Resenha - Pergunte ao Pó

Resenha - Pergunte ao Pó
Sinopse: "História do alterego do autor, o escritor Arturo Bandini. Filho de imigrantes, Bandini é um jovem pretenso a escritor que se sente excluído da sociedade. Ele quer escrever sobre a vida e o amor, mesmo não tendo muita experiência sobre ambos, e se apaixona por uma linda garota. O romance se passa na Los Angeles da década de 1930. Fante é um dos mais importantes nomes da literatura americana e seus livros influenciaram a geração beat e muitos escritores, entre outros, Charles Bukowski."
Este livro poderia ser resumido em um nome: Arturo Bandini. Porque Arturo Bandini deveria dizer o suficiente, certo? Bom, o ego dele pensa que sim. Bandini é o infame protagonista de Pergunte ao Pó, livro escrito em primeira pessoa e que narra um breve período e algumas memórias do grande escritor de O cachorrinho riu.

O jovem, que há pouco adentrou a casa dos 20 anos, é um pouco poético e muito caótico. Ele se mudou para Los Angeles na esperança de alavancar sua carreira, entretanto, com apenas um conto publicado em toda sua vida, Bandini vive na miséria, com fome e brigando com a senhoria em virtude dos aluguéis atrasados. Não bastasse isso, Bandini ainda sofre de uma ausência aguda de inspiração e não consegue escrever uma linha sequer.

Todavia, seu ego é ainda maior que sua fome, e o escritor se considera nada mais, nada menos do que um gênio. Extremamente arrogante, cada centavo que conquista, seja pela boa vontade da mãe ou pelo grande esforço de seu editor, Hackmuth, é gasto na ostentação de um status que Bandini nunca possuiu. Sim, o jovem é delirante, pedante e insuportável, mas um personagem hilário.

A história do livro em si não é complexa. Ela narra o dia a dia de Bandini enquanto este se vangloria de seu único conto publicado e se apaixona por uma garçonete que ao mesmo tempo despreza e venera o Grande Hackmuth, editor que publica seus contos. Simples, mas brilhantemente escrito.

Pergunte ao Pó não é uma obra para qualquer leitor. Eu a recomendaria para os apreciadores dos clássicos, por ser uma leitura mais densa e mais elaborada artisticamente. Sim, porque John Fante não se tornou um dos grandes nomes da literatura por escrever histórias banais. 

Comecei a ler o livro questionando qual era, afinal, o objetivo da saga de Bandini, até me dar conta de que estava encantada por cada parágrafo irônico e sagaz escrito pelo autor, que brinca com os tempos verbais e com os tipo de narrativa tanto quanto o personagem divaga em suas ilusões por fama, poder e glória.

A nova edição brasileira de Pergunte ao Pó recebeu uma capa maravilhosa, super anos 50 e chamativa. No interior, o livro possui diagramação simples e é dividido em capítulos curtos. Com seu formato pequeno e apenas 200 páginas, ele até poderia oferecer uma leitura rápida, mas este não é o tipo de trama que o leitor devora em uma sentada.

Com prefácio escrito por ninguém menos do que Charles Buckowski, Pergunte ao Pó é uma obra inteligente e divertida, que prova que nem apenas de histórias de época e mocinhas apaixonantes vivem os clássicos.

Pergunte ao Pó - John Fante
Editora José Olympio
208 páginas
Comprar: Amazon

6 comentários

  1. Eu não conhecia esse escritor, mas como conheço os escritos de Charles Bukowski e acho incrível, fiquei bem interessada por esse livro.
    Adorei sua resenha e pretendo ler em breve.

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  2. Dany,esse livro parece ter um personagem um tanto quanto diferente uma combinação poética e caótica,vive na miséria,devendo o aluguel e teve apenas um conto seu publicado como escritor e hoje não possui mais inspiração ,sequer uma linha,porém possui um ego muito grande e arrogância,confesso que ele me despertou um misto de tristeza e raiva,mas ao saber que possui um ar hilário aliviou um pouco essa primeira impressão,se não bastasse ainda é apaixonado por uma garçonete ,que parece ser interessado por outro,gostei de saber da ironia e sagacidade de cada parágrafo isso despertou a minha curiosidade pela obra,gostei muito da capa,parece uma obra desafiadora para se ler.Beijos!!!

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  3. eu não conhecia o John Fante, que vergonha e o livro entra entre os clássicos!
    brincadeira com palavras e ironia é complicado, em especial em obras como essa que são traduzidas (tenho pena do tradutor!)
    deve ser o tipo de livro de 200 páginas que vc tem que ler com muita calma para não se perder. como eu quero muito dá uma esticada na minha lista de clássicos lidos por ele na lista

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  4. Oi!
    Adorei a proposta totalmente nova que esse livro nos trás ainda não conhecia a historia mais achei legal a ideia de a editora trazer uma nova versão e também adorei essa capa anos 50 ajuda a entrar na historia e fiquei muito curiosa pra conhecer um pouco mais do Arturo Bandini !!!

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  5. Dany!
    Muito bom ver uma obra mais elaborada diante de tantos livros fantásticos que andamos lendo. Não sou contra eles, de forma alguma, até gosto muito, porém ler um livro de tantos anos, que me parece atemporal e até poético, seria uma dádiva.
    Desejo uma ótima semana, cheia de luz e paz!
    “A alegria evita mil males e prolonga a vida.”(William Shakespeare)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista!

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  6. Não gostei, que personagem chato hein!
    Já não chega os da vida real ainda ter de ler um desses, não, não é pra mim, rs.
    bjs

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