Resenha - Fragmentados

Resenha - Fragmentados
Sinopse: "Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe. O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo."
Em um futuro não tão distante, o aborto é ilegal, mas os pais têm o direito de "se livrar" dos seus filhos que se tornaram um estorvo ou que nunca foram desejados, desde que os mesmos tenham idade entre 13 e 18 anos.

Esses pais acreditam não estarem fazendo mal algum, já que seus filhos, na verdade, não morrem. Eles são "fragmentados", despedaçados, e cada uma de suas partes é utilizada em algum tipo de transplante, ou seja, eles permanecem vivos, porém, no corpo de outra pessoa.

Connor Lassiter descobriu, sem querer, que será fragmentado. Depois de 16 anos, passando por várias instituições disciplinares, ele achava ter encontrado uma família que o amava, apesar do seu gênio forte e meio agressivo. Porém, seus pais adotivos assinaram a ordem de sua fragmentação e, para completar a injustiça, sairiam de férias para Bahamas no dia seguinte, talvez para se sentirem melhor.

Inconformado com a situação, Connor fugiu e rumou até a rodovia estadual, onde conseguiu carona com um caminhoneiro. Entretanto, ambos foram interceptados no meio do caminho pelos Juvis, e Connor não teve alternativa senão lutar pela sua vida, mesmo que isso significasse gerar um caos no trânsito, um sequestro e uma morte.

Risa Ward era uma jovem pianista muito talentosa, mas, infelizmente, nunca pôde realizar o seu sonho de tocar no Carnegie Hall. Certo dia, foi surpreendida com uma reunião na diretoria do colégio onde estudava, em que foi informada a respeito de sua iminente fragmentação. As Casas Estatais estavam abarrotadas de crianças abandonadas e não dispunham de verba suficiente para sustentar a todas. De tempos em tempos, uma "reciclagem" se fazia necessária e Risa, aos 15 anos, havia sido uma das "contempladas".

Escoltada por dois Juvis, Risa foi encaminhada para o Campo de Colheita Twin Lakes, juntamente com outros fragmentários. No entanto, o ônibus no qual estava se envolveu em um acidente logo após tentar desviar de um maluco que se meteu em sua frente. Tudo aconteceu muito rápido, Risa mal teve tempo de processar a freada e, quando se deu conta, já estavam fora da estrada. Aproveitando a confusão que se instaurou, Risa viu, diante de si, a oportunidade perfeita para escapar.

Levi Calder era um dízimo. Desde que nasceu, sempre soube que seria fragmentado quando completasse 13 anos e, com isso, teve tempo suficiente para se preparar emocionalmente para a grande missão que estava prestes a cumprir, em nome de Deus. Ao contrário dos demais fragmentários, Levi se orgulhava de sua situação, se sentia especial e mal via a hora de poder realizar o seu maior feito: se "doar" por um bem maior.

No dia seguinte a sua festa de aniversário, que foi um grande evento, Levi se despediu dos seus irmãos e foi levado pelos pais e pelo Pastor Dan até um dos Campos de Colheita. Todavia, assim que chegaram à interestadual, se viram em meio a um tiroteio. O pai de Levi foi obrigado a desacelerar e, de repente, um garoto mal encarado e perigoso arrancou Levi de dentro do carro, lhe fazendo de refém. Ao tentar escapar, Levi foi baleado e, rapidamente, perdeu a consciência.

Três fragmentários, completamente diferentes, têm seus destinos entrelaçados por um único objetivo: sobreviver. Será que eles irão conseguir?

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Fragmentados é, sem sombra de dúvidas, a melhor distopia de ficção científica que li nesse ano. Fui fisgada pela narrativa do autor, em terceira pessoa, logo nas primeiras linhas, e seduzida por uma premissa original e ousada que nos convida a pensar sobre a vida, a morte e Deus.

Quem tem o direito de tirar a vida de outrem? E em que momento e como isso deve ser feito? Só de pensar no conceito de fragmentação, já me arrepio toda, mas o pior é ter a noção de que isto não está longe da nossa realidade, levando em consideração não só o nível de tecnologia evoluída que dispomos hoje em dia na área dos transplantes, mas também o rumo para o qual está caminhando a humanidade.

Por mais que Neal tenha conseguido criar personagens fortes e com grandes histórias de superação e de transformação, confesso que durante a leitura o que mais me interessou foi descobrir os pormenores a respeito da fragmentação e do por que as pessoas continuavam se reproduzindo feito coelhos, e cada vez mais cedo, para depois descartarem seus filhos sem nenhum remorso.

O que acontece com essas crianças e adolescentes que são fragmentadas? Morrem? Desvanecessem, ou continuam existindo, cheias de vida, enxertadas no corpo de outra pessoa?
"O fato é que cem por cento da sua pessoa ainda estará vivo, só que em estado dividido. (...) Assim como o gelo se torna água, assim como a água se torna nuvens. Você vai viver, Risa. Só que de uma forma diferente."
Em seu texto, Neal traz discussões importantes à tona, sobre o aborto e o fim da vida, porém, com um enfoque diferente. Aqui, o autor tentou ser o mais neutro possível a fim de possibilitar aos leitores pró-vida e pró-escolha a análise das situações por ele trabalhadas sob o ponto de vista um do outro. Dando abertura a novos diálogos, será que os leitores manterão as suas opiniões iniciais?
"O que era pior, Risa frequentemente se perguntava: ter dezenas de milhares de bebês que ninguém queria ou silenciosamente fazê-los desaparecer antes mesmo que nascessem?"
Gostaria de bater palmas para a escrita de Shusterman. Ao optar elaborar o seu enredo no tempo presente, o autor fez com que tivéssemos a impressão de estar acompanhando tudo em tempo real, como se víssemos uma cobertura jornalística na televisão. Ademais, todos os capítulos se interligam de forma magistral, como se Neal estivesse tecendo uma colcha de retalhos, na medida em que a nova parte se conecta com a anterior, nos proporcionando perspectivas diferenciadas de uma mesma cena.

Para mim, Fragmentados reúne em um único volume tudo o que mais gosto em uma distopia. Se isso já não fosse o bastante, o autor ainda se utilizou de alguns fatos reais para nos impressionar, e não teve nem um pouco de pena dos personagens, me deixando aflita e chocada em diversas passagens.

Para a minha alegria, todas as pontas soltas da narrativa foram amarradas e os mistérios foram revelados no tempo certo. Apesar de já existirem 4 outros livros lá fora e 1 conto dessa série, e de não termos certeza "se" e "quando" a Editora Novo Conceito irá trazê-los para o Brasil, preciso dizer que fiquei muito satisfeita com o desfecho da trama.

Fragmentados é um livro perfeito para quem curte muita ação, aventura, bons debates e um pouco de romance. Entreguem-se a essa história um tanto quanto pirada, que os deixará com os nervos à flor da pele, temendo pelas suas vidas.

Fragmentados - Neal Shusterman
Livro 01
Série Unwind
Editora Novo Conceito
368 páginas
Comprar: Saraiva

9 comentários

  1. Eu tô louca pra ler esse livro *-* Já está anotado na minha wishlist,amo distopias <3 e amei sua resenha,beijos!

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  2. Mi,Quero muito ler fragmentados e acompanhar a luta pela vida dos personagens Connor ,Risa e porque não dizer Levi que apesar de ter aceitado tudo como uma missão,em sua frente surge um garoto que o faz de refém,não sabia que tinha romance.Ansiosa para conferir.Beijos!!!!

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  3. Assisti um Book Trailer de Fragmentados e simplesmente adorei, achei super interessante e um livro diferente de tudo que já li, e depois da sua resenha super positiva sobre o livro, não tem como não se interessar e adicionar na lista de leitura, tô super ansiosa para começar a ler esse livro, parece ser fantástico.

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  4. Tava super ansiosa para ler sua resenha e eu fiquei com mais vontade de comprar Fragmentados... Parece ser muito bom, bem com o tipo de narrativa que eu gosto. Lembra um pouco o filme A Ilha hehehehe! Já vai para minha lista de livros a serem lidos. :D

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  5. Mirelle!
    Acabei de ler Fragmentados e ainda estou chocada com a possibilidade dos seres serem fragmentados...
    É realmente um livro maravilhoso e não deixou nenhum ponto em aberto e adorei a criatividade nessa distopia.
    Agora aguardo o próximo.
    Uma semaninha mais que abençoada!
    “Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”(Machado de Assis)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista!

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  6. Oi!
    Gosto de distopias e achei essa historia bem original e muito criativa e a resenha me deixou com vontade de ler para poder conhecer melhor a escrita do Shusterman adorei o tom questionador dos livro e o modo como historia diferentes vão se conectando !!!!

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  7. gente eu adorei esse livro!
    eu tava meio chateada com distopias, sabe: não aparecia nada de novo. mas, eu dei uma chance para o fragmentados e adorei, a escrita é maravilhosa!eu pensava que era só eu que tinha ficado aflita pelos personagens. agora é esperar a NC trazer o resto

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  8. Eu ameeeeeei a premissa desse livro!
    Ainda não li, mas adorei essa história, e todas as resenhas dele que leio, comprovam como é bom!
    A capa é linda, mas achei meio desfocada.
    bjs

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  9. Oi Mi, tudo bem?

    Gostei bastante da sua resenha e tenho muita vontade de ler, já que amo distopia e o enredo dessa é bem interessante e diferente, embora seja bem cruel e o fato de o autor não poupar os personagens só aumenta mais ainda a tensão. Fiquei bem curiosa a respeito da Fragmentação e como os fragmentários tem diferentes visões disso tudo. Parece ser um livro que nos convida a várias reflexões e gostei de saber que tudo está interligado e que o final não deixa pontas soltas, mesmo sendo o primeiro livor de uma série.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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