Resenha - Eva

Resenha - Eva William P Young
Sinopse: "Num suspense emocionante, William P. Young, autor de A cabana (4,5 milhões de exemplares vendidos no Brasil) faz em seu novo livro uma abordagem totalmente nova e inspiradora da história da Criação. Fruto de mais de 40 anos de pesquisas, fiel aos textos bíblicos originais e com uma narrativa primorosa, Eva apresenta um ponto de vista humano e reconfortante de um dos episódios mais tristes das Escrituras: o momento em que o homem vira a face para Deus e é expulso do Paraíso. Com sua capacidade única de emocionar e fazer refletir, o autor trata de temas como perda, culpa, perdão e redenção, e cria uma alegoria sobre a importância de nossas escolhas, a verdade de nossas origens e o poder transformador do amor de Deus." 
John é um Catalogador. Há cem anos, ele habita em algum lugar entre o Céu e a Terra, registrando a data de chegada e a descrição de qualquer coisa que apareça no plano espiritual. Em todos esses anos, nada do que ele já viu se compara ao que acabou de aparecer diante de seus olhos: um contêiner de metal surgiu flutuando pelo mar, com os restos mortais de doze adolescentes que foram brutalmente assassinadas.

A tragédia pesa sobre todos os que presenciam a retirada dos corpos. Em uma dimensão superior aos acontecimentos da Terra, é difícil de lidar com os resquícios do que parece ter sido uma execução cruel cometida pelos homens. Como é possível que Deus ainda nos ame, quando somos capazes de comportamentos tão atrozes? 


John começa a examinar o local tentando conter as lágrimas de tristeza e compaixão pelo destino da humanidade. É neste momento em que ele encontra Lily Fields escondida no fundo do contêiner. A garota está encolhida, desmaiada e com os membros do corpo em uma posição irregular. Ela está claramente machucada, mas está viva e John assume o compromisso de acompanhar a sua recuperação.

Logo ao acordar, Lily não possui memórias do que lhe aconteceu, mas sabe que os seus ferimentos vão muito além do corpo mutilado. Dentro dela pesam a tristeza, a falta de confiança nas pessoas e um sentimento de inferioridade sempre tentando lembrá-la de que não é digna do amor de ninguém. Enquanto renova as suas forças em uma dimensão desconhecida, a adolescente constrói uma profunda amizade com John e é convidada por Eva a visitar o Jardim do Éden e testemunhar a verdadeira história da Criação.

Numa jornada espiritual repleta de suspense, Lily descobrirá o propósito de Deus para a humanidade e entenderá que, além dos traumas e feridas, há um papel único desempenhado por cada um de nós aqui na Terra. Esta revelação atingirá em cheio o coração de cada leitor... E determinará qual destino Lily irá seguir. 


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William P. Young surpreendeu a todos quando lançou A Cabana em meados de 2007. O livro foi originalmente publicado por uma pequena editora norte-americana e desafiou os leitores a adentrarem em um relacionamento íntimo e não religioso com Deus. A coragem em desnudar os sentimentos humanos e apresentar conceitos teológicos a partir de uma linguagem única foram os elementos que fizeram o escritor vender mais de 20 milhões de exemplares em todo o mundo.

Pois bem, William está de volta. E parece que não está com nenhum receio de provocar polêmicas ou ofender os conservadores de plantão. Em Eva, o autor traz um suspense que serve como pano de fundo para apresentar uma nova visão sobre o que aconteceu no Jardim do Éden

Durante mais de quarenta anos, William pesquisou nas Escrituras e em diversos textos sobre o que realmente levou a humanidade a ser corrompida pelo pecado. A explicação encontrada por ele é um tanto diferente daquela que ouvimos nas aulas de catecismo ou nas lições bíblicas da Escola Dominical. Por isso, antes de iniciar a leitura, é fundamental decidir manter a mente aberta e apertar os cintos de segurança. Como ficção, Eva funciona bem. Mas, teologicamente falando, pode gerar muitas controvérsias.

A história começa quando um contêiner é encontrado em um ponto entre o céu e a Terra. John é chamado para catalogar todos os objetos descobertos dentro do compartimento e se depara com uma garota chamada Lily, que está escondida no local. A jovem não se lembra de quem é e nem do que aconteceu para que acabasse tão machucada. Entretanto, a forma assustada como ela reage a tudo e a todos mostra que Lily não foi vítima apenas de um incidente trágico. Ela experimentou uma existência repleta de sofrimento e dor, que lhe causou uma profunda ferida espiritual.

De cara, já se percebe o primeiro tópico digno de destaque na trama, que é a construção dos personagens. A fragilidade de Lily não só conquista a nossa empatia imediata, como também reflete o aspecto da humanidade quando distante de Deus. Lily guarda traumas além dos que imagina e não se enxerga digna de ser amada ou considerada especial. Por trás dos complexos carregados pela garota, vemos claramente a geração a qual pertencemos, confusa a respeito de sua identidade e machucada pelas experiências tão cruéis que vivenciamos numa sociedade caótica e violenta. Por outro lado, John e Eva (Sim! A famosa Eva da Bíblia) são retratados com a mesma maestria empregada na descrição da Trindade em A Cabana.  São personagens fortes, bondosos, com ações e diálogos muito bem pensados e que transmitem uma paz impressionante ao leitor.

À medida em que Lily vai juntando as peças que desvendam a tragédia que lhe ocorreu, ela também é surpreendida com pequenas visões da Criação e descobre o que Deus tinha no coração quando planejou cada um de nós. Percebem a genialidade da coisa? William entrelaça a história de Lily com a de toda a humanidade, de uma forma que descobrimos não apenas sobre a protagonista, mas sobre nós mesmos. 

Para conseguir um resultado tão engenhoso, Young distribui a narrativa em três dimensões diferentes: o plano espiritual onde Lily está se recuperando, o Jardim do Éden e a própria Terra, onde descobriremos quem é Lily e o que acontece com ela. Confesso que no começo do livro fiquei meio perdida, sem entender onde era o quê e quase dei um nó em meus neurônios. Mas, quando finalmente me acostumei, passei a achar uma manobra brilhante.

Não há erros na narrativa de Eva. Todo o texto foi escrito em terceira pessoa e a Criação do mundo é descrita de uma maneira poderosa. O relacionamento de Deus com os homens possui o mesmo toque amoroso e intimista de A Cabana e os nossos sentimentos e fragilidades são expostos de uma maneira tão bela e franca que chega a ser assustador. Em minha opinião, o único deslize do livro é a complexidade da trama, que possui alguns símbolos incompreensíveis para a maioria do público (e que William não se incomoda em explicar para nós, reles mortais).  

A capa do exemplar está perfeita e as páginas iniciais de cada capítulo trazem pequenas maçãs que remetem ao fruto proibido. O trabalho da Arqueiro é competente e acima de qualquer reclamação.

Eva traz um relato sem precedentes da Criação do homem. Preparem-se para ver Deus amamentando Adão em seus seios (não me olhem assim!), um Querubim cortando o cordão umbilical do homem assim que Ele nasce e tantas outras coisas que não estão na Bíblia e que vão deixar os cabelos dos mais religiosos em pé. 

William faz as suas especulações teológicas na maior cara de pau. Pessoalmente, achei a história tão rica que não vi necessidade nenhuma de levantar essas polêmicas. Se o texto concordasse com todo o livro de Gênesis, ainda assim seria primoroso. Mas quem pode condenar um autor por expor as suas convicções? Se alguém não tem estômago para ver uma história bíblica ser “alterada”, talvez essa não seja a melhor opção de leitura. Todavia, quem conseguir encará-la como uma ficção, será agraciado com um enredo emocionante e muito bem escrito.

Caso vocês ainda não tenham comprado o presente de Natal de ou amigo secreto, Eva é a dica de hoje. Em tempos de tanta intolerância religiosa, as polêmicas não devem ser as protagonistas de história nenhuma. Independentemente do que aconteceu no Éden, a mensagem restauradora do Amor de Deus continua a mesma e foi descrita por William P. Young de uma maneira inesquecível. Eva não é A Cabana. Mas, olha...É quase isso. 

Eva - William P. Young
Editora Arqueiro
240 páginas
Comprar: Amazon / Saraiva

4 comentários

  1. Oi Lais!

    Quero muito ler este livro, pois me encantei com A Cabana e o mesmo está entre meus preferidos desde que li.
    Tenho certeza que Eva tbm me surpreenderá e me deixará louca para ler mais livros do autor!
    Ótima resenha! Bjo bjo^^

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  2. Oi!
    Quando vi a capa logo me interessei, então li a sinopse e murchei um pouco.
    O enredo é interessante, mas não sei se consigo encarar essas alterações, mas como é ficção vou aguardar para quando estiver com a mente mais aberta para esse tipo de texto.
    bjs

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  3. Bah, pela resenha o livro parece ser muito bom, fiquei bastante curiosa.

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  4. Eu preciso abrir a mente para este tipo de livro, mesmo que seja ficção acho que algumas coisas são aceitáveis para mudar, outras não e você falou das polêmicas desnecessárias né...
    Quem sabe eu posso dar uma chance para a leitura ;)

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