Papo de Sexta com Marina Carvalho - O “mundo das ideias” não existe

Papo de Sexta com Marina Carvalho - O “mundo das ideias” não existe
Olá, leitores do Recanto da Mi! Faz algumas semanas que não apareço porque ando envolvida com minhas inúmeras atividades, o que me toma todo o tempo que tenho. Mas hoje consegui a brecha que precisava para escrever este texto, cujo assunto me surgiu ao responder a uma pergunta que me fazem constantemente: “De onde vem minha inspiração?”

As ideias para os meus livros nascem a partir do meu olhar atento para o mundo ao meu redor. Isso significa que, por ser muito observadora, aproveito situações do dia a dia para elaborar meus enredos, o que inclui fatos da vida real – acontecimentos cômicos ou inusitados, com potencial para se transformar em histórias. Além disso, cenas de filmes, algumas leituras e música costumam acionar o botão da criatividade dentro de mim.

Isso não significa que eu não precise fazer a minha parte. Na verdade, eu sou a maior responsável por minha inspiração. Não sou de ficar apreciando a natureza, o cosmo ou algo assim, à espera de ser atingida por um raio inspirador certeiro. No meu caso, sem método, não consigo chegar a lugar algum. Logo, necessito de um norte, chamado PLANEJAMENTO.

Assim que tenho uma ideia e encontro nela potencial para se transformar em livro, debato comigo mesma – e, muitas vezes, com outras pessoas – as possibilidades de desenvolvimento da trama. Em seguida, coloco tudo no papel, em forma de premissa. Abro um arquivo no Power Point e relato minhas pretensões para a história. Não me permito ser sucinta. Quanto mais detalhes aponto, mais fácil se torna a segunda etapa do processo, que é...

... o resumo dos capítulos. Nesse momento eu prefiro a velha técnica da escrita a mão. Compro um caderno bonito e uso as folhas dele para desenvolver minhas ideias em forma de cenas. É a parte mais trabalhosa, pois exige de mim um conhecimento amplo da história e de todos os seus principais elementos: tipo de narrador, cenários, personagens, tempo.

Quando tudo isso fica pronto, só então começo a dar vida ao novo livro, recheando os resumos dos capítulos de modo que se tornem um texto completo.

Portanto essa impressão de que o autor sai de si mesmo para viajar até um mundo da imaginação, de onde traz sua inspiração como se ela fosse uma mercadoria encontrada em prateleiras não bate com a minha prática. Escrever, para mim, é muito mais trabalho, dedicação, pesquisa do que inspiração.

Se eu não contar com meu planejamento, posso esquecer! Não nascerá história alguma e eu ficarei frustrada comigo mesma.

E vocês? Na hora de escrever um texto, seja para a escola, para o vestibular, em blogs ou as próprias histórias, como se organizam? Quero saber. :)

Espero que tenham gostado da coluna de hoje.

Um abraço a todos e até a próxima!

5 comentários

  1. "Escrever, para mim, é muito mais trabalho, dedicação, pesquisa do que inspiração"

    Adorei essa frase, Marina! E todo o texto também. É bem como você fala, tem que se dedicar e ter em mente que ser escritor é um emprego, e com isso você deve trabalhar, independente de inspiração ou não.

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

    ResponderExcluir
  2. Sabe Marina, eu sonho demais! Já me disseram que pode ser algum desequilíbrio renal que me faz sonhar sempre e todos eles tem uma trilha sonora! Acordo com música na cabeça e tem dias que são músicas lindas de comerciais e bem repetitivas, mais como controlar isso, realmente não sei! Sonhos realmente me inspiram a fazer projetos dos mais variados, enfim é isso e se conhecer alguém assim, por favor me conte por que eu gostaria muito de trocar figurinhas.

    ResponderExcluir
  3. Acredito que pequenas partes, pequenas ideias podem surgir a qualquer momento, mas assim como você penso que para dar forma ao texto, para fazer com que essa historia ganhe vida o autor realmente precisa ter um bom planejamento e dedicação.

    ResponderExcluir
  4. Amor ,dedicação,criatividade ,emoção,mas acima de tudo empenho e profissionalismo ,eis a receita do sucesso !Admiro muito as obras da Marina,sentimos em cada página um pouco disso e muito mais!!!Bjs!!!

    ResponderExcluir
  5. Concordo com você Marina, eu também aproveito as situações do nosso cotidiano. Como boa observadora aproveito tudo, para elaborar minhas histórias. Além de colocar uma boa dose de paixão em cada uma delas. Sucesso Marina!

    ResponderExcluir