Resenha - Diário de um Banana

Resenha - Diário de um Banana
Sinopse: "Não é fácil ser criança. E ninguém sabe disso melhor do que Greg Heffley, que se vê mergulhado no ensino fundamental, onde fracotes subdesenvolvidos dividem os corredores com garotos que são mais altos, mais malvados e já se barbeiam. Em Diário de um Banana, o autor e ilustrados Jeff Kinney nos apresenta um herói improvável."

Greg Heffley é um menino que sonha em ser famoso. Somente por isso aceitou a ideia de sua mãe de escrever em um diário, que ele decidiu chamar de livro de memórias, para que pudesse registrar o seu dia a dia e, assim, evitar responder a perguntas idiotas o tempo inteiro feitas por repórteres inconvenientes.

Rodrick e Manny são seus dois irmãos. Rodrick é o filho mais velho e vive pregando peças em Greg, e Manny é o caçula, extremamente protegido, que vive passando ileso por qualquer encrenca na qual se mete. Totalmente injusto, segundo Greg.

Greg tem um único amigo, do qual tem vergonha e vive ridicularizando, chamado Rowley Jefferson, que é quem o ajuda a enfrentar os sufocos do ensino fundamental, vulgo, valentões, meninas chatas, aulas entediantes, etc. Greg e Rowley também se encontram depois das aulas, já que são vizinhos, e passam muito tempo juntos, jogando videogame e inventando coisas para fazer que geralmente acabam em grandes encrencas.

Tudo o que Greg mais quer é ser popular no colégio e lembrado para a posteridade e, para isso, ele fará qualquer coisa, independente das regras que terá que quebrar ou das pessoas que acabará magoando no meio do caminho. Mas será que ele aprenderá alguma lição disso tudo?

Bom, vocês terão que ler para saber.

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Faz MUITO tempo que os meus leitores mirins me pedem para ler e resenhar a série do Diário de um Banana. Desde que ganhei os dois primeiros volumes da Nathy, leitora do Blog, não pude mais fugir da raia. Então gente, finalmente eu li, mas sinto desapontá-los ao dizer que não consegui entender por que as crianças amam tanto essa história.

Greg cresceu numa família tipicamente americana e completamente desestruturada. Rodrick é um descerebrado, Manny é completamente mimado e Greg é negligenciado. Os pais não sabem nada do que se passa na vida dos filhos, não dialogam, não instruem, não fazem programas em família e ainda têm o hábito de discutir sobre como ensiná-los ou como determinar as regras de casa sem nunca chegarem a um ponto em comum. Ganha quem tiver mais garganta para gritar. Inconcebível.

Greg é um menino perdido na vida, desprovido de valores essenciais e preocupado apenas com coisas pormenores e fúteis. Seu pai o critica por ele ficar o dia todo jogando videogame, mas o que ele faz para incentivar o filho a realizar outras atividades? O leva para passear, compra um livro legal, o leva ao cinema? Não! Ele obriga Greg a sair de casa para fazer atividades ao ar livre e ser mais saudável, mas Greg não quer. Então o que ele faz? Vai para a casa do amigo jogar videogame e na volta corre no meio de alguns regadores para voltar "suado" para casa, deixando seu pai satisfeito com ele e consigo mesmo. Lamentável.

O único momento em que a mãe de Greg tentou conversar com ele e encorajá-lo a ser correto foi completamente patético. Depois, quando perguntou se Greg tinha tomado a escolha certa e ele disse que sim, foi recompensado com um sorvete, sendo que ele tinha feito algo realmente errado. Estes são apenas alguns dos exemplos de acontecimentos na trama que me deixaram atônita e destacaram o quanto a falta de diálogo, parceria e compreensão entre pais e filhos é pernicioso para ambos.

Greg é literalmente um banana, e este livro não podia ter um título melhor.

Enquanto lia a obra, narrada em primeira pessoa no formato exato de um diário, fiquei realmente preocupada. Não achei nada engraçado e cheguei a constatação de que esta obra não é para qualquer criança. Para lê-lo, é necessário que a meninada tenha o mínimo de compreensão do que é certo ou errado, caso contrário, as lições aqui aprendidas seriam nefastas.

Enquanto lia, uma amiga disse para eu me acalmar porque Greg aprenderia uma lição no final. Na minha visão, ele não aprendeu nada, porque na cabeça dele, ele não fez nada de errado e não tinha como comparar as suas atitudes. Greg apenas se valeu de uma oportunidade que achava que se daria bem, mas que no fim as coisas não saíram como ele previra.

Eu até entendo por que as crianças gostam tanto dessa história, afinal, muitas delas também passam por situações similares as de Greg, e é bom ver que não são as únicas que se dão mal. Me recuso a acreditar que o autor tenha escrito essa série sem um bom motivo. Para mim, ele justamente pegou todas as coisas que a garotada faz de errado para salientar os maus exemplos e como não se deve agir. O problema é que não sei se todos entenderão o recado.

Se a moral é ler um livro leve, divertido e despretensioso, bom, recomendo então a vocês, meus leitores mirins, as obras de David Walliams, que além de se divertirem, vocês realmente estarão aprendendo algo útil.

Na minha opinião, os únicos pontos positivos do livro ficam por conta da belíssima diagramação feita pela Editora, da edição em capa dura e das ilustrações contidas no texto.

Diário de um Banana faz um alerta importantíssimo para os pais e educadores. Tentem se colocar mais na pele das crianças, não ridicularizem ou pormenorizem seus problemas. Procurem entendê-los e expliquem que a maioria dos seus dilemas e receios são temporários. O colégio não dura para sempre, os valentões um dia sucumbem e ser popular na escola não ajuda a passar numa boa faculdade ou ser um profissional de qualidade.
"Ter milhões de amigos não é um milagre... O milagre é ter aquele amigo que ficará ao seu lado quando milhões estiverem contra você." - Autor desconhecido, 365 Dias Extraordinários, de R.J. Palacio. 
Diário de um Banana - Jeff Kinney
Livro 01
Editora V & R
217 páginas 
Comprar: Saraiva

1 comentários

  1. Eu li apenas o primeiro livro da série e confesso que também sou apaixonada mais pela diagramação da história do que pela própria narrativa. Eu já trabalhei com crianças e elas realmente AMAM esses livros, talvez por se identificarem com um momento, um personagem, o ambiente da escola, a forma em quadrinhos e etc... Só sei que dá vontade de colorir as ilustrações hehehe.

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