Resenha - Bangalô 2: Hotel Beverly Hills

Resenha - Bangalô 2: Hotel Beverly Hills
Sinopse: "O agente literário de Tanya Harris liga com uma notícia bombástica: um famoso produtor de cinema quer que ela escreva o roteiro de seu próximo filme. E mais: a proposta inclui trabalhar hospedada no exuberante Bangalô 2 do Hotel Beverly Hills. De uma hora para outra Tanya precisa escolher se vai continuar com a rotina perfeita de escritora freelancer, dona de casa, esposa dedicada e mãe de família em São Francisco, ou se vai aceitar o convite e passar vários meses em Los Angeles, longe do marido e dos filhos, desestruturando a vida familiar para realizar um antigo sonho. Relutante e dividida, Tanya acaba aceitando o desafio. Mas será que tomou a decisão certa? Ao chegar a Hollywood, Tanya é envolvida por um mundo novo e intoxicante, e mergulha em um trabalho que exige mais dela do que poderia imaginar. Inevitavelmente, vai se afastando da família, que começa, aos poucos, a se desintegrar, e seu sonho se transforma em seu pior pesadelo. Será que Tanya conseguirá conciliar a vida pessoal e a profissional em meio a tantas demandas opostas? Ou uma reviravolta do destino vai garantir para sua vida uma cena final inesperada e digna de um filme vencedor do Oscar? Uma trama emocionante com um desfecho surpreendente!" 

Tanya era uma dedicada mãe de família que, por mais de 20 anos, conseguiu construir uma sólida carreira de sucesso como escritora, nas horas que tinha vagas. Tanya amava escrever, e sempre dava um jeito de elaborar seus contos e roteiros de novela enquanto seus filhos estavam na escola ou dormindo.

Apesar de estar sempre atarefada, afinal, não é fácil cuidar de três filhos, um marido e uma casa em tempo integral, nunca perdeu um sequer prazo que seu agente estipulava, nem que para isso precisasse ficar sem dormir.

Sua família sempre apoiou seu trabalho e tinha orgulho de suas vitórias, e Tanya gostava de ter certa independência financeira e ajudar Peter com as despesas da casa. Mas, apesar de viver a vida que sempre pediu a Deus, Tanya tinha um sonho que nunca conseguiu realizar: escrever um roteiro de cinema.

Certo dia, foi surpreendida por uma ligação que abalou o seu mundo. Douglas Wayne, um dos maiores produtores de Hollywood, a queria para escrever o roteiro de um livro que seria adaptado para os cinemas. Se aceitasse, Tanya receberia um pagamento astronômico e teria a grande chance de fazer parte de um projeto que poderia vir a receber um Oscar.

Entretanto, existia um "porém" nessa história. Sempre existe. Tanya não poderia trabalhar no roteiro em casa, entre um afazer doméstico e outro, como estava habituada. Ela teria que morar em Los Angeles por nove meses, no Bangalô 2, durante o período em que o filme estaria sendo produzido.

Tanya se viu entre a cruz e a espada. De um lado, sentiu-se muito envaidecida pelo convite e extasiada por ter a chance de fazer o que sempre quis, por outro, não conseguia se ver longe de Peter, Molly, Megan e Jason, ainda mais agora que o filho mais velho estava indo para a universidade e as gêmeas estavam no seu último ano letivo. A família precisava dela, não saberiam se virar sozinhos e ela não podia abandoná-los.

Tanya tinha medo de, ao aceitar essa oportunidade, deixar tudo o que mais amava para trás, correndo o risco de ganhar o desprezo dos filhos, perder o marido e perder a si mesma num universo tão glamoroso e distinto do seu.

Será que é possível conciliar as atividades domésticas e pessoais com as tarefas profissionais, ou essas são funções excludentes? Para se ter um, tem que se abrir mão do outro?
"Às vezes, não vemos o final do caminho no começo da jornada. Só nos resta segui-lo."
Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Quando li a sinopse de Bangalô 2 pela primeira vez, tive a sensação de me deparar com as obras que costumava ler antigamente e adorava, que abordavam o dilema da mulher moderna que tenta ser boa esposa, mãe presente, e uma profissional de destaque no mercado de trabalho.

Entretanto, quando comecei a lê-lo, fiquei chocada com a péssima qualidade de escrita da autora. A história, narrada em terceira pessoa, é rasa e fútil, o vocabulário é pobre e os parágrafos tremendamente repetitivos e enfadonhos. Tinha a sensação de ler algo que nunca saía do lugar, já que o enredo não avançava.

As primeira 100 páginas foram uma incrível tortura para mim. Não aguentava mais as lamúrias de Tanya sobre ter aceitado escrever o roteiro do filme e ser obrigada a abandonar a família. Ok, compreendo que esta não é uma decisão fácil, e que é complicado não se sentir culpada por aproveitar uma grande oportunidade enquanto seu marido e filhos são postos em segundo plano, de certo modo. Principalmente para uma mulher que abraçou seu papel de mãe e de esposa com tanto empenho, e se acostumou completamente com a rotina de dona de casa.

Não critico Tanya por colocar a família em primeiro lugar, ao contrário, no lugar dela eu provavelmente teria feito o mesmo e teria sido assolada pelas mesmas dúvidas. Critico a autora que decidiu escrever 100 páginas sobre isso, enquanto poderia ter sido muito mais sucinta e dado um maior dinamismo à trama.

Outra coisa que me incomodou demais foram os relatos exagerados sobre a perfeição que era a vida familiar de Tanya. A impressão que tinha é de que estava vendo um comercial daqueles de margarina, sem fim. Não duvido que existam casamentos tão incríveis quanto os de Tanya, ou filhos tão comportados e maravilhosos como os dela, mas perfeição demais é artificial e cansa, principalmente quando a autora insiste em bater sempre nas mesmas teclas.

Ademais, ao ler a sinopse, tive a impressão de que a história versaria sobre as experiências de Tanya em Hollywood, que nos divertiríamos com a sua rotina de trabalho e participações nas filmagens e que conheceríamos a fundo um mundo tão distante para nós, leitores, e para a protagonista. Mas não, o foco do livro, na verdade, são as complicadas relações românticas e interpessoais dos personagens, com ênfase no casamento, naturalmente.

Apesar do final ter sido relativamente "feliz", fiquei levemente insatisfeita com o rumo que o livro tomou. Para quê se focar tanto em criar uma família tão perfeitamente feliz a ponto de ser enjoativa para fazer a protagonista ter tantas decepções em seguida? Sim, entendi o contraponto que a autora quis fazer, mas ainda assim volto a dizer, o fez de maneira exagerada e desnecessária.

Agora, uma coisa tenho que concordar com Danielle: "Às vezes, a pior coisa que nos acontece se transforma numa bênção. Na hora não percebemos. Pode ser que você olhe para trás e perceba. Ou talvez olhe para trás e ache que foi apenas uma época horrível na sua vida." A questão é que as adversidades sempre nos dão a oportunidade de descobrir a nossa verdadeira essência e o caráter daqueles que estão ao nosso redor, nos permitindo recomeçar e deletar das nossas vidas aquilo que não nos faz mais bem. Talvez se não fosse pelas dificuldades, permaneceríamos vivendo na ignorância ou na ilusão da perfeição.

Curiosamente, senti uma enorme contradição enquanto lia Bangalô 2. Por mais que tenha ficado claro o quanto muitos detalhes na escrita e na trama me incomodaram, gostei de Tanya e torci para que tudo desse certo com ela. Justamente por isso não parei de ler, porque tinha esperanças de que Danielle pudesse vir a me surpreender.

Infelizmente não posso dizer que este é um livro que recomendo, porém, por saber o quanto a autora é tão amada e elogiada mundo afora, tenho certeza de que muitas leitoras irão gostar da obra. Só posso dizer, leiam e tirem as suas próprias conclusões.

Bangalô 2: Hotel Bervely Hills - Danielle Steel
Editora Record
352 páginas
Comprar: Saraiva

4 comentários

  1. Eu li Anel de Noivado e curti, quando soube de Bangalô 2 - fiquei empolgada, a sinopse é interessante, o livro fala sobre um drama moderno que muitas mulheres enfrentam, mas se tem uma coisa que me incomoda é isso de um autor prolongar um assunto demais, tornando a trama arrastada e cansativa. Isso desmotiva demais! Preciso ler para tirar minhas próprias ideias e ver se isso vai me incomodar.

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  2. Eu já algumas outras boas histórias da autora... mas realmente personagens que lamentam demais não é para mim... se a vida dela era tão perfeita acredito que a mesma devia ter ficado com a família ( e assim não teria livro kkkkk).

    Quando o autor enrola, enrola e não diz nada dá uma vontade de jogar o livro pro ar e ir ler outro..
    caso eu ganhe ele numa promoção eu leio.. de outra forma.. acho que ele passa longe da lista..

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  3. Li alguns livros da danielle steel quando tinha uns 23 anos mais ou menos, lembro que tudo terminava sempre muito certinho e eu ficava com vontade de ler uma biografia logo depois para sair daquele conto de fadas, sempre senti isso também Mirelle. Mesmo assim eu pegava todo livro dela como uma romântica incontestável que sou, depois minha vida mudou e um leque de possibilidades se abriu na minha frente quando encontrei uma ótima biblioteca que tinha no meu bairro. Agora adquiro meus livros e passo horas lendo de tudo um pouco. Quem sabe o Bangalô ainda seja um deles, acredito que sim.
    Beijos
    http://scraplivros.blogspot.com.br/

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  4. Mirelle,já li muitas obras da Danielle Stell,porém essa eu não conhecia ,a premissa parece interessante irei ler e assim que puder lhe direi o que achei .Bjs!!!

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