Semana Neil Gaiman - Desvendando O Oceano no Fim do Caminho - Dia 7

Oi pessoal, esse post vai ser bem diferente, porque vou tentar analisar várias passagens do livro O Oceano no Fim do Caminho sob o meu ponto de vista. Não vou fazer isso porque sou pretensiosa ou entendedora da literatura de Gaiman a ponto de dizer o que cada metáfora representa. Quis fazer isso porque PRECISO discutir esse livro com alguém, nos mínimos detalhes. Porque como já disse, ele aflorou em mim diversos sentimentos e questionamentos e PRECISO expô-los para vocês.

ATENÇÃO, ESTE POST CONTÉM SPOILERS DO LIVRO O OCEANO NO FIM DO CAMINHO!! 

SE VOCÊ AINDA NÃO LEU O LIVRO, ACOMPANHE A RESENHA QUE FIZ SOBRE ELE AQUI!!

Então já adianto, esse post conterá muitos SPOILERS. Quem não se importa com isso, leia e opine. Quem já leu o livro, por favor, opine!! Quem não tiver lido e não curte spoilers, não precisa ler, mas peço, assim que terminarem a leitura de O Oceano no Fim do Caminho, voltem para debatê-lo comigo. Quero saber a opinião de todos sobre os pontos que irei levantar, ok. E se alguém quiser falar sobre mais alguma coisa sobre o livro, fique à vontade.

* O retorno a Sussex:

O início do livro foi bem perturbador e nostálgico para mim. Fiquei bebendo as palavras do texto de quando o protagonista volta para a cidade que cresceu e relembra das coisas que lá viveu. Por um lado parecia ser um tipo de resgate que ele tinha que fazer para seguir em frente. Por outro, ao final, descobrimos que ele habitualmente fazia isso sem se lembrar, então O Oceano no Fim do Caminho era como se fosse seu refúgio pessoal que ele ia quando se sentia perdido e precisava se encontrar.

Mas por que isso mexeu tanto comigo, vocês devem estar se perguntando! Porque recentemente passei por algo parecido. Durante mais de 10 anos vivi numa cidade que, depois de terminar a faculdade, saí e nunca mais voltei. Eu deletei todas as experiências que lá vivi como quem clica o botão de delete do computador. Foi assim, abruptamente. Mas assim como Neil, todas as lembranças ficaram guardadas em algum lugar da minha mente e do meu coração. E final do ano passado, resolvi regressar a essa cidade, resgatar minhas origens, reencontrar velhos amigos e foi tudo muito estranho e muito intenso. Realmente senti como se tivesse aberto um velho baú de velhas memórias e sentimentos. Como se tivesse aberto a caixa de Pandora. Tudo voltou, tudo fez sentido novamente. É como se tivesse recuperado uma parte de mim que estivesse adormecida e agora me sinto completa de novo. Senti tudo o que o narrador sentiu e isso deixou minhas emoções a flor da pele.

Alguém mais teve uma experiência parecida?

* A Pulga:

Gente, quem era a temida Governanta Úrsula que fora despertada por sentimentos mesquinhos do minerador de opalas? O bicho-papão? O diabo? Será que ela realmente existiu e teve um caso com o pai do protagonista, e essa foi a forma que ele encontrou de representá-la para tentar digerir a situação? Ou tudo não passou de fruto da imaginação dele?

Confesso que senti muito medo da Úrsula. Só o jeito dela falar, dela se portar, me dava calafrios. Para mim tem muito mais metáforas escondidas nessa personagem. Por fora ela representa uma pessoa comum, bem apessoada, cheia de qualificações profissionais, de quem todo mundo gosta. Mas por dentro ela é obscura, cheia de defeitos e desvios morais. Será que ela também não pode representar o lado mesquinho, egoísta e materialista que não queremos mostrar e reconhecer que temos?

O que vocês acham?

* Pai do narrador:

Acho que todos que leram o livro vão concordar que a cena da banheira é uma das mais fortes da história. É simplesmente desoladora, assustadora, impressionante. Acredito que isso não tenha acontecido de verdade, Neil não teria exposto seu pai a tal ponto. Mas o que será que essa cena representa? O afogamento de nossas aflições e temores? O impedimento de falarmos para o mundo o que de fato pensamos e sentimentos? Afinal, o menino era totalmente incompreendido e desacreditado pelos adultos, estava passando por sérios dilemas e estava sozinho, e ali, a única pessoa com a qual podia contar era seu pai, mas seu pai estava querendo matá-lo, afogá-lo. Para mim é como se o mundo adulto estivesse querendo matar a criança que existe em nós.

* Família Hempstock:

Durante todo o livro fiquei me perguntando, quem são as três mulheres Hempstock? São bruxas, são a representação da Santíssima Trindade, são espíritos, anjos, ou apenas retratam pessoas que tornaram a infância de Neil um pouco mais fácil de ser suportada? Bom, acho que ninguém será capaz de responder essa questão com total certeza, mas buscando na web, encontrei um comentário feito pela Anica que achei bem plausível:

"Você não precisa ter muito conhecimento de mitologia para ver que as Hempstock representam uma deusa tríplice, aqui na história acho que o mais preciso seria dizer que são as Moiras dos gregos, deusas do destino responsáveis por fiar, rolar e cortar o fio da vida dos homens. A donzela, a mãe e a anciã: uma trindade que se repete em outros mitos, como o das Fúrias, e a Hécate dos gregos ou mesmo a Morrigan dos celtas. E repete também uma figura conhecida em Sandman, que aparece já no primeiro arco, Prelúdios e Noturnos (repare na ilustração abaixo como Gaiman já brinca com a ideia de as três serem várias, e não só uma deidade):"
"E para os fãs do escritor: repararam que Hempstock é o sobrenome da Daisy de Stardust e da bruxa Liza do Livro do Cemitério? Parece que o Gaiman quer integrar seus livros aos poucos, com detalhes, assim como ele fez com Os Filhos de Anansi e Deuses Americanos. Com a continuação de Deuses Americanos sendo escrita é de se esperar mais referências cruzadas. E enquanto ele não sai O Oceano no Fim do Caminho é uma excelente adição à estante. Belo, profundo e contemplativo como o oceano." Fonte.

* Fazenda Hempstock e O Oceano:

No final da história descobrimos que o protagonista sempre cultivou o hábito de voltar até o Fim do Caminho quando se sentia perdido e sozinho, para contemplar O Oceano e se lembrar de Lettie e de tudo que passaram juntos, mas ele nunca se recordava das visitas que fazia, e a avó de Lettie repetia que eles já haviam tido aquelas conversas várias vezes. Estranho não? O que isso poderia significar?

Para mim parece ser tanta coisa, como um refúgio por exemplo, que vamos para nos acalmar, nos sentir seguro e clarear as ideias. Um local só nosso, onde temos acesso aos nossos reais sentimentos e as memórias mais esquecidas. Mas e o que significa o Oceano??

Por um lado pode representar a imensidão, o lado obscuro de nós mesmos, mas que ao mergulharmos em sua profundeza, temos a nossa alma lavada e tudo volta a ficar límpido como a água. Tem uma cena linda que é quando o narrador mergulha no Oceano, adentrando no balde trazido por Lettie. Ali ele relata que o oceano é um lugar que "é só conhecimento" e que ao olhar para dentro ele só veria "espelhos infinitos, olhando para o meu interior por toda a eternidade."

Mas por outro lado, não poderia representar a distância entre ele e Amanda, o vazio que ele estava sentindo no momento em que escrevia o livro? Pensem comigo: No livro, Lettie sempre esteve ao lado dele. Ele sempre sentiu-se seguro com ela, sempre confiou piamente nela e eles sempre tiveram uma relação de cumplicidade, apesar de, aparentemente, ele nunca a ter compreendido de fato e tido sempre a dúvida de como ela o enxergava. Ademais, a desculpa dada para os pais dele para o sumiço de Lettie fora que ela havia ido para a "Austrália", justamente o local em que Amanda se encontrava enquanto Neil escrevia o livro. Curioso, né?!

Se isso não fosse o bastante, bem no final da história, o narrador pergunta a avó de Lettie se poderia falar com ela (Amanda estava inacessível enquanto produzia seu álbum, lembram?) e ela responde que Lettie está "dormindo", se recuperando e que não fala ainda, pelo menos não até "terminar o que está fazendo lá". Ansioso, o protagonista quer saber quando será isso e a avó responde "Quando ela estiver bem e pronta.", e a mãe de Lettie responde "Logo". Então, no final das contas, será que Lettie é Amanda? O que vocês acham?

Espero que tenham gostado dos pontos abordados. Aguardo suas opiniões, ok?

E não deixem de acompanhar todos os posts que fiz sobre a Semana Neil Gaiman.

Beijos, Mi

31 comentários

  1. Não conhecia o livro,
    mas suas considerações me deixaram bem curiosa,
    o livro parece ter mexido bastante com você hehe
    gosto de livros assim :)

    http://soubibliofila.blogspot.com.br/

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    1. Oi querida, mexeram sim.. hehe Espero que também goste! Beijos

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  2. Não conhecia e essa resenha me deixou bem curiosa
    Vou procurar mais a respeito

    Beijos
    @pocketlibro
    http://pocketlibro.blogspot.com.br

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    1. Olá querida, na verdade essa não é a resenha do livro. São apenas comentários que fiz sobre a obra. Mas que bom que gostou. Beijos

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  3. Tenho que passar reto pois ainda estou lendo, kk. Mas já passei da metade faz um tempo e não consigo ficar longe dessa história, ansiosa pra terminar!

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    1. Que bom saber Duda, então está gostando?? Volte depois para comentar comigo, tá?! hehe Beijos

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    2. Volteeeei, haha. Lá vamos nós!

      O retorno a Sussex: Achei essa parte bem nostálgica também, apesar de não ter passado por isso, ainda pode se sentir muito. E também, por conta do emprego do meu pai na minha infância, eu nunca tive um lar de verdade, foram mudanças e mais mudanças e eu sempre me apegava as pessoas e depois partia. Não tenho família em nenhuma das cidades, então não tenho "nenhum motivo" para voltar lá, mas eu sinto que depois, quando eu não for mais dependente, tiver meu futuro, eu preciso voltar lá, nessas cidades.

      A Pulga: Eu não sei bem como retratar a Úrsula, odiava as partes dela, o que quer dizer que eu odiei ela completamente. Não quero nem relembrar dela. Mas a principal metáfora dela é essa que você mencionou, esse lado egoísta, materialista nosso, todos temos, é impossível negar. Percebe-se muito quando ela dizia que "só dei a eles o que desejavam". Eu tento mais que tudo não ter esse lado, mas não é tão simples assim.

      Pai do narrador: Quase não acreditei naquela cena da banheira, tudo o que passava na minha mente era "ele não pode estar fazendo isso, não pode ser real". Ele estava longe de ser o filho que o pai queria. Vários conflitos que se vê com relação a pais e filhos são os pais quererem os filhos iguais a eles, ou o que eles desejavam ser naquela idade, e quando isso não acontece, não aceitam, tentam "matar" esse pensamento, essa atitude dos filhos. Foi isso que eu pensei depois, afogar foi o meio que ele achou que serviria para tirar aquela parte que ele sempre odiou, mas aceitava, até Úrsula chegar. O lado ruim veio, e com bastante força.

      Família Hempstock: Como você mesma disse, não tem responder de certeza, como não sou muito fã de mitologia, nem conhecia o Gaiman antes, não pensaria nessa ilustração, nem nas outras personagens criadas por ele. Já tinha ouvido falar das Moiras, mas há tanto tempo que não recordei. Parece se encaixar muito bem.

      Fazenda Hempstock e O Oceano: A Fazenda ficou bem claro, ser um refúgio, o único lugar em que vai se sentir seguro, calmo. Já o Oceano... não consegui pensar muito nele, mas esse seu pensamento faz muito sentido.
      A cena do garoto no oceano foi perfeita, como tudo de ruim que ele estava sentindo simplesmente sumiu, "é só conhecimento", ele entendia tudo, sabia tudo e por mais que fosse bom, ele não poderia ficar ali.

      Por fim, só gostaria de dizer obrigada por me convencer a ler este livro, foi uma leitura de que nunca me arrependerei. Vale muito a pena. :)

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    3. Ai Duda, fiquei arrepiada lendo seu comentário porque é como se revivesse todas as emoções que senti ao ler o livro!! Fico feliz, de coração, que você tenha gostado da história. É um texto lindo e profundo demais que vai ficar marcado na nossa memória!!
      Adorei o que você falou sobre a cena da banheira, acho que faz todo sentido mesmo. Desde o início ficou claro que eles não se entendiam, né?! E vendo agora, realmente dá a impressão de que o pai queria matar justo esse lado no menino que ele não aceitava. Mas que cena, gente!! De tirar o fôlego! Também odiei a Úrsula, mas infelizmente ela é uma parte importante da história além de ser uma metáfora crucial a ser levada em consideração, né?!
      E essa parte do Oceano que você citou, que coisa linda né?! Nossa, cheguei a sentir tudo o que o narrador sentiu ao descrever a cena.. Ai, acho que quero reler o livro.. kkk Beijos

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  4. Gosto de livros assim quando ler volto aqui, estou super curiosa pra saber mais sobre os pontos levantados já que li todos os post e quero saber mais.

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    1. Que bom Cris, fico então te esperando. Beijos

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  5. Laís Souza02/07/2013 20:21

    Passando pra dar oi e deixar beijo. Não li ainda e pulei o post inteiro por medo dos spoilers. Volto assim que ler. =D

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    1. Eba, ok flor, te aguardo futuramente. Obrigada pelo carinho de sempre. Beijão!!

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  6. Olá, Mirelle! Tudo bem?
    Eu fiquei um pouco perdida ao ler o post, pois ainda não li o livro, rs. Ele parece ter uma história bem interessante! Gostei dos comentários! :)
    Beijos!

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    1. Oi Bianca, espero que goste do livro. Beijos

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  7. aain que vontade de ler o postt!!
    Preciso ler logo o livro, e ai siim poderei discutir com você sobre o livro!
    estou cada dia mais nervosa com isso rsrs

    OBS: Onde encontrar um vampiro apaixonado?
    Lucius ♥

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    1. Isso, leia logo e volte!! Please!! hehehe
      kkkk Manda um beijão para o Lucius <3 kkk Beijos

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    2. Isso é que é vampiro!
      Edward Cullen que se cuide, mas ele esta perdendo seu posto pra mim rsrs

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    3. kkkk pior.. o Edward é fichinha perto do Lucius!! O Lucius é que é um vampiro legítimo, de verdade.. tem tudo o que uma mulher e uma vampira esperam e desejam!! kkk Pobre do Edward.. kkk Beijos

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  8. Eu queria ler isso ai tudo mas acho que vou ficar boiando né. Então fazer o que. Vou lá ler o próximo rsrs.
    Bjs, Greice.

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    1. kkkk melhor mesmo flor.. deixe para voltar aqui quando tiver lido o livro. Beijão

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  9. Tava pesquisando imagens sobre as três bruxas pra colocar no meu post de resenha quando vim parar aqui. Jurava que quase ninguém ia perceber a relação com as moiras.
    Parabéns :)

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    1. Oi Victor, obrigada pela visita.. pois é, fiz uma pesquisa extensa sobre a obra do Neil e fui achando várias informações pela web. A imagem das três Moiras encontrei em outro blog, mas todas as fontes estão acima citadas caso você queira conferir. Beijos

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  10. Gente, de quem afinal era o enterro? Dele? Da memória? Da inocência infantil? Pirei! E as aves forazes comeram o coração dele ou não? Do q vcs acham q se trata isso?

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    1. Nossa, ótima indagação, essa questão me passou desapercebida. Realmente não foi falado de quem era o enterro. Nesse sentido podemos vir a entender que poderia ser sim o enterro de alguma das memórias dele. E sim, acho que as aves ferozes comem o coração dele e por isso a Lettie se sacrifica por ele. Acho que no fim ela dá a vida e o coração dela por ele. Isso poderia ser relacionado entre o amor dele pela a Amanda e vice-e-versa? Agora você me pegou. O que vocês acham? Beijos

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  11. Oi, Michelle. Eu acabei de ler e isso me despertou uma sensação parecida com a sua. Neil Gaiman é danado: ele faz com que nos identifiquemos com o protagonista. De certa forma, é como se ao longo da leitura, nós pudéssemos nos transformar nele, porque seus medos são parecidos com os nossos. Apesar de não ter tons autobiográficos, me deu a impressão que Gaiman por meio de sua escrita quis dizer alguma coisa sobre sua própria infância.Tenho a impressão que ela não deve ter sido fácil e isso foi reforçado em um livro que fala sobre ele chamado "Neil Gaiman"o príncipe das histórias", onde mal se comenta sobre seus pais. Talvez, isso uma leitura, por meio da ficção o autor quis exorcizar alguns antigos fantasmas. Sobre a trama nós podemos até fazer a leitura que tudo é fruto da imaginação do personagem, mas se fizermos isso estaremos estragando o Gaiman tem de melhor: fazer com que o leitor crie na existência de um mundo sobrenatural. Ao ler este romance tive a impressão que um de seus temas consiste justamente em não acreditar naquilo que aparentemente está evidente, como é o caso de nossa "amiga" Úrsula. Nesta personagem, Gaiman novamente retoma o tema do duplo, que tinha sido explorado por ele em "Coraline". Por outro lado, Úrsula também pode ser compreendida de forma metafórica: ela representa o "mundo dos adultos", que em alguns aspectos (sexualidade, manipulação, autoridade excessiva) entre em choque com o universo infantil, representado pelo protagonista (que não tem nome justamente para facilitar nossa identificação sobre ele). Sobre a Hempstock é também uma retomada de outra figura mítica que aparece em outras obras do autor: a mãe tríplice, que remete às fúrias, as parcas e até mesmo as bruxas do destino, de Macbeth que aparecem em Sandman. Elas podem ser compreendidas como entidades muito antigas antes mesmo da criação da terra e que simbolicamente representam a sabedoria feminina. O "Oceano" do título pode ter várias significações: pode ser o trajeto da vida, mas, principalmente, remete a algo infinito, que pode ser até mesmo a imaginação, que no caso de Gaiman parece não ter limites conforme ele demonstra nesta obra. Bom, é isso. Um abraço.

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    1. Oi Alessandro, na verdade o livro é sim autobiográfico e boa parte dele retrata a infância do Neil, talvez por isso que você tenha tido essa sensação de que o Neil quis contar sobre a própria infância, porque foi exatamente o que ele fez. Caso você não saiba da história por trás do livro, leia os outros posts que fiz ;o) Adorei suas considerações sobre a Úrsula e concordo com você em tudo o que disse. Ela foi um personagem fundamental na história, apesar de eu tê-la detestado, e justamente por isso significa que ela foi muito bem escrita a ponto de ter me afetado e me dado ojeriza. Muito obrigada por dividir suas impressões conosco, elas foram preciosas e um ótimo acréscimo as indagações sobre os mistérios de O Oceano. Beijos e volte sempre.

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  12. Olá, Mi! Vou contar uma experiência minha com esse livro. Pode rir se quiser, mas eu achei genial! Fiz questão de ler duas vezes seguidas...
    De início já me identifiquei com o autor, pois também morei em uma fazenda na minha infância. Fica em uma cidade um pouco longe da minha cidade atual. Morei dos 05 meses até os 09 anos de idade e ainda não tive a experiência de poder visitar o local, mas é um dos meus grandes sonhos. Guardo muitas lembranças...
    O tempo todo, ao ler as páginas, não conseguia deixar de comparar à 'minha' fazenda querida. Teve até um episódio muito parecido: eu tinha uma gatinha que se chamava Lili. Era um dengo só! Até que um dia ela morreu atropelada... Fiquei muito triste. Meu pai logo trouxe outra gata pra mim, mas infelizmente não foi a mesma coisa! Nem consegui me aproximar da outra gatinha, que era chata e arisca! Naquele dia eu aprendi que um ser não pode substituir outro...
    Aconteceu que várias lembranças vieram à minha mente. Achei isso incrível!!
    ...Já na segunda vez que eu lia, bem no finalzinho, no epílogo, eu estava com muito muito sono e chegava a 'pescar' em algumas partes. Achei muito engraçado determinado momento, ao ler esse trecho: "_ Eu tive uma gata igual a essa. Chamava-se Oceano." Nesse instante eu "pesquei" e escutei uma voz que dizia: "E você teve uma cadela que se chamava Cacilda". Eu acordei e comecei a rir! Como eu amava minha Cacilda!! Sinto muita falta dela... Continuei lendo até o final. Fechei o livro, apaguei a luz e dormi. Aí vem o mais engraçado:
    Sonhei que olhava para uma foto minha de quando eu tinha 04 anos e estava no barco em Barra Bonita (Essa foto realmente existe. É uma das poucas que eu tenho!)... Comecei a conversar comigo mesma na foto e de repente eu estava lá, no barco, junto a mim. Meu rostinho de criança tinha uma pintura em um dos olhos: um elefante cinza com o olho grande e muito azul. A criança (que era eu) disse pra mim: fizeram essa pintura nos meus olhos assim que eu cheguei aqui. É uma piscina... bem grande! Eu pensei: ela diz que é piscina só porque os olhos do elefante são grandes e azuis! Olha aonde vai a imaginação de uma criança! Enfim, ficamos conversando mais um tempo e ela me contou algumas de suas aflições, que afinal, eu já sabia...
    Quando acordei, assim que meu namorado me ligou, contei a ele. A reação dele foi a seguinte: _ O que tem nesse livro? Cogumelos??
    _ Pior que tem! Vou ler todos os dias antes de dormir pra ver se encontro com meu 'eu' criança novamente!! Adorei!

    Sem contar que o livro é incrível. Confesso que nunca tinha lido nada do autor. A maneira como ele escreve me cativou. Em relação às analogias, é algo para se pensar... Pode ter muitos significados! Para mim, esse livro fez uma grande diferença!
    Beijos, Mi!

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    1. Dani do céu!! Amei tudo o que você me contou e principalmente o comentário do seu namorado! E pior é que ele está certo, o livro tem sim cogumelos, alucinógenos e muita magia, e é incrível como afeta cada um de nós de forma diversa e particular. Gaiman é um gênio. E espero que você possa se encontrar várias e várias vezes com você pequena. Eu ia amar passar por uma experiência dessas. Na verdade passei por algo parecido uma vez numa terapia que fiz, foi fantástico! Eu também nunca tinha lido nada o Neil, foi o primeiro livro que li e ele já arrebatou meu coração. Também amei a maneira fluída e intensa com a qual ele escreve. Fico muito feliz em saber do significado que ele teve na sua vida. Livros assim são preciosidades. Grande beijo e volte sempre!

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  13. Parabéns pelo seu blog, acabei de ler o Oceano no Fim do Caminho e comecei a procurar as impressões de outros leitores e achei o seu blog, gostaria de também compartilhar minhas impressões, tive algumas impressões iguais as citadas aqui, mas também não pude deixar de ver algumas situações de uma forma mais simples como no caso da Ursula de apenas ser uma forma de como ele via a " pessoa" Ursula, afinal de contas ela estava tendo um caso com o pai dele e ele via ela como uma pessoa má que queria causar mal a ele e a sua família e ele precisar de certa forma descobrir como fazer ela ir embora da casa dele

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  14. Para completar o velório na minha opinião era ou do pai ou da mãe dele, afinal de contas ele "retornava" a fazenda sempre quando ele sofria algum trauma ou quando estava com medo. Mas isso que é fascinante na escrita do Gaiman , ele deixa margem para a imaginação e para várias interpretações, afinal de contas isso que é o legal da leitura...

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  15. Vocês sabiam que o menino da foto atrás do livro é o Neil Gaiman?

    explodiu minha cabeça também...

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