Resenha - O que restou de mim

Resenha - O que restou de mim
Sinopse: "Addie e Eva são híbridas duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam."
Eva e Addie nasceram dividindo o mesmo corpo como ocorre com todas as crianças do mundo. Elas passaram a infância compartilhando as tarefas motoras ou se alternando no comando do corpo que habitavam, mas sabiam que quando a hora chegasse, por volta dos 6 anos de idade, uma das almas desvaneceria e a outra predominante estaria sozinha a partir de então.

Os híbridos, homens e mulheres cujas almas recessivas não desapareceram, são considerados uma ameaça na América. É assim há mais de 150 anos, quando a guerra contra os híbridos os erradicou do país, assim como proibiu a presença estrangeira em terras americanas, permanecendo lá apenas alguns poucos descendentes de imigrantes. De acordo com os noticiários, o restante do mundo seguia convivendo com a presença dos híbridos e isso resultou no caos que obrigou o país a erguer as barreiras de fronteira e se isolar do restante do planeta. Os híbridos são uma ameaça e ameaças não são toleráveis.

Aos 8 anos, Eva e Addie ainda não haviam se definido e, mesmo com os inúmeros tratamentos recebidos para auxiliá-las na transição, Eva permanecia por lá, apesar de que estava gradativamente perdendo o controle motor do corpo. Aos 12 anos, elas decidiram que sua única saída seria simular o total desvanecimento de Eva para que as duas pudessem seguir com suas vidas sem serem levadas para uma das inúmeras clínicas onde as pessoas que não haviam se definido viviam para o resto de suas vidas isoladas da sociedade.

Aos 15 anos, ambas estão em uma nova cidade, um lugar onde ninguém conhece sua família ou o estigma da demora na definição de Addie como alma dominante. Manter a farsa é fácil, uma vez que Eva tornou-se apenas uma voz na cabeça da irmã, que tem controle total do corpo que as duas dividem. Mas o segredo delas não parece ter sido tão bem guardado assim.

Addie passa a ser abordada com insistência por Hally, uma colega de descendência estrangeira que vive bastante isolada pelos demais alunos da escola. Cedendo às insistências de Eva em sua cabeça, Addie acaba se aproximando de Hally, que lhe revela um grande segredo, o qual pode auxiliar Eva a retomar sua parte de controle motor do corpo que elas dividem, mas também coloca as duas em grande risco de serem descobertas.

Com ataques terroristas de híbridos se tornando mais frequentes e a polícia fechando o cerco para descobri-los vivendo escondidos na sociedade, um passo em falso de Hally coloca tudo a perder. Agora Addie precisa lutar para salvar a própria vida, para que Eva que não seja tirada dela, e para salvar os amigos de um destino considerado justo pelo governo, mas que pode não ser exatamente o que se alega nas propagandas anti-híbridos e, certamente, pode acabar sendo fatal.

***

Romance de estreia da autora Kat Zhang, O que restou de mim faz parte da trilogia As Crônicas Híbridas e remete o leitor a um mundo paralelo onde as pessoas nascem com duas almas e, com o tempo, a alma recessiva acaba sumindo até que reste apenas uma comandando aquele determinado corpo. Na trama, os americanos vivem isolados e o cidadão comum não sabe ao certo o que se passa para além das fronteiras do país. Eles vivem em uma nação que se proclama livre de híbridos, seres que são considerados uma ameaça para si mesmos e para segurança da população.

Apesar do medo da não definição, Addie e Eva são adolescentes comuns e também brigam como duas irmãs normais, a diferença é que essas irmãs dividem o mesmo corpo. É um pouco estranho durante a narrativa ler Eva se referindo a partes do corpo como “nossa”, mas é fácil se habituar. Outra grande diferença é o fato de cada pessoa (quando se trata dos híbridos), serem na verdade duas, fazendo com que três corpos equivalham a seis pessoas.

A trama é narrada por Eva, em primeira pessoa, e ela fornece ao leitor um resumo de como foi sua vida com Addie até passar a ser apenas uma voz, presa dentro de um corpo sobre o qual ela não tinha qualquer tipo de controle. Eva não podia chorar suas próprias lágrimas ou expressar seu amor por ninguém. O corpo de Addie era sua prisão, mas a jovem não tinha coragem de se deixar esvanescer para descobrir o que aconteceria. Quando conhecem Hally e seu irmão Davon, Eva não consegue conter seu entusiasmo em aprender a como voltar a ter controle do corpo e acaba persuadindo Addie a permitir que os irmãos as treinem.

Mas as coisas não são tão fáceis e antes que Eva consiga ter domínio de qualquer movimento, os três são pegos e levados para a instituição Nornand, onde os experimentos mais absurdos são realizados com o objetivo de definir a alma predominante em humanos híbridos. Porém, este também é o local onde Addie e Eva conhecem outros híbridos, em sua maioria, que compartilham total controle motor do corpo no qual habitam. Assim, as irmãs aprendem que há mais para se saber sobre os híbridos do que imaginavam.

O que restou de mim tem um ritmo bastante lento e, apesar de a premissa ser bem interessante, penso que a autora poderia ter atribuído muito mais ação para a história, que acabou ficando excessivamente monótona.  Os conflitos e situações que perceptivelmente tinham a intenção de dar um gás para a trama não tiveram o efeito desejado, e o livro ficou carecendo de um drama maior que tirasse o fôlego do leitor. Até mesmo o pequeno romance que começa a ser construído é muito sutil e, cá entre nós, um romance entre duas pessoas cujos corpos são divididos por duas almas diferentes pode ser bastante promissor, mas a autora não soube explorar com maior profundidade o tema neste primeiro volume.

A capa deste primeiro livro da trilogia é a mesma da edição original americana e ficou uma graça e bastante delicada. As páginas são amareladas e o espaçamento simples, o que para mim, como leitora, torna-se um pouco cansativo, mas como o formato do livro é pequeno, as 316 páginas podem ser lidas com bastante rapidez.

Apesar de tudo, a premissa da obra ainda é interessante e, mesmo o enredo não tendo deixado grandes cliffhangers, pretendo dar uma chance para o segundo volume da trilogia, contando com o fato de que os acontecimentos sejam mais intensos devido à nova realidade na qual Eva e Addie se encontram na luta pela liberdade dos híbridos.

O que restou de mim - Kat Zhang
Livro 01
As Crônicas Híbridas
Editora Galera
320 páginas 
Comprar: Saraiva

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1 comentários

  1. Pelo título e a capa eu jurava que era só mais um romance de cortar os pulsos. Afinal, o título e a capa são bem dramáticos. A sinopse me fez mudar de ideia e instigou bastante para ler. Até que veio a resenha. kkkkk

    Não digo que eu não vá lê-lo, mas a narrativa monótona e o espaçamento simples com certeza não contam pontos positivos. Vou pensar mais sobre essa leitura.

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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