Resenha - Filme O Juiz

Resenha - Filme O Juiz
Sinopse: "Advogado de muito sucesso, Hank Palmer (Robert Downey Jr.) volta à cidade em que cresceu para o velório de sua mãe, que há muito não via. É recebido de forma hostil pela família e resolve ficar um pouco mais quando seu pai, veterano juiz, é apontado pela polícia como responsável pela morte de um homem que condenou há vinte anos. Mesmo não se entendendo com o pai, Hank debruça-se sobre o caso, mas os dois não conseguem conviver amigavelmente e a possibilidade de condenação aumenta a cada revelação."

Hank é um homem sem escrúpulos. Filho negligente, pai ausente e péssimo marido, só é bem-sucedido em sua profissão. Dentro dos tribunais é conhecido como aquele tipo de advogado que nunca perde uma causa, mesmo tendo como clientes a pior escória da humanidade. E não pensem que, ao botar a cabeça no travesseiro, ele tem alguma crise de consciência. Não. Como Hank diz, os inocentes não têm dinheiro para pagar seus honorários.

Certo dia, em meio a uma audiência, recebe uma chamada de voz dizendo que sua mãe morreu. Em razão disso, é obrigado a voltar para Carlinville, uma cidadezinha do interior da qual saiu quase que fugido, de tanto que a detestava, e nunca mais voltou.

Recebido com hostilidade por seu pai, Joseph, Juiz renomado da região, e por seus dois irmãos, Hank decide ficar por lá o mínimo possível. Porém, quando ele está embarcando de volta para casa, recebe a notícia de que seu pai está sendo acusado de homicídio e precisa de ajuda. Nada melhor do que contar com um bom advogado para ganhar uma causa dessas!

O problema é que o Juiz não se recorda do ocorrido. Nem mesmo ele sabe se atropelou ou não a vítima. O que, em princípio, aparentava ser uma causa ganha, adquire novos empecilhos no momento em que Joseph se demonstra um réu impossível de ser defendido.

Hank terá que acertar as contas com o passado e desvendar alguns segredos caso queira poupar seu pai de um fatídico destino.

Querem saber o que vai acontecer? Então vejam!

***

Por mais que eu tenha abandonado a advocacia, ainda me sinto fascinada por qualquer filme, série ou livro que envolva o universo jurídico, e assim que vi o trailer de O Juiz, fiquei doida para assistir, ainda mais tendo no elenco o talentosíssimo ator Robert Downey Jr.

Hank é o arquétipo de advogado no qual eu estava me transformado: frio, calculista e desumano. Sim, infelizmente é quase impossível não se deixar levar por um sistema corrupto em que, por mais que a gente tente lutar por justiça, somos esmagados sem dó nem piedade. Por isso não me surpreendi com o seu caráter, ou com a falta dele. Acreditem, o que mais tem por aí, dentro dos tribunais e escritórios de advocacia, são pessoas como Hank. Triste realidade.

O curioso é que seu pai aparentava ser uma pessoa correta e honorável. Por isso mesmo tinha medo de ser condenado, não só porque tal destino mancharia sua carreira, mas por que botaria em cheque todas as sentenças até então proferidas por ele.

Hank sabia que seu pai não estava bem. Havia acabado de perder o amor da sua vida e, muito provavelmente, voltara a beber, por mais que negasse, então era muito possível que Joseph fosse realmente culpado pelo crime que estava sendo acusado.

Mas Hank estava disposto a livrá-lo, o problema é que o Juiz não estava facilitando o trabalho do seu advogado. Ambos tinham uma incrível animosidade um para com o outro, e pelo visto remontava à infância de Hank. Ele percebeu que não conseguiria contar com a cooperação do pai se não acertasse suas diferenças com ele.

Uma das coisas de que mais gostei no filme, não foram as cenas de investigação ou de julgamento, por mais que tenham sido boas, mas sim os momentos pessoais e familiares envolvendo os personagens. Lá pelas tantas, Hank descobre o segredo de Joseph, e isso não só os aproxima como dá ensejo a algumas das passagens mais emocionantes e significativas do longa.

O Juiz não fala somente sobre as tentativas de Hank em inocentar seu pai, mas, principalmente, do que acontece com aqueles que decidem voltar para casa, depois de anos, e se abrem para os pequenos momentos em família e para a simplicidade de determinadas situações.

Longe da cidade grande e do seu status de advogado "do mal", Hank redescobriu como é curtir mais a filha, teve tempo de avaliar seu casamento, reencontrou seu primeiro amor e, finalmente, encontrou paz dentro de si mesmo.

O Juiz é um filme que expõe os dramas familiares pelos quais muitos de nós passamos cotidianamente, e mostra que é possível resgatarmos as nossas origens e adquirirmos um novo rumo na vida, desde que estejamos dispostos a isso.
"Às vezes, você tem que perdoar... para ser perdoado."
Título original: The Judge
Roteiro: Bill Dubuque e Nick Schenk
Direção: David Dobkin
141 minutos
TRAILER


2 comentários

  1. Provavelmente não é o melhor drama, mas certamente é uma história familiar que vai empolgar. A verdade é que O Juiz começa como um filme plano, o que talvez parece monótono, mas depois da história diz que é atraente para o resultado que você tem. Além de o negócio vale a pena rever.

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  2. O juiz, é sim uma ótima drama, perfeita atuação dos atores, uma história bem legal. Além disso esse drama tem uma pegada de comédia sarcástica, bem inteligente! Super recomendado.

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