Fuxicando sobre Romance de Época - Desafio de Janeiro: Resenha - O Corcunda de Notre-Dame

Fuxicando sobre romance de época
Oi gente, vim prestar contas sobre o Desafio Fuxicando sobre Romance de Época de Janeiro. Neste mês, o objetivo era ler um "clássico histórico" e, depois de muita indecisão, resolvi ler O Corcunda de Notre-Dame, de Victor Hugo.

O Corcunda de Notre-Dame Victor Hugo
Em O Corcunda de Notre-Dame, conhecemos Gringoire, um poeta pobretão responsável por escrever o mistério, que seria apresentado no Palácio da Justiça no dia da escolha do Papa dos Tolos. Gringoire estava ansiosíssimo com a apresentação, mas nada saiu como ele planejava. A plateia, tola e ignorante, não conseguiu entender a riqueza do seu texto nem a fala dos atores, além de ter tumultuado a apresentação para ver a chegada do Cardeal e dos Embaixadores. Cabisbaixo, Gringoire nada pôde fazer senão se render e ir embora, rumo a Praça de Grève onde estava passando o povo, festejando a escolha do seu novo Papa. O problema é que, sem peça, sem pagamento, e aquele seria mais um dia que Gringoire ficaria sem ter aonde dormir e o que comer.

Na praça estava Esmeralda, uma jovem cigana belíssima, de pele bronzeada e um rebolado encantador. Não havia quem não ficasse hipnotizado pela sua dança e cantoria. Esmeralda tinha uma linda cabritinha chamada Djali, que era muito inteligente e fazia inúmeros truques. Esmeralda incitava a cobiça de muitos homens e a inveja de muitas mulheres. Apesar disso, mantinha-se pura, pois, segundo os ciganos que a criaram, era a única forma que ela tinha de um dia reencontrar sua mãe.

Certo dia, enquanto caminhava pelas ruas escuras de Paris, foi sequestrada por Quasímodo, um ser monstruoso. Rapidamente, Esmeralda foi resgatada pelo Capitão Phebus, a quem deveu sua vida e conquistou seu coração. Mas Phebus era um homem prometido a Flor de Lis e nada podia fazer a respeito.

Quasímodo havia sido deixado em frente a Catedral de Notre-Dame quando ainda criança pequena. De imediato, causou a repulsa em todos que ali estavam, sendo acusado de atrocidades e quase sendo morto por suas deformidades. Mas Quasímodo acabou conquistando a afeição de um padre, chamado Dom Claude Frollo, que o adotou, lhe dando casa, comida e a função de tocador de sinos da Catedral.

O padre era um ser amargurado. Depois de se decepcionar inúmeras vezes com seu irmão mais novo, acabou declarando seu ódio mortal pelas mulheres e pelas bebidas, se tornando cada vez mais recluso e, com isso, adquirindo a fama de feiticeiro.

De maneira surpreendente, a vida de todos esses personagens acaba se cruzando e mudando o destino um dos outros de maneira violenta e cruel. Querem saber o que vai acontecer? Então leiam.

***

Escolhi ler O Corcunda de Notre-Dame porque era meu desenho favorito da Disney. Eu tinha inclusive o boneco de pelúcia do Quasímodo enquanto minha mãe ainda tem uma das gárgulas da Catedral. Imaginem a minha surpresa quando descobri que a história, na verdade, não tinha absolutamente nada de fofinha e que Quasímodo era uma pessoa muito má!

Fiquei espantada com o nível de crueldade, violência, ignorância e mortes contidas nesse texto. Todos os personagens relatados são completamente miseráveis, seja de espírito, inteligência, dinheiro ou caráter. Mais triste ainda é constatar que essa era a realidade da idade média, um período sobre o qual sempre gostei de ler.

A narrativa, apesar de tudo o que citei - observações que não considero como críticas negativas à obra e sim meras constatações -, é extremamente interessante e bem escrita. Incrível como Victor Hugo conseguiu criar uma trama tão bem interligada, em que, a cada capítulo, desvendamos um novo mistério referente a um dos personagens. Além disso, ele critica de forma ferrenha a situação política e social da época, deixando o leitor atônito. Não foi à toa que, em razão de sua posição política radical, foi levado ao exílio, retornando muito tempo depois a Paris, recebido como um herói.

Este foi meu primeiro livro clássico lido e tive certeza de que não conseguiria concluí-lo ou que, talvez, encontraria muitas dificuldades para compreendê-lo. Outrossim, fiquei na dúvida sobre o porquê da minha edição ser tão sucinta (apenas 88 páginas), enquanto outras edições chegavam a ter mais de 400 folhas. Fui pesquisar a respeito e descobri que a minha edição, na verdade, faz parte de uma adaptação feita para os adolescentes com o objetivo de facilitar a compreensão do texto e de incentivar a leitura dos clássicos. Bom, para mim isso foi ótimo, porque ajudou e muito. Por outro lado, fiquei triste em saber que não li o texto do Victor Hugo "em pessoa". Fiquei curiosa para saber sobre como seria.

O Corcunda de Notre-Dame - Victor Hugo
Texto adaptado por Douglas Tufano e Renata Tufano Ho
Editora Paulus
88 páginas
Comprar: Saraiva - Ebook

E vocês fizeram a leitura do desafio de janeiro? Se sim, deixem nos comentários o nome do livro que leram e digam o que acharam. 

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12 comentários

  1. Oi! ^^
    Ainda não li esse livro. Acho que da história só conheço os personagens.
    Também não assisti o filme da Disney, mas como você disse em sua resenha isso de nada adiantaria já que a história é bem diferente da fofura da animação. Coisa normal de acontecer.
    Fiquei curiosa pra conhecer a história! :)

    Beijussss;
    http://hipercriativa.blogspot.com.br/

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    1. Verdade Helaina, as histórias do livro e do filme não são exatamente iguais, mas o desejo da Disney é lindo demais.. então independente, continuo recomendando ele.. hehe Beijos

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  2. Já li uma versão adaptado desse livro no colégio, imagina meu espanto ao ler toda aquela tragédia?! Mesmo assim, gostei muito do livro e fiquei com vontade de ler mais romances históricos :) Tenho o livro "Os Miseráveis", do Victor Hugo mesmo, só que é íntegra mesmo... Se eu animar algum dia eu leio haha! Kisses!

    http://meu-mundo-hm.blogspot.com.br/

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    1. Oi Hannah, minha mãe disse que Os Miseráveis é maravilhoso. Tenho muita vontade de lê-lo também. Beijos

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  3. Tb curto muito o desenho da disney... mesmo sem ter lido a história original já vi uns pedaços daquele filme da Gina Lolonbrigida (acho que é assim que escreve) e já sabia que de bonitinha não tinha nada kkkkk Mas é muita tragédia e pobreza de espírito né?
    Curto muito o filme da disney e sei cantar todas as músicas desde que eu era criança kkkkkkkkkkk
    bjs

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    1. Oi Renata, nossa, eu me choquei quando li.. estava ao menos esperando uma história de amor, e nem isso tinha.. kkk Mas não faz mal, ambas as obras são boas, cada uma no seu estilo. Beijos

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  4. Eu tenho um sério problema com clássicos que tem algum 'drama'. Romeu e Julieta, Titanic (não que tenha sido livro)... Nunca consegui assistir O Corcunda de Notre Dame, mas acho que curtiria o livro.
    Sua resenha me deixou curiosa... Vou por nos desejados ;)

    Beijos,
    http://www.segredosentreamigas.com.br/

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    1. Então Bah, esse livro não tem drama estilo Romeu e Julieta ou Titanic.. não é nenhuma história de amor.. só lendo mesmo para você ter uma ideia. Espero que goste. Beijos

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  5. Oii, tudo bom?
    O Corcunda de Notre-Dame era um dos meus desenhos favoritos quando eu era pequena, mas confesso que nem sabia que era baseado em um livro!
    Mas mesmo assim acho que não leria, não, não gosto de livros que contém muita violência e acho que o fato de todos os personagens serem assim miseráveis me deixaria bem pra baixo.
    Que pena que você não leu a obra completa, mas como você disse, acho que foi melhor já que nunca tinha lido um clássico assim né?
    Adorei a resenha, bem sincera =)


    Beijoss
    Thaís - Instinto de Leitura

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    1. Oi Thaís, eu gosto de obras nesse estilo porque acho importante conhecermos uma faceta do nosso próprio passado. É pesado? Sim. É chocante e violento? Sim, e sim.. mas aconteceu de verdade. Acaba servindo de alerta para que não venhamos a incorrer nos mesmos erros né?! Beijos, Mi

      www.recantodami.com

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  6. Oi Mi, tudo bem?

    Eu adorei sua primei escolha para o desafio! Como você eu sem bem como esses livros nos surpreendem, ainda mais histórias como essa, conhecida por uma adaptação romantizada. Eu ainda não li nada do Victor Hugo, mas pelo que sei de Os miseráveis sua obra é extremamente crítica e social, então acho que isso, mesmo em uma versão mais jovem, deve ter chocado um pouco né?

    Os miseráveis está na minha meta desse ano, vamos ver se consigo ler algo do autor!

    Beijos,

    Pah

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    1. Oi amiga, sim, pelo que sei os livros dele são bem pesados justamente pelas críticas sociais e políticas. Já ouvi falar maravilhas de Os Miseráveis e tenho muita vontade de ler. E nossa, esse livro me chocou bastante, principalmente pela adaptação de Disney ter o romantizado tanto e o deixado tão fofinho. O livro não tem nada de fofinho. Mas passado o choque, gostei bastante da história. Beijos e espero que consiga cumprir sua meta.

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