montanha-russa que seu pai construiu para ela no quintal da casa antes de morrer, concluída.

Como não tinha condições de continuar o projeto, Annabelle deixou uma carta enterrada junto à primeira estaca dos trilhos de Belleville para que, após sua morte, o futuro morador pudesse dar continuidade à construção. Posteriormente, considerando a ideia boba, decidiu recolher a carta, quando foi surpreendida com uma nova mensagem junto a sua que, segundo o emissor, veio do futuro.

A partir daí, Lucius e Anabelle começam a se corresponder, através de um buraco no tempo, e sentem cada vez mais forte o desejo partilhado de ver Belleville finalizada. Mas esta não será uma tarefa fácil, tendo em vista de que Lucius não tem dinheiro e precisa cuidar dos estudos e dos problemas que surgem na faculdade. Se isso não fosse o suficiente para deixá-lo ainda mais aflito, Lucius descobre que um tio de Anabelle, que vai morar com a garota, maltrata a sobrinha.

Enquanto enfrenta a ferocidade do tio, Anabelle não desiste de realizar o sonho de seu pai de terminar Belleville, e Lucius, por sua vez, desesperado, tenta desvendar uma forma de ajudar a garota de lindos olhos do retrato que viu e que mora na mesma casa que ele, contudo 50 anos no passado.

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam o livro!

***

Belleville é o quarto livro escrito pelo autor Felipe Colbert, e foi publicado em 2014 pela Editora Novo Conceito. Confesso que as minhas expectativas para com a leitura não estavam altas. Não que eu acreditasse que a obra fosse ruim, apenas não me imaginei como seu público alvo, uma vez que pensei se tratar de um texto muito romântico, onde o casal protagonista se apaixona perdidamente à primeira vista e um se torna o ar que o outro respira. Um tipo de narrativa que eu não curto, entretanto, percebi que, felizmente eu estava redondamente enganado.

Logo nos primeiros capítulos, fui arrebatado pela história de Lucius e Anabelle, me envolvendo com seus dilemas e anseios. O texto, narrado em primeira pessoa, tem capítulos escritos de maneira intercalada entre os protagonistas, que foram caracterizados de maneira muito realista, já que o autor se preocupou em não criar pessoas perfeitas, mas sim, seres humanos com seus defeitos que são capazes de cometerem erros, mesmo quando só querem acertar e ajudar os outros.

A bravura sentida por Lucius e Anabelle, que querem superar seus obstáculos e alcançarem seus objetivos, é contagiante. Mesmo que não aprovemos algumas de suas atitudes, conseguimos compreendê-los ao nos imaginar vivendo a mesma situação. E podemos acompanhar a evolução do relacionamento dos protagonistas gradativamente, principalmente através da forma com a qual se correspondem pelas cartas.

Por falar nas cartas, não posso deixar de mencionar a atenção dada pelo Felipe nesse ponto da história, não só ao nos apresentar a mudança na forma como os protagonistas se falam, mas também no conflito existente entre as épocas, já que os personagens se encontram em períodos diferentes – ele está no ano de 2014 e ela em 1964. Nesse sentido, era de se imaginar que Lucius e Anabelle entrariam em algum tipo de atrito em relação a assuntos triviais, como, por exemplo, “o que é internet?”. Por este ângulo, o autor está de parabéns pela forma como lidou com estas questões, não deixando nenhuma ponta solta.

Em um panorama geral e detalhado, Belleville foi uma obra muito bem desenvolvida e que superou as minhas expectativas. Até o momento em que escrevi essa resenha, digo que esse foi o melhor livro que li em 2015. O Felipe e seu trabalho representam bem a qualidade da nossa literatura nacional. Recomendo essa leitura a todos.

PS.: Gostaria de dizer que é uma honra ter escrito minha primeira resenha para o Recanto da Mi (obrigado MIREEEEEEEEEEEELLE), ainda mais tendo sido do livro de um dos nossos grandes escritores nacionais, cuja história eu simplesmente amei!
 
Belleville - Felipe Colbert
Editora Novo Conceito
304 páginas 
Comprar: Amazon / Saraiva

2 comentários

  1. Oi Laplace!

    Eu comprei este livro no ano retrasado para levar para o Felipe autografar mas ainda não li! rsrsrsrsr
    Bom saber que vc gostou, isso só me deixa mais curiosa para lê-lo!

    Bjo bjo^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois então ler antes do Felipe autografar, porque aí tu já conversa com ele sobre a história e o momento do autógrafo será ainda mais emocionante. :)

      Excluir