Resenha - Neusinha Brizola sem mintchura

Resenha - Neusinha Brizola Sem Mintchura
Sinopse: "Neusinha Brizola sem mintchura" (Ed. Interface Olympus) conta detalhes ainda desconhecidos de uma existência tumultuada, frequentemente exposta ao público – o vício em bebidas e drogas, a fuga com o namorado, aos 14 anos, as fotos para a Playboy, os romances rumorosos com jogadores de futebol, mafiosos e cantores e, não menos importante, a relação com o pai, Leonel Brizola, que, certa vez, desabafou: “É maravilhoso e também um inferno ser pai de Neusinha”. Para completar, textos de Paulo Coelho, Lucinha Araújo e Nelson Motta, que ajudam a reconstruir a história de uma das mais polêmicas cariocas."

Em 20 de novembro de 1954, veio ao mundo Neusa Maria Brizola, “de cabeça para baixo”, dentro do elevador de um hospital da capital gaúcha, Porto Alegre. Filha do então Deputado e em breve Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e sua esposa, Neusa Goulart Brizola, Neusinha nasceu carregando a bagagem de dois sobrenomes históricos para o país, e faria jus a eles escrevendo sua própria história.

Crescida no meio político, Neusinha desde pequena assistiu ao pai galgando cargos, de Deputado a Secretário Estadual e então Prefeito da cidade de Porto Alegre, até ser eleito Governador, quando a caçula tinha apenas 4 anos. Criada como uma princesa no Palácio Piratini, residência oficial do chefe de estado, Baía, como era chamada pela família, era mimada por todos e vivia cercada de riquezas e empregados que atendiam a todos os seus desejos. Era uma daminha educada e sempre presente nos compromissos públicos do pai, mas adorava aprontar das suas, especialmente quando isso envolvia a presença ilícita dos cães que tanto amava, dentro da área do Palácio.

Mas o conto de fadas não durou muito para a pequena Baía, e com o Golpe de 64, a família Brizola precisou se refugiar no Uruguai, onde viveu sob asilo político pelo período de 10 anos. A fuga do Brasil e a época de incertezas e provações dos primeiros meses no país vizinho, onde a família chegou a passar fome em um pequeno apartamento do qual pouco saíam, acabou por deixar marcas que mudariam a vida de Baía dali em diante. Ainda no colegial, ela teve sua primeira experiência com as drogas e tornou-se uma rebelde que acumulava notas ruins e brigava com professores e colegas até ser expulsa de diferentes escolas.

Aos 14 anos, após viajar pela Europa com a mãe devido à pressão militar Uruguaia para que a família saísse do país, Neusinha foi levada para um internato em Londres, onde se sentiu deslocada e sozinha até que, juntamente com suas colegas de quarto, se envolveu com garotos de um internato vizinho. Os encontros às escondidas e compartilhamento de drogas resultaram em uma relação amorosa com o filhinho de papai espanhol Paquito, que a levou para a Espanha onde logo em seguida seria presa por tráfico internacional de drogas ao servir de mula para o transporte de entorpecentes provenientes do Marrocos.

Seu aguardado baile de debutantes foi substituído por um pequeno bolo improvisado e dividido com as outras encarceradas em uma prisão feminina espanhola. Isso seria apenas o começo de uma longa lista de escândalos, prisões e abuso de entorpecentes que marcaram sua vida até o fim.

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ALERTA DE BABADO! Estou me perguntando quantas páginas dessa biografia consegui ler sem que em algum momento meu queixo caísse diante dos relatos contidos nelas. Em alguns instantes, cheguei a me perguntar se o livro seria realmente “Sem Mintchura”, conforme o título anuncia, pois o número de fatos inacreditáveis, porém plausíveis, contidos nele, são incontáveis.

Neusinha Brizola não é um nome conhecido pelos jovens dessa época, embora ainda hoje o nome de seu pai, Leonel Brizola, seja reconhecido e amplamente citado no meio político. Chego a acreditar que o nome dela tenha caído no esquecimento porque nossos pais não gostariam, exatamente, que seguíssemos o exemplo e tomássemos como alguém memorável uma pessoa cuja vida foi incrível, porém, pouco louvável, principalmente no que diz respeito à moral e os bons costumes. Apesar de as biografias não serem um gênero literário que me atraia muito, Neusinha beira a ficção, e fiquei embasbacada como alguém com tanta história para contar possa ser real e ter vivido aqui, em um ambiente tão familiar para a maioria de nós, gaúchos. Certamente valeu a leitura.

A biografada teve sua passagem pelo cenário musical brasileiro no ápice da rebeldia dos anos 80, e chegou a ser uma roqueira reconhecida, apesar de abandonar a carreira prematuramente. Ela foi amiga de grandes nomes do cenário artístico nacional como Cazuza, teve Paulo Coelho como seu produtor musical e, além destes, nos trouxe fofocas quentíssima sobre sua convivência com políticos e figuras famosas, de Pablo Escobar a Maradona e Narcisa Tamborindeguy.



Mãe de dois filhos de pais desconhecidos, sendo um de um traficante com quem foi casada e outro de um astro internacional do rock que jamais mencionou, criou as duas crianças em meio a escândalos, prisões, crises com drogas e tráfico. Sua trajetória é intensa e a biografia, ao mesmo tempo em que nos mostra a vida dessa personalidade esquecida pela geração jovem, reconta a história política de nosso país em um tempo bastante conturbado e pelos olhos de alguém que cresceu vivenciando suas múltiplas facetas, do luxo ao exílio, da crise à redenção. Mas acima de tudo, este livro me tocou profundamente ao analisá-lo e perceber o quanto tantos altos e baixos acabaram moldando a personalidade de uma criança que cresceu sofrendo tantas perdas e lutando para encontrar seu lugar no mundo, quando sequer seu país a queria.

Os autores dividiram o livro em tópicos pequenos e vão narrando as lembranças de uma senhora que, ciente da gravidade da doença que a acometia e que acabou por levá-la em 2011, antes da publicação desta biografia, revive seu passado marcante nos fazendo rir, nos deixando chocados e despertando uma grande empatia por esta desvairada que um dia escandalizou o Brasil, mas cuja presença certamente foi marcante na vida daqueles com quem conviveu.
 
Neusinha Brizola sem mintchura - Lucas Nobre e Fábio Fabrício Fabretti
Editora Interface Olympus
432 páginas

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16 comentários

  1. =O
    babaaado msmo hein!! kkkkkk
    Adoooro biografias! E pelo visto essa é bem engraçada!! hahaa
    Eu n conheço a Neusinha, mas pretendo conhecê-la em breve!! hehee
    Essas bio polêmicas sempre dão mto o q falar!

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  2. Oi Dany, como vai?
    Nossa nunca vi uma biografia tão polêmica.
    Eu nunca li uma e não sei se seria interessante ler.
    Quem sabe um dia, né?
    Beijos,


    www.enquantoestavalendo.com

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  3. KKKKKKKKK, gente! Eu ri só do título do livro heueheueheu. Deve ser uma loucura, não sei se eu faria a leitura... gosto de outros tipos de biografias, essa aí não me atraiu tanto assim. Quem sabe um dia eu leia.

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  4. Aos 14 anos ela ja fez de tudo nesta vida ! Meu deus
    Tudo que nao conseguir e nem quero fazer !
    Algumas coisa sao muuuito malucas
    ate demais pra mim hahahah

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  5. Não costumo ler biografias.
    E realmente eu não fazia ideia de quem era ela rsss mas já ouvi falar de seu pai.
    O livro pareceu bem interessante,e super divertido,mas não acho que eu vá me interessar.
    Bjus

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  6. Uau! Já ouvi o nome do pai dela, mas o dela... Nunca! Eu não gosto muito de biografias (nem as dos famosos) , mas eu tenho que admitir que essa me deixou super curiosa. E também deu pra ver que essa Neusinha aprontou bastante hem, e tem muita coisa pra contar!kkkk
    Eu vou guardar o título do livro pra quando eu tiver tempo!

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  7. Não gosto muito de biografias, e quando leio é porque realmente me interessa. Essa parece ser bem engraçada hein!?
    Bjokas Mi

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  8. Não sou fã de biografias mas essa sua resenha me deixou curiosa para dar uma conferida. Anotei na minha listinha de "um dia" para ler quando a minha pilha de leituras futuras diminuir um pouco.

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  9. Não gosto de biografias e por mais que essa parece legal, não tenho interesse! !

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  10. Não curto biografias e realmente nunca tinha ouvido falar dela, mas pelo jeito essa história é bem diferente de qualquer outra do gênero... O fato de se passar na época da ditadura me instiga a ler, mas não sei se daria conta de ver todas essas loucuras...
    Kisses =*

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  11. Nunca li uma biografia e nem ouvi falar dela MAS que vida em o-O cada coisa q aconteceu com ela heuheuhe de repente fiquei tristinho não acontece quase nd comigo t-t , olha a Dany ai dnv hueheuhu *-----*

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  12. Minha nossa que esse babado ai foi forte em, fiquei ai de boca aberta enquanto lia. Uma Biografia que vale a pena ser lido.

    Abçs :)

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  13. Oi Dany xD

    Genteeeeee que livro mais polêmicoo, mais polêmico quanto mamiiiilos kkkkk. Nunca li uma biografia, mas essa não vai ser minha primeira vez. Acho que só lerei uma biografia quando for de alguém eu realmente goste, sabe... que sou fã...

    Beijos, Lucas

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  14. Não a conhecia, só o Leonel Brizola. Mas achei interessante eu gosto de biografias e principalmente esta cheia de altos babados. Fiquei curiosa para ler.

    beijos

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  15. nao curto biografias , e nunca ouvi falar dela , meeeeu deus , com 14 anos fez tudo isso , jesus !

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  16. pense numa biografia que eu quero ler? É essa, já revirei mares e montanhas e não acho para comprar.

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