Resenha - Filme Livre

Resenha - Filme Livre
Sinopse: "Após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de heroína, Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico."

Cheryl nunca teve uma vida muito fácil. Seu pai era alcoólatra e batia em sua mãe, que sempre fez de tudo para defender a ela e ao irmão caçula. O dinheiro era escasso e o trabalho intenso, mas Bobbi conseguia encontrar um motivo para sorrir e cantar, para o espanto e incompreensão de Cheryl. Por mais que Cheryl amasse a mãe, de certo modo sentia-se ressentida por Bobbi aceitar a vida medíocre que levavam, trabalhando em turno integral como garçonete e dividindo as salas de aula na faculdade, afundadas em dívidas de crédito escolar.

Quando Bobbi foi diagnosticada com câncer e rapidamente faleceu, deixou Cheryl sem prumo. Bobbi sempre foi o grande amor da vida da garota. Sua mãe sempre soube como fazê-la sentir-se importante e a amou como ninguém. Agora o coração de Cheryl estava vazio e despedaçado, e ela não soube como viver com aquela imensa saudade.

Sendo assim, deixou-se afundar num buraco negro sem fim de luto, comiseração e autodestruição, tornando-se irreconhecível. Ao mesmo tempo em que ela se envergonhava de suas atitudes, sabendo que sua mãe, se estivesse viva, não as aprovaria, não conseguia dar um basta. Até o momento em que cansou de si mesma, dos seus próprios erros e foi em busca de redenção.

Numa atitude impulsiva, Cheryl decidiu caminhar mais de 1.770 quilômetros na Pacific Crest Trail (PCT) – trilha que atravessa a costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, em direção ao estado de Washington – sem qualquer companhia.
Resenha - Filme Livre Cheryl Strayed
Com muitos perigos pela frente e com o peso de sua própria consciência, Cheryl terá que decidir se segue adiante ou se desiste de vez logo na primeira esquina.

Querem saber o que vai acontecer? Então vejam!

***

Livre, além de ser baseado em fatos reais, é uma adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome, escrito por Cheryl Strayed. Lembro-me do lançamento da obra e do quanto sua premissa me chamou atenção, mas confesso que somente depois que vi o trailer do longa, estrelado pela minha queridíssima Reese Whiterspoon, é que fui seduzida de vez pela trama.

Cheryl era uma menina que tinha um norte na vida. As coisas podiam não ser fáceis para ela, mas Strayed corria atrás. Trabalhava muito, estudava e era casada, levando uma vida normal, sem grandes surpresas. Mas, depois que Bobbi faleceu, Cheryl tornou-se irreconhecível. Tudo o que ela mais queria era arrancar aquela dor de dentro do peito e descobriu que quando se drogava, conseguia sobreviver a mais um dia. Se isso não bastasse, começou a trair Paul com um homem atrás do outro. 

Ela já não ligava mais para as suas atitudes, muito menos se importava se estava ferindo pessoas que amava ou destruindo a sua vida. Cheryl só queria se anestesiar, se afundando cada vez mais. A jovem até tentou buscar tratamento, mas não achou que uma terapia fosse resolver seu problema. Porém, quando Paul pediu o divórcio, Cheryl percebeu que as coisas precisavam mudar. Ela estava sozinha no mundo e tudo o que mais queria era uma nova chance.
Resenha - Filme Livre Cheryl Strayed
Quem aqui nunca teve vontade de recomeçar do zero, ou então de dar um tempo e sumir no mundo? Foi exatamente o que Cheryl fez ao empacotar seus pertences e rumar até a trilha do PCT. Muitos podem dizer que foi algo digno de bravura, outros, entretanto, pensam ter sido um ato de covardia, de deixar tudo para trás e fugir dos problemas. Independente do ponto de vista, o importante foi que Cheryl fez algo por si mesma e decidiu, depois de muito tempo, pegar as rédeas da sua vida com as próprias mãos.

O longa já inicia de maneira marcante, com uma cena tão significativa que manteve os telespectadores mudos e hipnotizados pela intensidade do momento e, é claro, pela belíssima paisagem. No decorrer do filme, vamos acompanhando a aventura na qual Cheryl se mete e descobrindo mais sobre o seu passado e as suas mágoas, que vão sendo analisados em sua mente e no seu coração enquanto trava uma jornada pelo mundo, mas também dentro de si mesma.

Vocês podem estar pensando que Cheryl era uma andarilha experiente já que escolheu como seu primeiro desafio a trilha do PCT, mas não. Ela não podia estar mais despreparada. Sua mochila era uma confusão de itens inúteis que ela mal conseguia carregar, suas botas eram pequenas demais, e seu preparo físico era um tanto quanto precário. 
Resenha - Filme Livre Cheryl Strayed
Acho que nem ela mesma sabe como não desistiu nos oito primeiros quilômetros. Não é fácil ficar sozinha por tanto tempo, tendo como companhia apenas a sua consciência pesada, num ambiente inóspito e numa situação quase que primitiva. Mas Cheryl não desistiu e experimentou uma condição única de liberdade.

Durante o trajeto, Cheryl passou a ser conhecida pelos outros andarilhos e nômades e meio que virou uma atração local, afinal, até o momento, era a única mulher trilhando a PCT em meio a tantos homens. Assim, Cheryl conseguiu fazer algumas amizades e recebeu ajudas muito importantes que foram decisivas para a sua permanência na trilha e para a escolha do seu rumo final.

O que dizer de Reese? Ela está fantástica no papel. Por mais que a maioria a conheça apenas pelos seus filmes de humor, meio bobos (que por sinal também amo), a atriz tem amadurecido cada vez mais e desde que vi o filme Sem evidências, percebi que ela pode interpretar quem quiser, justamente pela versatilidade que possui de encarnar os mais diversos personagens.

A título de curiosidade, para quem não sabe, depois de conhecer seu atual marido, Cheryl teve dois filhos, sendo um deles uma menina, para quem deu o nome de Bobbi, homenageando a sua mãe. E Bobbi interpretou Cheryl pequena no filme, tendo, de certo modo, uma oportunidade de conhecer a avó que ela nunca viu.

E gente, que filme mais belo foi esse? Para quem curte lindas paisagens e uma viagem literalmente selvagem, vai se apaixonar por Livre e certamente vai ficar cheio de ideias na cabeça e com vontade de fazer algo parecido. Quando Livre acabou, eu estava anestesiada e desnorteada, sem conseguir processar todos os efeitos que a história causou em mim.

Perdi meu pai quando criança e, assim como Cheryl, enfrentei um período negro por muitos anos. Só hoje, olhando para trás, é que noto que todos os erros que cometi e toda a tentativa de chamar atenção, principalmente da minha mãe, foi por causa do luto.

Cada um processa as suas perdas do jeito que consegue, e Cheryl meio que exemplificou o que pode vir a acontecer com alguns quando se perde alguém que se ama. O importante não é como a pessoa reage frente à morte, mas o que ela faz quando decide abrir mão do período de luto. E quem nunca errou que atire a primeira pedra.

Livre é um filme muito humano e sensível, que retrata de maneira intimista os nossos sentimentos e pensamentos em relação à vida e à morte e nos mostra o poder da segunda chance e da expiação da nossa própria culpa. O filme está sendo lançado hoje, dia 15/01/2015 nos cinemas de todo o país. Aproveitem para assisti-lo e embarquem nessa jornada com Cheryl, enfrentem os seus próprios medos, perdoem-se e renasçam livres!

* Agradeço ao Espaço/Z por ter me proporcionado assistir ao filme em primeira mão, numa cabine de imprensa.

Título original:  Exodus: Gods and Kings
Roteiro: Cheryl Strayed e Nick Hornby
Direção: Jean-Marc Vallée
115 minutos
TRAILER


4 comentários

  1. Que lindo, Mi!
    Fiquei louca para ler o livro e também assistir ao filme (gosto de fazer isso).
    Obrigada pela dica!

    Beijos!

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  2. A Reese parece até outra atriz fazendo um papel de drama. Eu acho massa a história desse filme também e com certeza irei assisti-lo.

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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  3. Mi, esse filme parece ser bem forte. Estou bem curiosa para ver esse filme, mas para mim, é o tipo que gosto de assistir no sossego da minha casa e assimilar tudo com muita calma! Ver um filme forte desse e quando acaba a sessão, já entrar na agitação de pessoas indo de um lado pro outro quebra o clima do filme. Gosto de assistir e ficar remoendo a história por um tempinho! Sou doida, né?! Kkkkk...

    Beijinhos!
    www.citacaonumclick.com.br

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  4. Eu sabia da existência do livro, mas não tive interesse de ler ou de saber mais sobre a história e tal. Foi só quando saiu o trailer do filme que eu fiquei bem curiosa pra assistir. Gosto muito da Reese e é legal vê-la fazendo papéis fortes e desafiadores como esse, ela parece com a Cheryl Strayed rsrs. Eu gosto de filmes desse estilo, me fez lembrar de um chamado Natureza Selvagem. Assim que puder quero assistir Livre, parece ser bom!

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