Resenha - A Casa Assombrada

A Casa Assombrada John Boyne
Sinopse: "A Casa Assombrada - Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha e sem dinheiro suficiente para pagar o aluguel na cidade, ela se depara com o anúncio de um tal H. Bennet. Ele busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk – sem, no entanto, mencionar quantas são, quantos anos têm ou dar quaisquer outras explicações. Assim, ela larga o emprego de professora numa escola para meninas e ruma para o interior. Chegando a Gaudlin Hall, Eliza se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão lá. Não se veem criados. Ela logo constata que não há nenhum outro adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério. A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio tempo, fica intrigada com janelas que se fecham sem explicação, cortinas que se movem sozinhas e ventos desproporcionais soprando pela propriedade. E então coisas realmente assustadoras começam a acontecer…" 
 
Eliza Caine tinha acabado de perder o pai para uma doença rápida e mortal, seu último parente vivo. Sozinha no mundo, não tinha a quem recorrer para pedir conselhos ou para acalmar seu coração em luto. Forçada a sair do seu próprio lar, a única coisa que sabia é que não queria mais continuar vivendo em Londres.
"Estava totalmente sozinha. Se desaparecesse na calada da noite, se fosse assassinada ao voltar da escola um dia qualquer, não haveria ninguém que sentiria minha falta ou questionaria meu sumiço. O que me sobrou foi ser uma figura solitária."
Assim que viu uma oferta no jornal local feita por um tal de H. Bennet, de Gaudlin Hall, no condado de Norfolk, que requisitava uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças da casa, não pensou duas vezes ao se candidatar. 

Surpreendentemente, foi contratada de imediato, sem ao menos ser entrevistada, porque, pelo que parecia, o cargo precisava ser preenchido sem demora. Eliza juntou seus pertences e rumou até o pequeno vilarejo em Norfolk, porém, bastou pisar na estação de trem do seu destino para coisas estranhas começarem a acontecer. Ela teve certeza de ter sentido duas mãos empurrando-a em direção aos trilhos. Por pouco ela não foi atropelada.

Será que alguém havia tentado matá-la? Mas, por quê? Acreditando ser fruto da sua imaginação, foi em direção a Gaudlin Hall, sua futura morada, mas, ao invés de conhecer os donos da casa quando chegou, foram as crianças que a recepcionaram. Onde estavam seus pais e por que evitavam falar deles? Qual era o grande mistério que havia por trás daquela família que fazia com que todos do vilarejo a evitassem quando Eliza contava se tratar da nova Governanta dos Westerley?

Querem saber? Então leiam!

***

Faz muito, muitooo tempo em que escuto falar bem dos livros de John Boyne. Sempre tive vontade de ler algum, mas nunca tive a oportunidade, até agora. Quando soube do lançamento de A Casa Assombrada, fiquei maluca. Finalmente teria a chance não só de conhecer a escrita do autor, como também de me deliciar com uma história de terror, algo que adoro.

Antes de falar a minha opinião sobre o livro, quero deixar algumas coisas claras. Quando resenhamos alguma obra, nós blogueiros nos vemos na incumbência de avaliá-la criticamente, e isso não é nada fácil. Para eu conseguir dar uma nota a um livro, tento analisar diversos critérios até conseguir chegar a uma conclusão. Devo dizer que foi muito difícil para eu conseguir fazer isso com A Casa Assombrada, por diversos aspectos.

Primeiramente, tentei ser imparcial, examinando elementos mais técnicos, como: a escrita do autor, desenvolvimento da narrativa, construção dos personagens, originalidade do enredo, etc. Depois, tive que me perguntar o que a história significou para mim. Me apeguei ou me identifiquei com os personagens? Achei a história interessante? Mergulhei no mistério? Encontrei alguma dificuldade no texto? A trama me arrebatou?

E nossa, quanto mais eu me indagava, mais na dúvida eu me encontrava, porque fiquei completamente dividida entre as minhas próprias impressões. Doido isso né? E por que fiz todo esse preâmbulo? Somente para vocês terem noção de que não é fácil me colocar nessa posição e não a faço levianamente.

Dito isso, talvez fique mais fácil para eu dar as minhas justificativas para vocês, que serão um tanto contraditórias tendo em vista o meu sentimento misto em relação à história:

O livro A Casa Assombrada é narrado em primeira pessoa, por Eliza Cane, uma jovem de 21 anos que vive numa Londres de 1867, completamente machista, que ainda trata a mulher como um objeto e um ser mais frágil, vulnerável e facilmente impressionável.

A primeira dificuldade que enfrentei com a leitura foi me deparar com o linguajar adotado pelo escritor, que muito me lembrou dos exemplares de romance de época. Diferente do que costumo ler, achei o texto rebuscado, polido e formal demais, além de ter um desenvolvimento bem lento, algo que me deixou impaciente, já que sou ansiosa e gosto quando os livros vão direto ao ponto. 

Devo isso ao fato de eu estar acostumada demais com a escrita simples e direta dos exemplares infantojuvenis e jovens adultos. Então, quando pego um texto mais maduro, estranho. Entretanto, este estranhamento passou pouco antes da metade, quando me acostumei com a linguagem e me entreguei à trama.

Além de que, a diagramação também não ajudou. As letras são miúdas, o espaçamento é pequeno e os diálogos são marcados por aspas, algo que pessoalmente não aprecio, pois tenho dificuldade de identificá-los e me perco rapidamente em meio ao texto, principalmente quando os parágrafos são mais longos.

Quanto à história, eu sabia se tratar de uma trama de terror, portanto, estava esperando pelas cenas sinistras e pelos acontecimentos sobrenaturais no decorrer do texto. Queria me assustar e ficar nervosa, mas nada disso aconteceu. Quando estava prestes a dizer que o livro não havia me impressionado em nada, eis que me surpreendo com reações atípicas que tive na madrugada logo depois de lê-lo e ir dormir. Por duas vezes, acordei berrando, histérica. Na primeira, estava convencida de que tinha algo na cadeira do quarto e fiz meu marido acender a luz para me garantir de que não. Na segunda, tive certeza de ouvir barulhos de tiro do lado de fora da janela e, novamente, Junior teve que me acalmar. Então, fiquei pensando, bom, A Casa Assombrada pode não ter me causado nenhum efeito imediato, mas certamente afetou meu inconsciente, portanto, pontinhos para Boyne.

O problema, na minha opinião, é que, em boa parte do texto, o autor se limitou a escrever os dramas pessoais da personagem, remontando ao seu passado, ou focou-se na sua curiosidade infindável sobre os mistérios acerca de Gaudlin Hall, demorando para nos conceder respostas, ou alongou-se demais em diálogos arrastados e conversas desnecessárias que apenas atrasaram as cenas de clímax da trama. Isso me fez questionar, será que o livro é realmente uma história de terror ou este foi apenas um elemento inserido num enredo sobre outra coisa que não consegui entender?

Ademais, antes de começar a ler a obra, ouvi dizer que ela trataria de problemas sérios envolvendo abuso infantil, mas estes, novamente, na minha concepção, foram tratados de maneira tão superficial que se não soubesse de antemão, não teriam me chamado a atenção.

Certamente A Casa Assombrada daria um excelente filme. Esta é uma narrativa que seria bem melhor apreciada se fosse visual, com todos os efeitos que o cinema pode nos garantir. Todavia, por mais que o livro tenha sido bem escrito e eu tenha conseguido mergulhar na trama em razão do mistério que John nos propôs, senti que a história ali contada era apenas um repeteco repaginado de algo que já cansamos de ver por aí sobre casas mal assombradas. Isso sem mencionar o fato de que achei alguns componentes muito forçados e surreais, como os que envolveram a mãe das crianças, completamente obsessiva e passional por sua educação e bem-estar.

Mas, enfim, isso significa que o livro seja ruim? Não, de modo algum. Tenho certeza de que muitos irão amar e inclusive já vi muitas resenhas positivas por aí, apesar de outros o terem taxado de "chato" por ficarmos esperando acontecer algo de interessante a qualquer momento e nada. Portanto, queridos leitores, deixo para vocês decidirem se querem lê-lo. 

Embarquem numa era vitoriana e descubram até onde o amor e o ódio é capaz de nos levar por aqueles com quem nos preocupamos, e tirem as suas próprias conclusões sobre essa sombria história.

A Casa Assombrada - John Boyne
Editora Companhia das Letras
296 páginas 
Comprar: Saraiva

2 comentários

  1. Oi Mi,
    Também era louca para ler algo do John Boyne e fiquei apaixonada com a escrita dele quando li Fique Onde Está e Então Corra, saber que A Casa Assombrada se passa na época vitoriana me deu vontade de lê-lo.
    Beijocas ^^

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  2. Esse com certeza é meu estilo de livro.
    Não imaginava ser assim, sua resenha me deu muita vontade de ler!
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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