Resenha - Pines

Resenha - Pines
Sinopse: "O agente secreto americano Ethan Burke chega à aparentemente pacata cidade de Wayward Pines, em Idaho, Estados Unidos, com a missão de descobrir o que ocorreu com dois de seus colegas, que sumiram sem deixar rastro. Mas, ao chegar, Burke se envolve em um violento acidente de carro e acorda, dias depois, em um hospital da cidade sem sua carteira, seu celular e a pasta que continha os papéis secretos que o levaram até a região. Sem nenhum documento que conforme sua identidade, o agente não convence os moradores da cidade de que é quem diz ser. Para piorar a situação, ele não consegue contatar sua mulher e filho. Rapidamente, Burke percebe que nem tudo é o que parece ser em Wayward Pines e que o cenário bucólico do lugar esconde algo sinistro."
Um homem acorda, sozinho, desorientado, machucado, cheio de dores e no meio do mato. Sem saber onde estava e qual era o seu nome, sai a esmo pela cidade, em busca de informações, já que nos bolsos de sua roupa não há carteira, celular ou chaves para ajudá-lo a decifrar este mistério. As pessoas que perambulam pelas ruas parecem olhá-lo de um jeito esquisito. Será que o conhecem? Será que ele cometeu um crime ou foi assaltado? Ele espera, desesperadamente, que suas lembranças retornem para deixar de se sentir tão vulnerável e indefeso, mas nada disso acontece. A única coisa que passa pela sua mente é que gosta de café (que irônico), então se dirige à cafeteria local.

Lá, confirma não ser um cliente assíduo, e recusa a sugestão de ir para o hospital. Por que isso o amedronta? Decide, então, continuar investigando, ansiando para que reconheça algum dos nomes pintados nas caixinhas de correio das casas vitorianas da região. Realmente a palavra Mackenzie lhe chama atenção, e o incomoda. Por via das dúvidas, decide ir até a casa do proprietário e confrontá-lo, quando perde os sentidos e desmaia.

Cinco dias se passaram desde que Ethan Burke, agente do Serviço Secreto, chegou à Wayward Pines, uma pequena cidade de Idaho, rodeada de montanhas e lindos pinheiros, para sondar o sumiço de outros dois colegas de trabalho.

Wayward Pines era uma cidade sinistra, que parecia ter parado no tempo. As ruas estavam sempre vazias, os moradores eram forçadamente cordiais, os computadores e telefones dos estabelecimentos comerciais pareciam ser do século passado, assim como os penteados dos cabelos das mulheres. Ethan sentia-se transportado para a década de 50.

Ainda sem um local para dormir, com fome, com frio, fedido e sem identificação ou dinheiro, sendo tratado como louco pelos médicos locais e não recebendo ajuda alguma do xerife para contatar a família, e tendo a certeza de que não encontraria os agentes federais desaparecidos, Ethan decidiu que havia chegado a hora de ir embora do vilarejo, por bem ou por mal. Porém, antes disso, contrariando todas as possibilidades lógicas, Ethan avistou Kate ao longe, em meio a uma reunião ao ar livre na vizinhança, de braço dados com um homem mais velho.

Kate era justamente uma das agentes que ele procurava. Ambos haviam sido parceiros de trabalho em Seattle, e Kate estava desaparecida fazia 15 dias, desde que havia sido designada para uma missão em Wayward Pines. Mas como era possível que Kate tivesse envelhecido anos, casado com outro homem, e seus cabelos e o seu rosto sustentassem a marca do tempo, se há menos de duas semanas ela tinha 36 anos?

Será que Ethan estava mesmo ficando louco? Que segredos aquela cidadezinha estranha escondia por trás dos sorrisos alegres dos seus habitantes?

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

O meu interesse por Pines surgiu quando assisti ao primeiro episódio do seriado, baseado na obra de Blake Crouch e intitulado como Wayward Pines, nome do pequeno vilarejo onde Ethan vai parar depois de sofrer um acidente de trânsito. A série prometia ser uma mistura tensa de Lost com os filmes de Stephen King, e o episódio piloto cumpriu o seu papel me deixando completamente envolvida na trama, criando milhares de caraminholas na cabeça, na tentativa de matar as charadas que nos foram apresentadas.

Quando comecei a ler o livro, foi impossível não traçar comparativos entre as diferentes mídias. Apesar de o seriado aparentar estar se mantendo relativamente fiel à obra, é natural que tenha feito pequenas alterações, principalmente relacionadas às características dos personagens, algo que, particularmente, me deixa doida.

É óbvio que por ter visto a série antes, captei o aspecto visual que ela nos transmitiu, fazendo com que eu lesse o livro imaginando exatamente o cenário que "já conheço" e visualizando os personagens da forma com a qual os "conheci primeiramente". De certo modo, isso me atrapalhou um pouco, já que Pope não é negro, mas sim, um homem forte, alto e loiro bem claro e, ao contrário do que a TV nos mostra, Kate é velha e tem cabelos brancos, ao invés de ser um belíssima jovem ruiva.

Apesar desses detalhes que me incomodaram, porque eu não entendo por qual motivo os produtores têm a necessidade de alterar características básicas do enredo original, gostei bastante da escrita de Blake, em terceira pessoa, alternando o tempo verbal de acordo com o tempo da narrativa, ora no passado, ora no presente. Seu texto é bem direto, sem meandros, e a história escrita nos possibilitou conhecer mais a fundo a personalidade e os dramas pelos quais passam cada um dos personagens, em especial o nosso protagonista.

Ethan é um homem que por fora se mostra duro e valente, mas que carrega inúmeras cicatrizes no corpo e é assombrado por fantasmas do passado, da época em que teve que lutar na guerra e quase foi abatido. Casado e com um filho pequeno, mal tinha tempo de curtir a família, de tanto que trabalhava. Isso, naturalmente, criou um atrito no seu casamento. Entretanto, a perspectiva de que nunca mais os veria novamente se tornou a motivação de Burke para fugir de Pines. Porém, mal sabia ele que, uma vez em Wayward, se tornava impossível de escapar. 

Penso que se eu não tivesse visto a série, detectando as pistas que quiseram nos dar, talvez pudesse ter certa dificuldade de me ambientar no contexto da trama, já que ela é cheia de lacunas de propósito, ou, quem sabe, teria acreditado que Ethan é mesmo maluco e caísse mais facilmente nas armadilhas do autor. Seria interessante. Mas, isso nunca vou saber, já que tive uma primeira experiência com o roteiro antes.

Falando na trama de Pines, tenho um fascínio particular por todas as histórias que abordam as cidades de "mentira", com seus habitantes que mais se parecem com fantoches, que aparentam conspirar para aprisionar os novos visitantes ou deixá-los completamente malucos. Gosto dessa crítica que costuma existir por trás a respeito das "cidades de papel", das vidas alienadas que vivemos e do quanto a sociedade nos encarcera. Pines muito me lembrou do filme Mulheres Perfeitas, com Nicole Kidman, mas com uma dose extra de emoção, suspense e muita tensão.

Entretanto, a história vai muito além deste panorama. Enquanto lia, naturalmente, muitas dúvidas foram formuladas e, quanto mais me aproximava do final, com mais receio eu ficava de que nada me fosse respondido. Se vocês são curiosos feito eu, se controlem, porque a elucidação das questões se dá apenas nas últimas páginas. 

Eu estava pronta para dar quatro corações ao livro. Apesar de ter gostado da proposta, lá pelas tantas, me incomodei com as incansáveis cenas de perseguição e de ação contidas no texto, da metade para o final da obra. Não são ruins, ao contrário, Blake as descreveu fabulosamente. O problema sou eu, que prefiro histórias muito mais mentais do que operacionais. Porém, confesso que o autor conseguiu me dar uma bela rasteira, que me fez cair com a bunda no chão quando, finalmente, descobri o que havia por trás do mistério de Pines.

Comecei a ler a obra jurando se tratar de um suspense policial, quando me deparo com uma elaborada distopia de ficção científica com todos os elementos que tanto amo. Por essa eu realmente não esperava! E é óbvio, por se tratar de uma trilogia, concluí a leitura desesperada para saber o que vai acontecer em seguida. Espero que lancem a continuação em breve, só digo isso.

E para quem ficou com vontade de assistir a Wayward Pines, confiram o trailer abaixo e embarquem nessa viagem que os levará ao limite da insanidade.

Pines - Blake Crouch
Livro 01
Trilogia Wayward Pines
Editora Planeta
344 páginas
Comprar: Saraiva 

TRAILER



10 comentários

  1. Mi,nunca vi a série,nem li o livro,mas a sinopse já me ganhou.Que segredo sinistro pode ter em um lugar como Wayward Pines?Fico imaginando estando no tempo atual se sentir como se estivesse na década de 50 .Quando Ethan encontra Kate uma das agentes que ele procurava e que estava desaparecida a 15 dias ,só que ela apresentava ser bem mais velha e ter casado.Nossa,me pegou em cheio essa história!!!Realmente quando assistimos ou lemos algo as primeiras aparências é que ficam e quando tudo muda incomoda bastante.Gosto muito de personagens que se fazem duros e destemidos por fora,mas que por dentro carregam cicatrizes.Amo histórias com emoção, suspense e tensão.Que bom que as últimas páginas elucidam os fatos.Nossa distopia de ficção científica,entrou para minha lista de leitura e séries com certeza!!!Mil beijinhos!!!

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  2. Olá,
    Gosto dessas obras diferentes, essas distopias misturadas com ficção científica, eu juro que esperava outra coisa quando li a sinopse e vi a capa.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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  3. Eu não conhecia, mas depois da sinopse vou procurar encontrar o livro e a série para assistir!

    Amei o seu blog, e estou seguindo!

    Beijos,

    http://sweetlikecaramel.blogspot.com.br

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  4. Que blog lindo, mt organizado! Adorei a resenha, já tinha visto essa capa em algum lugar mas não sabia do que se tratava até agora. Sobre esse tipo de história: sou apaixonada! Já anoitei no bloco de notas do celular o título é uma leitura que, com certeza, vou realizar. http://meninadalivraria.blogspot.com.br/ da uma olhadinha! Bjs ps: se seguir deixa um coment p eu rtb

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  5. Oi Mi!
    Menina, que livro é esse? Eu quero!
    Bjks!
    http://www.historias-semfim.com/

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  6. Ficção cientifica e Distopia *-* Fiquei com muita vontade de ler. Não conhecia, mas a premissa é bem legal, a curiosidade está falando mais alto.
    Nunca havia ouvido falar do livro.
    Beijinhos Screepeer
    Screepeer

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  7. Mi do céu,
    Eu simplesmente amei essa série e sinto uma pena enorme que tenha sido cancelada da forma que terminou. Isso me deu um certo receio de ler o primeiro livro, por simplesmente amar a questão distópica apresentada, e o receio de a editora não dar continuidade na tradução da trilogia e eu ficar chupando dedo, querendo saber mais e mais, como aconteceu com o último episódio da série. O teor psicológico deve ser incrivelmente trabalhado no livro e isso me deixa extremamente curiosa... ai ai ai.
    Beijos
    Chrys Audi
    Blog Todas as coisas do meu mundo

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  8. Oii Mi, tudo bem? Quando a série estreou eu fiquei super ansiosa para assistir e assisti ao primeiro episódio, mas não senti vontade de dar prosseguimento... agora eu estou esperando ler o livro primeiro... e pelas mudanças que você citou, eu acho que farei exatamente isso.

    Não entendo porque mudam tanto a personalidade ou as aparências dos personagens, acho que é para ficar mais bonito visualmente para os telespectadores. Adoro essas histórias com cidades misteriosas e o enrendo me lembra um pouco de "Sob a Redoma" e "Haven" os dois baseados em livros do Stephen King... mas parece ser mais do que isso, mexe com o psicológico também e nos trás questionamentos.

    Com certeza eu poderia ficar um pouco incomodada por essas brechas na história, mas com certeza é por um bom motivo, e sou péssima em descobrir mistérios... então a todo o momento eu ficaria ansiosa para saber o que tem por trás dos mistérios da cidade. E adoro os dois tipos de leitura, as mais introspectivas e as com mais ação, então essas cenas intensas não me incomodariam.

    Adorei a resenha e agora quero ler o mais rápido possível!! Não sabia que era uma trilogia, mas enfim.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  9. Mi!
    Acompanhei alguns capítulos da série, mas nem sabia que tinha um livro em que foi baseado.
    O filme gostei, porque tem muita ação e mistério, porém como não assisti toda, não sei como foi o final.
    E se é distopia, melhor, gosto muito.
    “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.”(Érico Veríssimo)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  10. A série parece ser boa.
    bjs
    http://pettorres.blogspot.com.br

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