Resenha - 2083

Resenha - 2083Sinopse: "O fim dos livros de papel e tinta está próximo. Restarão poucos exemplares: as antiguidades valiosas ou as relíquias de família. Verdade? Ilusão? Fantasia? Imagine-se agora em 2083 e surpreenda-se: o livro eletrônico também não existe mais. O que restou das histórias e dos autores que admiramos? Desapareceram sem deixar vestígios? Não! Seria impossível destruir os textos que nos emocionaram, que nos fizeram viver melhor e nos tornaram mais humanos. Não se desespere, todos sobreviveram e você poderá conhecê-los bem perto, numa viagem de turismo... no modo amplificador de inteligência. Embarque na bibliotravel."

Imaginem um mundo sem livros! Eu que não ia querer viver num lugar desses...

Estamos no ano de 2083. Há muito tempo os livros de papel caíram em desuso. Com a proliferação dos livros digitais e a criação de eReaders, ler um livro na Cosmonet nunca foi tão fácil. Assim, os leitores deixaram de adquirir os livros físicos, as editoras pararam de imprimir tiragens, as livrarias fecharam as portas e as pessoas começaram a se desfazer de seus exemplares que só ocupavam espaço dentro de casa.

Vocês devem estar pensando "tudo culpa do ebook". Em parte, sim, mas então por que as pessoas simplesmente deixaram de ler, mesmo tendo ao seu alcance milhares de livros? Talvez, justamente por isso? O que aconteceu é que, muitos, passaram a ler poucos capítulos de cada título, e iam pulando de história em história sem realmente se entregarem a elas e verem sentido nas suas palavras, frases e enredo. Com isso, os livros deixaram de ser interessantes e as pessoas pararam de lê-los. Que triste.

Em 2083, conhecemos David, um jovem de 16 anos que mora com Pa e tem um cão robô de estimação chamado Nove. Pa e David nunca mais conversaram direito, desde a morte de Ma, que deixou um vazio imenso na vida dos dois. Até o telessensor transmitir uma notícia bombástica enquanto eles jantavam, assistindo ao telejornal: "Membros do Serviço Arqueológico - anunciou - encontraram, no interior de uma escavação, um depósito de livros de papel, em excelente estado de conservação."

Esta notícia aguçou a curiosidade de David. Livros.. o menino nunca tinha visto ou lido um livro antes e, ao perguntar para seu pai sobre como eram exatamente os livros, uma barreira invisível, antes transposta entre eles, se desfez. Pa contou que, quando jovem, ele e Ma eram leitores, apesar de não tão assíduos, e que seu avô era escritor. Para a surpresa de David, Pa ainda guardava um exemplar de A ilha dos livros perdidos, de Félix Valdés, dentro de uma urna lacrada a vácuo, criada para manter o livro intacto.

A bisbilhotice de David falou mais alto e, num dia em que Pa não estava em casa, o menino abriu a urna e o livro rapidamente se transformou em pó, por entre os seus dedos. Apesar de triste por não conseguir lê-lo, David estava determinado a embarcar numa história. E que tal viajar pela Bibliotravel, uma agência de turismo em que o leitor pode escolher a obra que quiser para viver na pele todas as emoções da trama?

David irá descobrir o quanto os livros podem mexer conosco, transformando as nossas vidas a ponto de não querermos viver mais na realidade.

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Desde que li a sinopse de 2083, imaginei que se tratasse de uma história especial, mas não estava preparada para encontrar uma trama tão cheia de significados, reflexões e incursões para outros livros como esta. Inicialmente, fiquei deliciada com o mundo tecnológico criado por Vicente, com bichinhos de estimação que são robôs, teleaulas que substituíram os colégios, roupas termo-ajustáveis, etc. 

Apesar de tanta inovação interessante, o mundo não "melhorou". O meio ambiente está cada vez mais degradado, já que muitas cidades estão se transformando em deserto, as pessoas estão ainda mais distantes, vendo-se apenas por meio de telas de computador, os seres humanos foram substituídos por imagens holográficas ou por máquinas, e os livros simplesmente foram esquecidos, algo que eu achei muito cruel de se fazer, modéstia a parte..hehe, mas que nos serve de alerta.

Este tema, por si só, já abriria uma boa margem para discussões, e tive a impressão de que, de certo modo, foi o que o autor quis fazer. Ele soube inserir no texto indagações interessantes sobre o papel do livro na vida do leitor, bem como, sobre a importância do autor na criação de uma história. Afinal, o quão importante os livros são para vocês? Vocês já pararam para pensar a fundo sobre isso? Tenho certeza de que 2083 os fará pensar sobre este e muitos outros assuntos.

Se tudo isso não bastasse para me fazer amar a obra, Vicente foi capaz de inserir no enredo uma pitada de mistério, relacionada à caça de David ao livro do bisavô, com muita aventura, representada por todas as jornadas feitas pelo menino na Bibliotravel. Em 2083, embarcamos, junto com David, no universo de Davi e Golias, Ilíada, Odisseia, Dom Quixote e Primeiro Amor.

Achei curioso o autor escolher livros tão antigos para serem retratados nesta história, mas talvez a sua escolha tenha sido proposital. Vicente não só quis dar a oportunidade a David de descobrir o melhor da literatura, mas aproveitou para apresentar aos jovens, livros que provavelmente eles nunca teriam vontade de ler antes. E confesso, apesar de já conhecer a maioria, fiquei louca de vontade de procurar muitos dos textos aqui citados para conferir com os meus próprios olhos os argumentos originais.

Vocês viram o quanto 2083 foi precioso para mim? Pois é.. mas os pontos positivos ainda não acabaram. Gente, acho que no fundo, o que mais me tocou neste enredo, foi ver a relação de David com Pa florescendo por causa dos livros. Era nítido que eles se amavam, mas foram os livros que os reuniu e, foi por meio deles, que David desvendou um mundo que ele não fazia ideia de que existisse.

Quando David visitou Primeiro Amor, cheguei a me arrepiar, porque ali ele não só se apaixonou por Zenaide, ansiando descontroladamente a viver aquele amor para sempre sem voltar para a realidade, como definitivamente selou a sua história de amor com os livros, e viu que não seria mais capaz de viver sem eles, já que uma vida sem livros não é vida. E o final da história foi muito significativo em diversos aspectos, principalmente nas linhas finais.

Mas eu não posso falar mais nada, até porque se torna impossível colocar em palavras tudo o que eu senti ao ler 2083. Portanto, vocês terão que conferir com seus próprios olhos o que estou querendo dizer. Preparem um balde de pipoca, aconcheguem-se num ambiente agradável, abram as páginas e as asas da imaginação, e embarquem nessa viagem deliciosa por dentro dos livros.. só não se esqueçam de depois voltar.. ou também não :P Encontro vocês por lá!

2083 - Vicente Muñoz Puelles
Editora Biruta  
140 páginas    
Comprar: Saraiva 
***
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10 comentários

  1. Ainda bem que não estamos em 2083 '-' Mds se acabar livros físicos eu piro rs!
    Gostei da resenha Mi,eu ganhei um livro semelhante a esse assunto do livro 2083 e gostei muito e espero gostar desse quando for o ler.

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  2. Oi Mirelle,
    Acho que não consigo imaginar um mundo sem livros, hahaha. Isso parece aterrorizante. Acho que o problema com o meio ambiente é algo que está muitíssimo longe de acabar, ou pelo menos, melhorar. A ideia de um animal/robô de estimação não me agrada, rs. O livro parece ser muito interessante e passar uma boa mensagem relaciona aos livros.
    Beijos

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  3. Oi Mi,
    Não quero vivenciar essa história nunca, como assim acabar com os livros?!
    Parece ser um bom livro, ainda não tinha visto nada parecido
    Deu para perceber que você gostou muito dele.
    Parabéns por mais uma resenha ótima :)
    Beijos,

    www.enquantoestavalendo.com

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  4. Ah,não consigo nem imaginar um mundo sem livros! Nossa, mas adorei a resenha Mi e principalmente o tema que o livro aborda, sobre livros mesmo e essa "extinção" . Vou adicionar a minha lista de desejados . Beijo

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  5. Fiquei apreensiva ao ler a sinopse, como assim o fim dos livros está próximo? hahaha Achei interessante essa história, fiquei louca de curiosidade para ler. Mais um título entrando na (cada vez maior) lista de "quero ler em breve". Bjs :-)

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  6. Não conhecia o livro, mas adorei o enredo e apesar de o livro ser pequeno parece ter bastante conteúdo não é mesmo?

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  7. Oi Mi,
    O livro parece ser muito belo e trata de um assunto que amo: livros, mas não sei se estou preparada para essa viagem cheia de significados =( por hora é um livro que não pretendo ler.
    Beijocas ^^

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  8. Acheii a historia bem original e bem feita!
    poderia ate vira filme

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  9. Adoro essas tramas que abordam o universo literário, seja ele através de citações de livros, ou falando sobre a vida de leitores, autores, livrarias, e por aí vai. Achei que essa sociedade tem uma pegada mais ficção científica, misturada com distopia, e isso me agradou bastante. Achei a ideia de citar livros mais antigos (inclusive para nós, em pleno 2014) bem interessante. Levando-se em conta o que estamos passando hoje, acho que em 2083, não existirão mais livros físicos. Ainda bem que não estarei mais vivo por lá. kkkkk

    @_Dom_Dom

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  10. Uau, Mi. Eu nunca imaginei isso, a extinção dos livros seria o fim, seria o fim de tudo.
    Mas fiquei intrigada para ler o livro e confesso que vou embarcar com você nessa aventura sim, nos encontramos por lá, quero muito saber como esse livro me passará essa visão.

    M&N | Desbrava(dores) de livros

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