Entrevista - Autor Hugh Howey

Oi gente, hoje trazemos para vocês uma entrevista para lá de especial, com Hugh Howey, o autor de Silo, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. Esta entrevista era para ter sido postada durante a Semana Especial Silo e era uma das grandes novidades que estávamos preparando para vocês, mas infelizmente Hugh teve uns contratempos e não pôde me enviar suas respostas a tempo.

A entrevista foi realizada por email e as perguntas foram feitas por mim e pela Dany que, apesar de ainda não ter lido Silo, ficou encantada pelo autor e pela trilogia na medida que ia lendo mais a respeito. As traduções das perguntas e das respostas foram feitas pela Dany que, para quem não sabe, é professora de inglês :) Sim, agora terei essa árdua tarefa de traduzir textos divididas com a minha fofíssima amiga! \o/

Chega de enrolação e bora conhecer um pouco mais sobre Hugh Howey!

MC: Olá Hugh, obrigada por nos conceder esta entrevista. Gostaria de começar falando um pouquinho sobre você. Conte para seus leitores brasileiros quem é Hugh Howey:

HH: Eu penso em mim mesmo mais como um leitor do que qualquer outra coisa. Sou um fã de livros. Eu sempre sonhei em escrever um. Cinco anos atrás eu me propus a fazer exatamente isso e me tornei tão viciado em escrever quanto sou em ler. Silo foi meu sétimo trabalho publicado, e ele simplesmente decolou. Hoje sou feliz por ser capaz de passar os meus dias lendo, escrevendo e viajando pelo mundo para conhecer outros leitores como eu.

MC: De onde surgiu a ideia para escrever Silo?

HH: Eu me perguntava o que nos fazia ver notícias ruins o dia todo. Isso é a maior parte do que recebemos da mídia. Como isso nos faz sentir sobre o mundo além de nossas fronteiras? Como isso nos faz sentir sobre o futuro? Eu viajei muito de barco antes de começar a escrever, e o mundo parecia fascinante para mim, mesmo nos lugares em que eu ouvia dizer serem perigosos. Então os heróis da minha história são aqueles corajosos o suficiente para se lançarem e verem o mundo por eles mesmos, com seus próprios olhos.

DH: Silo é um sucesso enorme nos países de língua inglesa, mas sua história está chegando ao Brasil apenas agora. Você poderia dar uma pista para seus novos leitores sobre o que esperar da trilogia?

HH: Existem duas coisas que escuto dos leitores do mundo todo: A primeira é que você nunca sabe o que vai acontecer a seguir. O livro é cheio de reviravoltas, não para enganar o leitor, mas porque a vida muitas vezes funciona desta maneira. Raramente é uma linha reta entre o que desejamos e como chegamos lá. A outra coisa que escuto dos leitores é o quanto eles amam Juliette, a heroína dessa história.

MC: Quando você começou a escrever Silo já sabia exatamente aonde queria chegar ou acabou sendo surpreendido por novos acontecimentos e personagens?

HH: Eu gosto de saber como minhas histórias irão terminar, então sei onde meu trabalho deve chegar, mas eu permito que os personagens me surpreendam no caminho.

MC: Como foi o seu processo de escrita? Pergunto pelo fato da narrativa ser alternada entre diversos personagens e situações. Você escreveu de maneira linear e depois os intercalou ou escreveu exatamente como aparece no livro?

HH: Eu escrevi a história na ordem em que ela aparece. Apenas me parece natural deixar um grupo de personagens em um lugar e então pular para uma cena diferente. Seria mais difícil para eu escrever a história de cada personagem e então descobrir onde seccioná-la. Acredito que assistir TV e ler muitos livros nos prepara para fazer isto naturalmente como escritores.

MC: Você teve que fazer muitas pesquisas para construir o universo pós-apocalíptico de Silo e para falar com propriedade sobre os procedimentos da Mecânica e da TI?

HH: Eu fiz muitas pesquisas, mas não enquanto escrevia. Minha pesquisas vêm dos anos que passei em barcos e como capitão de um Iate e das não-ficções que li durante a minha vida. Estou constantemente me esforçando para aprender, e tudo o que eu aprendo utilizo nas histórias.

DH: O que te inspira como autor. De onde vêm ideias de mundos fantásticos e sociedades distópicas presentes no seu texto?

HH: Eu amo ler, e escrever me permite explorar mundos que eu não consigo encontrar em nenhum outro lugar. As ideias vêm das minhas observações do mundo, de acompanhar as notícias e ler o máximo possível.

DH: Você pretende seguir escrevendo a história ou Dust é o último livro da trilogia?

HH: Por agora, é o fim. Estou escrevendo três histórias curtas para uma série de antologias que estou publicando com John Joseph Adams, e eu posso retornar para esse mundo no futuro. Mas eu realmente gosto de onde ela parou agora.

DH: Silo é o primeiro livro de sua autoria que chega para nós no Brasil, mas você já publicou outros trabalhos (físicos e independentes) como: Molly Fyde and the Parsona Rescue e Half way home. Você poderia falar um pouco sobre eles para os leitores que estão conhecendo Hugh Howey agora?

HH: Eu escrevo um pouco de tudo. Eu tenho uma série Jovens Adultos de quatro volumes, um romance de horror, uma história de amadurecimento entre outras. Eu leio todo o tipo de livros, então eu quero escrever coisas diferentes. No momento estou trabalhando em um livro ilustrado para crianças, e a Graphic Novel de Silo está quase completa.

DH: Com o grande sucesso de seu trabalho e de seu contrato print-only, você se considera a sua atitude como algo que pode mudar as regras do mercado editorial definitivamente daqui para frente? Como se sente em relação a isso? Precisamos afirmar que ficamos felizes com seu contrato de publicação tradicional já que hoje podemos ter acesso ao seu trabalho.

HH: Eu me sinto muito afortunado de estar escrevendo e publicando neste momento da história. Muitas opções se abriram para os autores. Eu estou apenas tomando as decisões que parecem certas para mim. Eu realmente espero que estas mudanças continuem para que mais pessoas possam viver da escrita e mais histórias ótimas encontrem seus caminhos até os leitores.

DH: Você planeja alcançar o mercado digital em países de outras línguas também? Quero dizer, disponibilizar seus e-books em diferentes idiomas?

HH: Sim. Uma vez que as coisas se acalmem, vou verificar as opções para ter mais dos meus trabalhos traduzidos. Espero que o próximo ano seja um pouco mais calmo para que eu possa resolver essa questão.

DH: Considerando seus ganhos, qual você considera o melhor negócio para um escritor? Publicação digital ou tradicional?

HH: Hoje, a diferença na taxa de royalties torna muito mais fácil viver da publicação digital. Espero que isso mude no futuro, e os autores sejam pagos conforme merecem. Eu conheço muitas pessoas que publicam tradicionalmente e que não estão ganhando dinheiro algum enquanto outras que publicam digitalmente e estão se dando muito bem.

DH: Como você administra seu dia entre a escrita e todo o trabalho que envolve o self-publishing, somando-se agora a participações em eventos e divulgação dos seus livros?

HH: Eu escrevo pela manhã. É a mesma rotina de quando eu trabalhava como livreiro. Eu precisava escrever cedo e então ir para o meu trabalho. Hoje, meu trabalho envolve todas as outras coisas que resultam do fato de eu ser um autor best-seller. É uma questão de dedicação e equilíbrio.

DH: Em uma entrevista você afirma confie que daqui a 10 anos você terá 20 trabalhos disponibilizados e um deles decolará. Quanto tempo e quantos trabalhos demoraram até você se tornar um best-selling author?

HH: Eu demorei quatro anos e oito trabalhos. Mas eu tinha esse longo prazo em mente. Eu foquei na escrita, e acredito que esta tenha sido a melhor decisão que já tomei na vida. Eu não estava com pressa.

DH: Lendo suas entrevistas devo afirmar que me encantei pela forma com a qual você pensa como autor. O respeito que você possui pelos colegas escritores, por seus leitores e a visão ampla que possui acerca do mercado editorial se sobressai em sua carreira. Quando você decidiu trabalhar desta forma - como self-publisher e possuindo um print-only contract - você tomou esta decisão por uma razão lógica, apenas seguiu sua intuição ou seguiu seu coração tendo liberdade para seguir escrevendo livre das regras do mercado como você já era acostumado?

HH: Eu estava apenas aplicando a forma como vivo minha vida na minha carreira de escritor. Eu agi da mesma forma nas outras coisas que já fiz. É importante para eu pensar sobre cada decisão que tomamos e como essa decisão é permanente, e tentar ser o melhor possível para os outros. Eu atribuo aos meus pais grande crédito por me ensinarem a ter empatia e pensar nos outros. Isso torna a vida muito mais agradável e gratificante.

DH: Em algumas entrevistas você menciona o mundo sci-fi apenas como um pano de fundo para suas histórias, tendo como objetivo principal abordar as relações humanas, a fragilidade dos sistemas sociais e como a sociedade reagiria com uma mudança drástica em algum elemento básico da vida. Você se considera mais como um observador social do que idealizador de realidades fantásticas?

HH: Certamente. Eu escrevo mais do que apenas ficção científica. Todas as grandes histórias são em primeiro lugar sobre pessoas e em segundo sobre grandes ideias. Este é o meu duplo foco em cada trama. Sobre quem é essa história? O que a história está tentando dizer sobre o nosso mundo?

DH: Como best-selling self-publisher, como você promove a divulgação do seu trabalho para ter tanto êxito?

HH: Minha intenção sempre foi focar nos leitores que já possuo, e não tentar conquistar novos leitores. Não é meu papel dizer às pessoas para experimentarem meus livros. Outros leitores são melhores nisso. Assim como o são os livreiros e bibliotecários. Meu trabalho é escrever as histórias que amo e então conquistar qualquer um que esteja apto para lê-las.

DH: Você é um autor que busca se manter sempre muito próximo dos seus leitores. Esse seria um dos segredos para uma carreira bem sucedida?

HH: Acredito que sim. Não é a razão pela qual o faço, mas acredito que ajude. Quando você passa tanto tempo sozinho, escrevendo em seus mundos inventados, é incrível se dar conta de que você tem visitantes. Eu aprecio ouvir meus leitores e conhecê-los.

DH: Pesquisando seu nome é possível encontrar inúmeras entrevistas (em inglês) sobre o seu trabalho, processo de escrita e sua experiência como self-publisher. Você também parece bastante presente em fóruns e mantém uma relação próxima com seus leitores. Com Silo sendo seu primeiro livro lançado em português, se você pudesse entrevistar um leitor brasileiro, o que você gostaria de perguntar?

HH: Eu perguntaria a eles qual foi a melhor coisa que eles leram ultimamente. Sem contar os meus livros, é claro.

MC: Ficamos sabendo que os direitos de Silo foram vendidos para o cinema. Você tem alguma novidade para nos contar a esse respeito? Ficou animado? Já tem seu elenco dos sonhos? Vai participar da elaboração do roteiro?

HH: A última novidade que tive a respeito foi a de que todos estão muito empolgados para levar a história para as telonas. Um roteiro fantástico foi escrito, mas eu tenho mantido minhas expectativas baixas. Existem muitas histórias escolhidas para serem filmadas e poucas realmente o são.

MC: Você pode nos contar se já possui novos projetos em mente, se está escrevendo um novo livro e o que devemos esperar dos seus trabalhos no futuro?

HH: Estou trabalhando em quatro histórias diferentes no momento, e tentando ver qual delas engrena. Nada que eu possa anunciar ainda.

MC: Gostaria de terminar dizendo que fiquei encantada com Silo. Fui surpreendida com um livro cheio de suspense, ação, ambientado numa realidade distópica assustadora abarcando inúmeras perguntas que nos deixam afoitos por respostas. Seu texto é extremamente inteligente, bem amarrado, contendo uma crítica política e social impressionante. Obrigada por este presente. Mal posso esperar para ler Shift e Dust. Muito sucesso na sua empreitada e novamente obrigada pela atenção.

Se possível, deixe um recadinho para seus leitores brasileiros e para os leitores do Blog:

HH: Muitíssimo obrigada por dedicar seu tempo para ler o meu trabalho! Eu acabo de descobrir que a editora irá lançar os dois próximos volumes da série, então espero que vocês os apreciem também. Eu sempre quis ir ao Brasil e conhecer seu país, e espero que isso aconteça em breve.

***

Ficamos muito felizes com as novidades e adoraríamos receber Hugh por aqui, conhecê-lo ao vivo e pegar um autógrafo. Então fica a dica Intrínseca :) hehe

Espero que tenham gostado da entrevista.

Um grande beijo e até a próxima.

7 comentários

  1. Oi, Mi
    Adorei a entrevista. Parabéns, ficou muito legal.
    Cada vez mais gosto do autor e quero let Silo.

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    1. Oi Monica, que bom que gostou. Não tem como não se apaixonar por Hugh né?! Beijos

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  2. Oi Mi :)

    Comprei Silo por sua causa (você sempre me influenciado positivamente) e irei dar início a leitura em Maio. Me surpreendi com a educação e alegria do autor, espero vê-lo algum dia. Beijos!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/

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    1. Eba, aceito a culpa por essa compra.. kk Espero que você goste tanto quanto eu Gabriel. Sim, Hugh é um querido. Também adoraria conhecê-lo um dia. Beijos

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  3. Ficou ótima a entrevista. É possível ver que o Hugh Howey é uma pessoa simples, que todo o sucesso não subiu a sua cabeça e que ele mantém a mesma linha de pensamento e forma de agir de quando iniciou a carreira. Esse é outro fator que o torna um sucesso.

    Foi ótimo conhecê-lo aqui no blog, e por sua culpa, Mirelle, adicionei mais um livro para a leitura desse ano e já estou ansioso pelos próximos sem nem ter lido o 1º ainda. kkkkk

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    1. Verdade Laplace, me surpreendi com isso também. Aceito novamente a culpa.. kk não tem coisa melhor do que ser responsável pela disseminação do hábito de leitura de bons livros :) hehe Beijos

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  4. Super entrevista. Gostei de conhecer ele, muito querido e inteligente, além de manter a humilde.
    Top!!

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