Resenha - Filme Êxodo: Deuses e Reis

Resenha - Filme Êxodo: Deuses e Reis
Estreia hoje, nos cinemas do Brasil, o filme Êxodo: Deuses e Reis, com direção de Ridley Scott. Êxodo dá continuidade à narrativa iniciada em Gênesis, sendo o segundo livro do Antigo Testamento e do Pentateuco/Torá. A sua autoria foi tradicionalmente atribuída ao profeta Moisés pela tradição judaico-cristã.

Resenha - Filme Êxodo: Deuses e Reis
Sinopse: “Êxodo – Deuses e Reis” é uma história sobre a coragem de um homem para derrubar o líder de um império. Usando efeitos 3D de imersão, Scott traz à vida a batalha entre Moisés (Christian Bale), no momento em que ele ascende contra o faraó Ramsés (Joel Edgerton), levando 600 mil escravos a uma jornada monumental para escapar do Egito e das pragas que o aterrorizam. No elenco estão ainda Sigourney Weaver, Ben Kingsley e John Turturro.

Há mais de 400 anos, o povo hebreu foi escravizado pelo Faraó do Egito, e foram obrigados a trabalharem nas construções das cidades de Pitom e Ramsés.

Tudo o que eles mais queriam era reconquistar sua liberdade e rumar para a Terra Prometida. Mas o Faraó não permitiria que isso acontecesse, principalmente depois que uma profecia foi feita, dizendo que entre os hebreus nasceria um menino que libertaria a todos os escravos e os tiraria do Egito. Assim sendo, ordenou que todos os primogênitos hebreus recém-nascidos fossem mortos, na esperança de que o futuro líder estivesse entre eles.

Moisés era conhecido como o príncipe do Egito. Apesar de não ser filho de sangue do Faraó, foi por ele criado como se fosse, crescendo ao lado do seu irmão adotivo, Ramsés, e aprendendo tudo o que um grande líder deveria saber. Moisés e Ramsés sempre se deram bem e compartilharam os palcos de batalha, encabeçando ataques que traziam glória para o Antigo Egito. Até uma nova profecia ser feita.
Resenha - Filme Êxodo: Deuses e Reis
Ramsés tinha medo de ser ofuscado pelo irmão, e começou a vê-lo com desconfiança e a sentir muito ciúmes, porque, no fundo, sabia que Moisés era muito mais competente para assumir o lugar do rei do que ele. Quando boatos surgiram no ar, indicando que Moisés era na verdade um hebreu, Ramsés viu naquilo a oportunidade de bani-lo de suas terras para todo o sempre.

Aturdido, tentando assimilar os acontecimentos recentes que destruíram a sua vida por completo, Moisés vai embora e enfrenta sozinho os caminhos traiçoeiros por onde passa. Só não imaginava encontrar Deus em suas andanças, que se revela e recruta o General para cumprir as suas ordens.

Agora cabe a Moisés voltar à sua cidade para liderar um exército de escravos e lutar contra o comando opressor de Ramsés. Até onde os Deuses e Reis são capazes de ir para manter o poder e conquistar a liberdade?

Querem saber o que vai acontecer? Então assistam ao filme!

***

Esta é, sem sombra de dúvidas, a minha história bíblica favorita. Sou apaixonada pelo desenho animado de O Príncipe do Egito e, desde que vi o trailer de Êxodo, fiquei encantada com essa produção.

Ao contrário do que imaginava, Êxodo recontou a história de Moisés sob uma perspectiva muito mais humana. Aqui, vemos um homem confuso e perdido, sem fé, tendo que se adaptar a uma nova realidade quando foi expulso de seu reino por Ramsés. O encontro que teve com Deus foi um tanto quanto peculiar. No longa, Deus foi interpretado por uma criança, que recrutou Moisés como seu General, sendo ele o único capaz de ajudá-Lo a libertar os hebreus de tantos séculos de escravidão.

A relação estabelecida entre Deus e Moisés não foi das melhores. Na maioria das vezes, discutiram e discordaram, e Moisés deixou claro que não baixaria a cabeça para alguém que considerava ser um mero mensageiro do Criador. Uma das coisas que não gostei, foi o fato de terem criado um Deus impiedoso, cruel e injusto, que, para mim, ficou parecendo um garotinho mimado, fazendo birra e não medindo esforços para alcançar seus objetivos, sem se preocupar com as consequências.
Resenha - Filme Êxodo: Deuses e Reis
Depois de aceitar seu fardo, Moisés abandonou a família e voltou para a sua terra. Lá, treinou os escravos e atacou o reinado do Faraó, que se recusava a libertar os hebreus, independente das perdas que teve. Deus decidiu medir forças com Moisés, mostrando o quanto as suas técnicas de "convencimento" eram ineficazes, enviando, assim, as dez pragas ao Egito.

Curiosamente, por mais que soubéssemos que tais calamidades eram frutos da vontade de Deus, o filme deu a entender que estas pragas não passavam de meras catástrofes ecológicas, retirando de Êxodo toda a magia que esta história possui. Por um lado, esta abordagem cinematográfica foi inusitada e interessante, por outro, me deixou completamente frustrada.

Para mim, a gota d'água foi quando Moisés "não abriu" o mar Vermelho para os hebreus atravessarem, quando rumavam para a Terra Prometida. Ok, entendi que, depois de terem dado tantas explicações racionais para os acontecimentos, ficariam totalmente fora do contexto se isso acontecesse. Mas gente, essa é a cena que mais amo em Êxodo!!! hehe.

Deixando as minhas decepções de lado, fiquei satisfeita com a interpretação dos protagonistas. Joel Edgerton está fantástico como Ramsés, dando vida a um jovem inseguro, mimado e invejoso que, ao mesmo tempo em que ama o irmão, quer vê-lo longe e neutralizado.

Christian Bale conseguiu emprestar ao Moisés todos os sentimentos intrinsecamente humanos de confusão, esperança  e serenidade quanto as suas próprias escolhas e convicções. Apesar de não ter incorporado o profeta Moisés, dando mais ênfase ao líder guerreiro do que ao líder espiritual, uma das cenas que mais me impressionou foi a do final, com Bale já mais velho, demonstrando profunda sabedoria de muitos anos de luta em seus olhos.

Independente das alterações feitas, Êxodo conseguiu tocar meu coração, já que fiquei hipnotizada com a complexidade das relações e das personalidades dos personagens trabalhadas na trama, principalmente dos irmãos rivais, Moisés e Ramsés. No fundo, o filme veio para nos lembrar o quanto homens e deuses podem ser nefastos ao povo, sendo os responsáveis por grandes batalhas e inúmeras mortes, em especial quando a liberdade ameaça o poder dos soberanos.
Resenha - Filme Êxodo: Deuses e Reis
Certamente, é um filme que vale a pena ser visto, independente se vocês gostam de cenas de ação, de um cenário incrivelmente elaborado, com figurinos lindos, ou de histórias bíblicas com belas lições de moral. Juntem a família, aproveitem a época de Natal, e vão aos cinemas assistir a Êxodo: Deuses e Reis.

* Agradeço ao Espaço/Z por ter me proporcionado assistir ao filme em primeira mão, numa cabine de imprensa.

Título original:  Exodus: Gods and Kings
Roteiro: Adam Cooper (II), Bill Collage e Steven Zaillian
Direção: Ridley Scott 
150 minutos
TRAILER


5 comentários

  1. Mirelle, voce conseguiu descrever exatamente o que entendi do filme. Os antigos filmes sempre usam magia, vamos assim dizer, na transformacao do rio em sangues, das bragas e da abertura do rio para a passagens dos hebreus. Neste filme , acreditamos mais em fatos da naturezas, ate porque estamos vivenciando muitos fatos da natureza atualmente, nao concorda?
    Eh um filme onde mostra a realidade como é mesmo! Um homem com defeitos, sem fé, sem direcao, mas com coragem pra enfrentar o que for vir.

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  2. Eu não vi o filme, mas já estava esperando que fossem feitas mudanças, como bem falasse que ocorreram. Ainda estou decidindo aqui se vou assisti-lo no cinema.

    Autor de A Página Certa
    www.laplacecavalcanti.com

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  3. Quero assistir, parece ser bom.

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  4. Parece um bom filme, Mi, mas não sei se eu encaro assiti-lo depois do que fizeram com a história de Noé. Sei lá, cresci assistindo adaptações fiéis de histórias bíblicas e a de Moisés é uma das mais bonitas. Não acho que deveria ser o tipo de história para uma grande produção, cheia de efeitos especiais e surpresas que não existem nas histórias bíblicas. Acho que as adaptações deveriam ser fiéis no roteiro e acrescentar coisas novas em outras áreas. A paixão de Cristo, por exemplo, foi um filme sobre Ele contado de uma forma um pouco mais realista e diferente dos filmes que estamos acostumados a assistir na sessão da tarde da sexta-feira santa. Não ofendeu nem mudou a história de Cristo, apenas a contou sob uma ótica um pouco diferente. Assim se faz uma boa adaptação. Outro exemplo mais banal são as Cinderelas da vida. Só eu devo ter assistido a uns 5 filmes diferentes de cinderelas, algumas mais romantizadas, outras mais moderninhas. Mas todas foram ótimas e conservaram a essência do conto.

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  5. Parece que o objetivo de Hollywood foi alcançado com a Rita Gusmão, dando a entender que as "Dez Pragas" não passaram de meras catástrofes da natureza e não obra de Deus. Foi isso que fizeram com "Noé", quase que o transformando em vilão em contra-partida a Cam, que terminou o filme como herói desbravador.

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