Resenha - Red Hill

Resenha - Red Hill
Sinopse: "Para Scarlet, cuidar de suas duas filhas sozinha significa que lutar pelo amanhã é uma batalha diária. Nathan tem uma mulher, mas não se lembra o que é estar apaixonado; a única coisa que faz a volta para casa valer a pena é sua filha Zoe. A maior preocupação de Miranda é saber se seu carro tem espaço suficiente para sua irmã e seus amigos irem viajar no fim de semana, escapando das provas finais da faculdade. Quando a notícia de uma epidemia mortal se espalha, essas pessoas comuns se deparam com situações extraordinárias e, de repente, seus destinos se misturam. Percebendo que não conseguiriam fugir do perigo, Scarlet, Nathan, e Miranda procuram desesperadamente por abrigo no mesmo rancho isolado, o Red Hill. Emoções estão a flor da pele quando novos e velhos relacionamentos são testados diante do terrível inimigo – um inimigo que já não se lembra mais o que é ser humano. O que acontece quando aquele por quem você morreria, se transforma naquele que pode lhe destruir? Red Hill prende desde a primeira página e é impossível deixa-lo até o final surpreendente. Este é o melhor da autora Jamie McGuire!"

Scarlet estava no carro com as filhas quando ouviu a notícia, porém, a bagunça das duas meninas não permitiu que ela prestasse muita atenção quando as palavras que mudariam o mundo foram proferidas: os cadáveres que o gênio cientista Elias Klein tentava reanimar há anos haviam sido coletados e destruídos, mas uma nova epidemia se alastrava pela Europa.

Scarlet não quis acreditar, afinal, tantas histórias em quadrinhos e séries sobre os mortos-vivos tornaram o assunto uma piada. Quando deixou as filhas na escola, naquela manhã, não imaginava que esta seria a última vez que as veria. Ao chegar ao hospital, onde trabalhava como auxiliar de raio-x, as coisas logo começaram a esquentar. Casos improváveis e cada vez mais numerosos não paravam de surgir e, na TV, o noticiário informava que a epidemia de um novo tipo de gripe havia chegado ao país e estava se alastrando rapidamente.

Quando os primeiros corpos começaram a retornar da morte, Scarlet já havia encerrado seu turno, indo desesperadamente atrás das filhas. A esta altura, o ex-marido dela provavelmente já se dirigia com as meninas para a cidade de Anderson, onde passariam o final de semana. Scarlet precisava chegar lá de alguma forma para resgatá-las e levá-las para um local seguro, que deveria ser longe de aglomerados urbanos, onde a maioria da população estava sendo dizimada, retornando como os seres rastejantes, famintos por carne humana. 

Nathan estava no carro, aguardando a filha Zoe sair da escola, quando ouviu pelo rádio o alerta vermelho informando que o vírus havia chegado na cidade e que todos deveriam tentar se proteger. Abandonado pela esposa mais cedo, naquele mesmo dia, ele se viu sozinho com a missão de manter Zoe a salvo, sabendo que permanecer na região não seria uma boa opção.

O rancho Red Hill pertencia ao Dr. Hayes e situava-se no interior do Kansas. Refúgio da família, o destino era conhecido por amigos próximos e caçadores da região. Como grande colecionador de armas, Dr. Hayes possuía um grande arsenal no porão, além de dispensas sempre abastecidas. Esta seria a guarida perfeita para o caso de um apocalipse e, além dos seus parentes, conhecidos também cogitavam encontrar abrigo por lá.

Mas seria possível chegar a um local protegido quando o mundo desaba e existe um abismo de caos e morte no caminho? Descubram em Red Hill.

***

Red Hill é narrado em primeira pessoa, por três diferentes personagens. Scarlet é uma mãe divorciada, desesperada para encontrar as duas filhas, que estão com o pai quando o mundo chega ao fim. Nathan estava saindo do trabalho e pensando sobre como considerava a sua vida um desperdício quando se vê abandonado pela esposa e com a responsabilidade de encontrar um refúgio para manter a filha pequena em segurança. E Miranda, filha do Dr. Hayes, está presa no trânsito com a irmã e seus respectivos namorados, dirigindo-se para o rancho da família, quando mortos começam a atacar os veículos na estrada.

Nenhum deles estava preparado para um apocalipse zumbi. Isso é história de filme de terror, certo? Não da vida real. Porém, a realidade os pega desprevenidos e agora precisam correr para sobreviver ao inesperado. Seus destinos se cruzam pelas estradas interestaduais, mas uma regra parece ser clara para todos: em meio ao apocalipse, é cada um por si.

Enquanto lia Red Hill, confesso que a primeira metade do livro me deixou positivamente surpresa, tendo em vista que, quando comecei a lê-lo, não consegui parar. Admito que a minha curiosidade para ler Red Hill se deu em grande parte devido à autora e, apesar de saber que se tratava de um livro sobre apocalipse, não fazia ideia de que versava sobre um apocalipse zumbi. Este não é o tipo de história que normalmente me atrai, mas Jamie conseguiu deixar a narrativa bastante interessante e o “só mais um capítulo” funcionou tremendamente bem. Quando percebi, já estava na metade da obra e já eram mais de três horas da manhã.

Entretanto, a segunda parte da trama deixou a desejar, na minha opinião. Além de ter vários furos no enredo, me decepcionei um pouco com a inaceitável recarga infinita das armas. Afora isso, me deparei com diversas coincidências no texto que beiraram ao exagero, mas o pior, para mim, foi o final, que deixou um rombo na história. O leitor atento irá perceber isso. Esses "poréns" não chegaram a tornar o livro ruim, mas eu esperava mais da autora do aclamado Belo Desastre. Creio que, se ela contasse com bons leitores alfa durante a escrita para realizar a crítica do livro antes dele ficar pronto, as falhas contidas na história teriam sido facilmente corrigidas.

A opção de narrativa, feita sob diferentes pontos de vista, foi bastante acertada, mesmo tendo todos os personagens um destino comum. Encontramos diferentes visões, objetivos e personalidades durante a leitura. Scarlet é um tanto quanto surreal, já que de auxiliar de raio-x e mãe de família, transforma-se na versão feminina do Rambo quando os zumbis invadem a Terra. Em um filme, consigo vê-la facilmente interpretada por The Rock (Dwayne Johnson). Além disso, sua esperança inabalável e o perigo no qual coloca vários personagens é de dar nos nervos. Já Miranda e Nathan são mais realistas e pés no chão, como os demais.

Li comentários de pessoas questionando os romances contidos na obra, mas, a meu ver, as cenas ficaram bastante naturais. Não podemos ignorar o fato de que toda a situação catastrófica pode deixar as pessoas bastante carentes, e encontrar conforto em alguém que nos entende e nos apoia faz sentido. Todavia, devo salientar que Jamie não teve muita pena dos pares românticos de Red Hill.

Apesar de conter muitos detalhes no início do livro, eles foram se perdendo ao longo do tempo. Isso fez com que eu me desconectasse um pouco dos sentimentos dos protagonistas enquanto a história se aproximava do final, algo que prejudicou a minha leitura, uma vez que, o que a princípio me pareceu empolgante, se tornou um “vamos acabar logo com isso”.

Quanto ao exemplar, posso dizer que a capa de Red Hill é bastante sinistra e dá o tom tenso da trama. Em minha opinião, ficou perfeita. As orelhas do volume trazem opiniões diversas sobre a obra e contém informações sobre a autora. Com páginas amareladas e diagramação simples, os capítulos curtos que alternam a narrativa fornecem um ritmo rápido para a leitura. Apesar dos pesares, Red Hill é um livro que, depois de se ter em mãos, vocês só vão conseguir largá-lo quando chegarem ao fim.

Red Hill - Jamie McGuire
Editora Verus
350 páginas
Comprar: Saraiva 

7 comentários

  1. Dany,gostei da resenha e a achei bem criativa,mas não gosto de Zumbis,apesar de ter achado bastante criativo.Beijos!!!

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    1. Oi flor!
      Pois é, eu me surpreendi com Jamie escrevendo sobre zumbis, fui pega desprevenida. Mas apesar dos pesares a história foi bem legal.
      Grande beijo!

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  2. Adorei a resenha, é uma pena que tenham deixado alguns furos, estou bem curiosa para ler e concordo com voce sobe a capa, e acho que ficaria perfeita na estante.

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    1. Essa capa é muito linda, né Brenda? E quanto aos furos, apesar deles o livro ainda é bom, só são realmente uma pena, o livro poderia ter sido muito melhor sem eles.
      Grande beijo e boa leitura!

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  3. Oi, Dany!
    Estou muito ansiosa para ler esse livro. Assim como você, o fato de ser essa autora em questão aumentou minha curiosidade para ver o seu talento num gênero mais sinistro. :) Gostei de saber que a narrativa intercalada entre os personagens mantém a atenção do leitor… Adoro quando vamos prosseguindo na leitura na base do "só mais um capítulo", haha. Pena que, conforme o livro avança, sente-se essa ansiedade para cessar tantos detalhes e ir logo ao que interessa. Espero não me decepcionar.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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    1. Oi Fran!
      Pois é, menina, confesso que em termos de prender o leitor, esse me prendeu ainda mais que Belo desastre, mas não há comparação quanto a Belo Desastre ser MUITO melhor. Mas a Jamie me surpreendeu com uma boa história. Acredito que se ela tiver leitores alfa mais atentos para corrigir os furos nas histórias, ela pode se dar muito bem nesse estilo mais sombrio.
      Grande beijo!

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  4. nossa, eu fiquei muito surpreso quando fiquei sabendo que era a mesma autora de Belo Desastre, eu quase tive um surto de como ela trocou de mundo assim né?

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