Falando sobre a Bienal de SP #2 - O martírio da conquista de um autógrafo de Cassandra Clare

Olá pessoal! E aí, prontos para saber um pouco mais de como foram nossas aventuras na Bienal de SP? Aqui é a Dany, e hoje vim dividir com vocês meu relato sobre o martírio da conquista de um autógrafo de Cassandra Clare. Mesmo quem não esteve no Anhembi já deve ter lido nas redes sociais e blogs sobre o descontentamento geral dos fãs da autora sobre a distribuição das senhas e dos autógrafos. Minha experiência não foi muito diferente, mas teve um final muito feliz que vou dividir com vocês! 

Eu e a Mi já prevíamos que Cassandra Clare e Kiera Cass juntas autografando no mesmo dia na Bienal resultaria em filas homéricas no portão de entrada, e por este motivo, acordamos às cinco horas da manhã para começar nossa peregrinação. Eram aproximadamente 6h quando chegamos aos pavilhões onde acontece o evento e, para nossa surpresa, fomos informadas pelo segurança que efetuava a contagem de que mais de 900 pessoas estavam em nossa frente na fila. Preciso dizer que minhas esperanças começaram a se despedaçar ali mesmo? Mas dizem que certas pessoas nasceram viradas para a Lua, e nossa querida Mi certamente é uma delas! Em um bate papo rápido com o segurança da entrada de credenciados, ela descobriu que estavam liberando a passagem para o pessoal que possuía credencial ou ingresso de expositor, o que era nosso caso. E assim, fomos as primeiras a colocar os pés do lado de dentro dos pavilhões, ainda sem iluminação e com todos os estandes fechados!

Como a Mi e a Scheila, do Blog Guardiã da Meia-Noite, que estava conosco, queriam pegar uma senha para o autógrafo da Kiera, fui sozinha para o estande do Grupo Editorial Record, onde supostamente as senhas seriam entregues. Eu era a primeira da fila, que logo depois foi ficando maior com a chegada de outros fãs que também encontraram seu jeitinho de entrar no Anhembi ainda fechado. Os relatos eram dos mais variados, mas incluíam uma mulher que colocou os óculos e passou pela entrada de serviço das cozinheiras como se fosse alguém importante, até um pai que carregou caixas de legumes para dentro com o pessoal das entregas. Ao todo, às 9:30h, quando os portões foram abertos, somávamos em torno de 15 pessoas que já aguardavam do lado de dentro pelas senhas.
 
Obviamente os funcionários da Editora não ficaram nada felizes ao nos ver lá, e proibiram que ficássemos nas imediações do estante até a abertura dos portões. Devo acrescentar que isso não auxiliou muito no sentimento de pânico que todos nós já sentíamos ao ouvir os gritos que vinham do lado de fora, pois sabíamos que quando os portões se abrissem, começaria uma versão brasileira de Jogos Vorazes por uma senha.

9:30. Portões abertos. Gritos. Correria.

Ao chegar ao estande da editora fomos informados de que a fila havia mudado de lugar, e ido para o final daquele mesmo corredor. De primeira da fila às 6:30, acabei sendo a 16ª às 9:30, já que também precisei correr para encontrar o local correto e lidar com muita gente que simplesmente furava a ordem sem receio. Em poucos minutos milhares de pessoas já ocupavam a área onde as senhas seriam entregues e, após uma longa espera pela organização (não haviam seguranças, grades para contenção nem nada do gênero quando a fila se formou) de 10 em 10 fãs, eles iam nos levando para o estande da editora onde retiramos nossas pulseiras.
Eles entregaram os números das pulseis na ordem invertida
Com minha pulseira garantida, relaxei um pouco e fui encontrar a Mi. Descansamos, comemos um lanche que levamos nas mochilas e decidi deixar para assistir ao bate-papo da Cassandra Clare no dia seguinte, já que queria pegar outros autógrafos cujas sessões aconteciam naquele mesmo horário. No caminho, dei uma passada no estande da Record para saber mais detalhes sobre a sessão de autógrafos, e fui informada de que mais de mil senhas haviam sido distribuídas e o autógrafo, que antes seria nominal e em dois livros, e daria direito a uma foto com a autora, agora seria dado em apenas um livro, não nominal e sem foto.  “O quê??”
Acredito que eu não tenha sido a única, mas poxa, saí do Rio Grande do Sul tendo como ápice da minha viagem poder ter meus autógrafos nominais e uma foto com a Cassandra, e depois de toda a jornada, a bagunça da fila, a falta de alimentação e os riscos de andar na madrugada de SP eles mudam tudo? Fiquei imensamente frustrada e triste com a notícia, assim como muitos outros fãs. Quando fui para a fila do autógrafo, acredito que havia ainda mais gente do que o informado. Eram incontáveis pessoas com um marcador de livros na mão cujo verso estava carimbado com a palavra “Cancelado”, e que serviu de senha de acesso à área de autógrafos, além de algumas outras que, mesmo sem nada, tiveram sua entrada permitida para autografar seus livros. Havia famílias inteiras na fila para conseguir o autógrafo de todos os volumes da série.
De minha parte, considerei tudo uma tremenda falta de respeito com quem acordou cedo e ainda precisou disputar de forma ferrenha uma das 500 senhas que haviam sido anunciadas. Além de aguardar por horas na fila até conseguir um autógrafo, não tiramos fotos e éramos instruídos a chegar na frente da mesa já com o livro aberto para que a autora escrevesse seus dois "Cs". Apesar de toda a desorganização e falta de segurança (havia gente furando fila o tempo todo já que aquilo estava uma bagunça), a Cassandra não perdeu o bom humor, foi muito simpática e ainda abdicou dos 20 minutos de descanso provavelmente porque percebeu o desgaste dos fãs que aguardavam. Quando chegou minha vez, enquanto autografava meu exemplar de Anjo Mecânico, ela ainda perguntou “Então, qual deles você prefere, o Jem ou o Will?” e deu um sorrisinho. Como boa apaixonada pelos Harondale respondi “Will”, e a Ana que veio logo atrás de mim disse que preferia o Jem. Cassandra riu e disse “Que bom, então pelo menos entre vocês não há briga”.
Com o livro autografado na mão e o corpo moído por 16 horas de Bienal, fui embora feliz, porém muito frustrada pela forma como tudo aconteceu e por não ter conseguido o pacote completo que havia sido anunciado. Comentei com a Mi que estava fazendo muito esforço para não transferir minha frustração para a autora, que admiro tanto e cujos livros amo profundamente, mas estava muito aborrecida. Carreguei esse sentimento até a segunda de manhã, quando nos dirigimos ao aeroporto de Congonhas para voltar para casa e a sorte nos sorriu.

Seguindo para o portão de embarque, a Mi puxou meu braço e disse “Dany, não é a Cassandra ali?” Minha reação imediata foi: “Não, ela ia pro Rio ontem.”.

- “Dany, é sim!! Olha ali!!”

Tudo o que eu via era um borrão de cabelos vermelhos. Tenho fotofobia e astigmatismo, e o fato de a pessoa em questão estar sentada contra o aquário de observação da pista onde a claridade era intensa não ajudou muito. Até confirmarmos a identidade da autora permaneci em negação total. Não poderíamos ser tão sortudas, poderíamos?

Sim, poderíamos. Cassandra Clare nos recebeu com muito carinho. Ela é um doce e disse estar muito surpresa por ser abordada num aeroporto, especialmente por alguém que tinha um livro dela na bagagem de mão (agradeço a mim mesma por andar sempre com um livro à mão). Ela autografou meu exemplar de Princesa Mecânica nominalmente e tirou fotos comigo e com a Mi. Eu não sabia nem o que dizer. Falamos rapidamente sobre termos estado na Bienal para vê-la e o quanto a admirávamos. Além de sair com autógrafo nominal e fotos, ainda tivemos oportunidade de falar e abraçar a criadora de personagens que amo tanto.
Lágrimas, soluços e incredulidade. Foi nesse estado que a Mi me carregou pelo braço para dentro do avião. Depois de tanta frustração, minha história teve um final muito feliz e a sorte nos sorriu. Esse é o tipo de coisa que só acontece quando estou com a Mi, essa garota é meu talismã! Depois dessa, senhora Mirelle Candeloro, só te digo uma coisa: preciso encontrar a Verônica Roth! ;)

Mas fico chateada pelas tantas outras pessoas que passaram pela mesma situação que eu no sábado e não tiveram a oportunidade de realizar seu sonho como tive. Não é incrível como na Bienal havia milhares de pessoas se digladiando, chorando, sendo pisoteadas e passando mal apenas para vê-la e, no entanto, no aeroporto ela estava serenamente sentada na sala de embarque, acompanhada apenas por um representante da editora e mais outra pessoa, sem ninguém saber quem ela era? Coisas da vida. Mas que bom para nós, que pudemos realizar um sonho e ter um momento tão especial com essa pessoa incrível e doce que é Cassandra Clare.

Desejo a todos vocês a sorte de um momento como esse em suas vidas e jamais percam a esperança. Quem sabe quando a sorte irá lhes sorrir? ;)

Para quem não pôde ir na Bienal e ficaram morrendo de vontade de conferir um pouquinho sobre como foi o bate-papo de Cassandra Clare na Arena Cultural, assistam ao vídeo abaixo, publicado pelo Elielson Souza.


Vejam também a entrevista concedida por Cassandra, gravada pela equipe do Idris BR. Cuidado com os spoilers!



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23 comentários

  1. Olá Dany,
    Vi tantos comentários negativos, é verdade. Mas apesar de todos esses problemas, a sua história ainda terminou bem. Fico feliz por ter conseguido!
    Beijos.

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  2. Que inveja Dany de você! assisti os dois vídeos e neste último, da entrevista é incrível o quanto ela é divertida e simpática com todos! Quero um dia conhecê-la e espero que seja rápido! Beijo

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    1. Bia, ela é uma doçura!! Fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de chegar pertinho e falar com ela. Ela é muito meiga com os fãs. Estou torcendo por você! =)
      Beijão!

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  3. Que saga, Dany!!!! Mas como diz aquela frase: "Deus é pai, e não padrasto!".
    Que bom que depois de tudo o que vocês sofreram, vocês tiveram a recompensa de poder abraçar e tirar fotos com a Cassandra no aeroporto. A pena foram todos os outros que não tiveram essa sorte. Só espero que esse tumulto todo tenha servido de lição aos organizadores dos eventos.

    @_Dom_Dom

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    1. Verdade Nardonio. Lamento muito por quem não teve essa sorte pois sei exatamente como eles se sentem já que também estava me sentindo assim. Beijão!

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  4. Mas que burocracia danada, hein, Dany?!
    Mas pelo menos vocês conseguiram e ainda encontraram com ela de uma maneira incrível. Parabéns a vocês pela sorte, pelo autógrafo e a foto.

    M&N | Desbrava(dores) de livros

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  5. prova de que sem luta e sofrimento até mesmo um autografo não se consegue, pelo menos conseguiu!!!!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    1. E que sofrimento, Thaila! rssss Mas no fim deu tudo certo. beijão!

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  6. Oi Dany,
    Como está?
    Vi muita gente reclamando que ficou horas e horas na fila para no final ter apenas C____ C_____ em seu livros.
    Você nasceu realmente virada para lua, muita gente queria estar no seu lugar agora.
    Eu ficaria muito chateado, se isso acontecesse comigo.
    Muita falta de respeito.
    Mas no final, ficou tudo bem :)

    www.enquantoestavalendo.com

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    1. Oi Marcelo!
      Nem me fala, quando vi apenas os "C____ Cl_____" no meu livro depois de toda a maratona fiquei muito frustrada, mas a sorte nos sorriu depois =).
      Beijão!

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  7. Oi Dany,
    Chato isso de anunciar uma coisa e fazer outra? Sei lá, só acho que devia ter mais organização.
    Só a Mi e virada para a lua? Nãooo, você também viu? Como assim encontra a Cassandra no aeroporto? Nem precisava ter pegado a fila haha.
    Beijocas ^^

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    1. Oi Larissa! Ah é que essas coisas só acontecem quando a Mi está junto rssss. Essa menina é minha fonte de sorte =). Acabo virando sortuda também.
      Beijãozão!!

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  8. Quanta sorte ein, só vejo gente reclamando da falta de organização nessa bienal, achei que fosse ser um pouco mais organizado "/
    Mas ainda assim queria muito ter ido!

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    1. Realmente, Jéssica, teve MUITA falta de boa vontade e de organização nessa Bienal. Estou colocando todas as minhas esperanças no fato de que a péssima experiência desse ano faça com que muitas mudanças ocorram na próxima. Vamos aguardar e ver o que acontece...
      Beijão!

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  9. Nossa Dany, depois de tudo isso ainda encontrar a Cassandra no aeroporto! Sua vinda aqui pra Sampa não foi de toda em vão mas como você mesma disse foi uma pena a desorganização e uma falta de respeito com os outros fãs da autora. Tenho amigos que estavam lá no dia e saíram chateadíssimos. Que bom que pelo menos você conheceu sua autora favorita e ainda teve a chance de tirar uma foto, conversar com ela, pegar seu autógrafo. Bjs :-)

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  10. Oi tudo bem?? como vc tem sorte hein!
    Adooorei as fotos fico feliz que vc conheceu ela

    http://b-maluco.tk/

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  11. Dany estou emocionada! É tão bom realizar um sonho desses!!! Parabéns!!!

    Beijinhos!!!
    http://citacaonumclick.blogspot.com.br/

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  12. Nossa, que aventura...! Daria um ótimo livro srsrsr. Também sou apaixonado por Os Instrumentos Mortais e faria loucuras por um autógrafo. Quando anunciaram que ela e a Kiera viriam para a Bienal, já imaginei que algo não sairia como o planejado. Em alguns eventos sempre acontecem esses imprevistos de última hora, que deixam todo mundo frustrado. Mas que bom que você teve a sorte de encontrá-la no aeroporto, pois isso sim é que é ser sortuda. Parabéns! Já ganhou o ano com essa srsrsr
    Enfim, não sou de São Paulo, mas adoraria ter estado na Bienal. Seria um sonhos estar lá, mas, infelizmente, ainda não é possível.

    http://blogityours.blogspot.com.br/

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  13. ola Mi tudo bem? eu leio seu blog todos os dias e sobre a Bienal, estive no sábado dia 30, eu e minha sobrinha de 11 anos. Moro aqui em SP, não muito perto da bienal (ônibus, trem e três baldeações para o metro) parece muuuuito distante mas isso levou 1:30. chegamos na bienal, já lotada e logo de cara demos com Mauricio de Souza dando autógrafos. Ficamos num lugar estratégico e como as senhas já haviam acabado, tivemos a sorte de encontrar uma representante da Panini e ela nos deu a dica: não saiam daí que Mauricio, Monica e Cebolinha vão passar justamente onde vocês estão.. foi MARAVILHOSO, minha sobrinha chorou muito, foi lindo vê-lo...mas assim, o Anhembi já está pequena para tantas pessoas, o público de sábado foi de 130 mil pessoas. Estava realmente, LOTADO aquele lugar,a maioria da editoras mais bacanas (Intrínseca, Saraiva, Novo Conceito, Sextante ) tinham filas enormes para entrada. Essa já é a 5 edição que participo e percebo que de um ano para o outro, o número de pessoas aumenta. Já estão falando por aqui em alguma estratégia para minimizar os problemas de lotação, banheiro feminino sempre cheio, fila pra comprar ingresso. Algumas pessoas no sábado ficaram até 2:30 na fila..cruel não??? mas o que tudo indica o saldo foi positivo, não havia sequer uma pessoa sem sacola, feliz, trocando informações sobre tudo que aconteceu...se eu tivesse coragem e uma segunda feira livre, teria voltado com certeza kkk mesmo depois de uma coluna gritando de tanto peso..kkkk

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  14. Meu, vcs deram muita sorte encontrar ela no aeroporto e ser tranquilo...
    Adorei toda a saga de vcs na Bienal!!!

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  15. Oi, Dani! Passei aqui no blog para dar uma olhada nas postagens da Bienal e me emocionei com a sua saga. Uau! Parece coisa de filme! Eu vi a gritaria e a muvuca no sábado de manhã e me assustei com aquilo. Ouvi falar dos tumultos, mas não imaginava que havia sido tão difícil. Que falta de respeito da editora mudar o local da fila sem mais nem menos. Isso deveria ser melhor organizado. Acho que a Bienal toda precisa ser mais organizada, ficou claro após essa última que do jeito que estão fazendo não está legal. Mas que bom que você teve um final feliz com a sua autora do coração. Foi uma sorte merecida. Bjs!

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